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Uíge com poucos dadores voluntários

Joaquim Júnior | Uíge

A  doação de sangue  continua a preocupar as autoridades, que ontem pediram, no Uíge, aos dadores de sangue para estarem unidos, dada a importância do produto para a vida humana.

Brigada de Jovens Solidários organizou no Uíge uma conferência sobre a “Problemática da doação de sangue em Angola”
Fotografia: Eunice Suzana

A vice-governadora provincial para o Sector Político e Social, Maria da Silva e Silva, que falava na abertura da I Conferência Provincial sobre “A Problemática da Doação de Sangue em Angola”, organizada pela Brigada Jovens Solidários, referiu que a doação de sangue é uma atitude individual que ajuda a salvar muitas vidas e disse que os dadores transferem saúde e esperanças aos que necessitam do produto, demonstrando imensa solidariedade aos necessitados.
A vice-governadora provincial afirmou a disponibilidade do Governo Provincial em continuar a construir unidades sanitárias com boas condições técnicas para a realização de transfusões  seguras.
Na província do Uíge, o sector da Saúde controla 115 dadores de sangue, um número que a directora provincial da Saúde, Luísa Cambuta, considera insuficiente, tendo em conta as  solicitações que diariamente existem nos hospitais.
Das 10.367 transfusões realizadas de Janeiro a Setembro deste ano nas diversas unidades sanitárias da província do Uíge, pelo menos 92 por cento da  quantidade de sangue utilizada foi recolhida  dos familiares dos próprios pacientes necessitados.
“A estatística demonstra a existência de grandes barreiras mitológicas que a província enfrenta na consciencialização dos dadores voluntários, consubstanciadas nas informações contraditórias que circulam no seio de muitos grupos socais, que alegam riscos na doação de sangue fora do foro médico”, disse Luísa Cambuta. Das 9.215 doações feitas nos bancos de sangue do hospital central e municipais, 8.398  foram disponibilizadas por familiares dos pacientes.
Luísa Cambuta explicou que a doação de sangue é um problema que tem preocupado os profissionais de saúde na província e disse que nas visitas realizadas às unidades hospitalares notou-se a ausência do produto. “Os pacientes com problemas de malária, acidentes de viação, partos e abortos são os que mais transfusão precisaram durante o período em análise.”
A JMPLA é a organização que mais fornece dadores voluntários, além de  grupos juvenis de várias denominações religiosas. As Forças Armadas Angolanas (FAA) também dão o seu contributo. O presidente provincial da juventude do Conselho das Igrejas Cristãs em Angola (CICA), pastor Nsango Roger, disse que o exemplo principal de doação de sangue parte de Jesus Cristo, por ter derramado o seu sangue na cruz para salvar vidas humanas.  Ao dissertar sobre o tema “O papel da igreja na moralização da sociedade na doação de sangue”, Nsango Roger exortou aos demais líderes religiosos a manifestarem igual sentimento na mobilização dos seus fiéis, para que promovam o amor ao próximo com actos benevolentes, contrariando algumas religiões que incitam os membros a absterem-se da oferta de sangue.
A  Conferência  “A problemática da doação de sangue em Angola” serviu para  promover a cultura de doação de sangue e juntou dezenas de dadores voluntários filiados na Brigada Jovens Solidários, membros do Governo Provincial, técnicos, estudantes de Saúde, efectivos das Forças Armadas, da Polícia Nacional e dos Bombeiros.

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