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Uíge forma especialistas em saneamento ambiental

Valter Gomes | Uíge

As acções de gestão do saneamento lideradas pela comunidade e as escolas vão ganhar cada vez mais corpo, nos próximos tempos, a nível dos municípios da Damba, Negage e Uíge.

Vista parcial da cidade do Uíge onde estão a ser traçadas novas estratégias para melhorar o saneamento ambiental na província
Fotografia: Jornal de Angola

Para isso, mais de 40 técnicos dos sectores da Saúde e Educação participaram entre os dias 31 de Julho e 2 de Agosto, na cidade do Uíge, numa acção formativa sobre a Gestão do Saneamento Total Liderado pela Comunidade e Escola.
A formação foi promovida pela direcção da Unidade Técnica Nacional deSaneamento Ambiental, em colaboração com o Ministério do Ambiente, União Europeia e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), com o objectivo de melhorar a sensibilização da população das comunidades e reduzir doenças.
O coordenador da Unidade Técnica Nacional de Saneamento Ambiental, Nascimento Soares, disse que os técnicos recém-formados estão a ser preparados para transmitirem também estes conhecimentos teóricos e práticos aos outros agentes dos municípios.
Após esta fase, acrescentou, os agentes vão promover a criação de comissões para assegurar o processo de sensibilização da população sobre os cuidados a ter com a saúde.Nascimento Soares esclareceu que o projecto vai contribuir igualmente para a melhoria do saneamento básico e na redução da mortalidade infantil.
O responsável afirmou que o projecto é uma metodologia inovadora, que visa mobilizar as comunidades e as escolas da província na tomada de consciência sobre os problemas que podem afectar as famílias locais.
A falta de acesso ao saneamento é uma das principais causas da incidência de doenças diarreicas ou de origem hídrica, como são os casos das diarreias, cólera, febre tifóide e outras doenças por contaminação dos solos, água e alimentos.
Nascimento Soares referiu que o projecto visa também contribuir para a redução da contaminação das águas, solos, alimentos e ajudar na melhoria da condição de vida dos habitantes, através de uma gestão adequada e do aproveitamento dos resíduos.
O coordenador disse que em Angola o projecto começou em 2008, com a assinatura do acordo de financiamento entre o Executivo e a Unicef, para a aplicação de acções no âmbito do saneamento ambiental, com o enfoque no saneamento liderado pela comunidade e a escola em 11 províncias do país.
Neste momento, as actividades têm incidência sobre doenças como a cólera e pólio, nas províncias da Huíla, Bié, Cunene, Luanda, Moxico, Benguela, Kwanzas Norte e Sul, Malange, Namibe e Uíge. A iniciativa, esclareceu, visa associar-se aos esforços do Executivo na promoção de acções que garantam a melhoria da qualidade de vida das populações nas comunidades.
A propósito, o coordenador da Unidade Técnica apelou às populações no sentido de observarem rigorosamente as medidas de prevenção contra as doenças mais frequentes nas comunidades.
A metodologia do Saneamento Total Liderado pelas Comunidades, aplicada pela primeira vez na Índia, por Kamal Kar, um consultor de desenvolvimento, baseia-se na mobilização e sensibilização das comunidades locais sobre a análise da situação. O projecto sugere métodos participativos para a tomada de decisão colectiva na adequação da alimentação, apelos para que não se defeque ao ar livre no seio das comunidades, primando pela construção de latrinas, lavagem das mãos e outras práticas de higiene em geral, segundo o coordenador da Unidade Técnica.

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