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Unidade equipada para fazer testes da sida

Nicodemos Paulo | Uíge

O laboratório do Hospital Regional Militar do Uíge foi reforçado com um aparelho de medição de CD4, que serve para a realização de testes ao VIH/Sida e hemograma.

Técnicos estão mobilizados para realizar palestras sobre a importância da testagem
Fotografia: Jornal de Angola

O referido aparelho, além de fornecer indicadores precisos aos técnicos de saúde, para os ajudar a decidir se o seropositivo deve ou não começar o tratamento com retrovirais, fornece igualmente informações sobre o estado das células de defesa do indivíduo.
Com estas informações, os clínicos têm todas as condições para saber se podem aconselhar o paciente a iniciar tratamento ou se existem riscos de infecção oportunista para o seropositivo.
Patrocinado pelo Plano de Emergência Norte-Americano no Combate ao VIH/Sida, numa iniciativa da presidência dos Estados Unidos, no âmbito do programa de combate à doença, formação de técnicos de saúde e apetrechamento de unidades hospitalares, o aparelho vai ajudar a melhorar a assistência médica e medicamentosa às populações.
A médica Adelina Siquelile, coordenadora do programa de VIH/­Sida das Forças Armadas Angolanas (FAA) disse que foram seleccionados e formados 11 técnicos, entre militares e civis, para trabalharem na sala de aconselhamento e testagem da referida unidade de saúde militar. Os técnicos, formados por especialistas da Direcção Nacional de Saúde das FAA, estão agora melhor preparados para trabalhar com o aparelho e realizar pequenas manutenções. A médica garantiu que os técnicos adquiriram competências relativas à colheita do sangue e sua introdução na máquina, em que momento o exame de CD4 deve ser requerido para análise de dados, metodologia no aconselhamento e testagem, assim como a descrição de informações.
Adelina Siquelile adiantou que está tudo preparado para, doravante, o Hospital Regional Militar realizar testes com um alto grau de fiabilidade e dar o melhor aconselhamento aos pacientes. “Os técnicos locais são também encorajados a realizar palestras no seio das populações sobre a importância da testagem, uma vez que, embora existam medicamentos retrovirais, esses fármacos só actuam se consumidos em tempo oportuno”, referiu a médica.
Está em curso nas FAA um programa de aconselhamento e testagem da sida, com o objectivo de se controlar a taxa de prevalência nos militares. A cultura da circuncisão, amplamente seguida pela população, também tem ajudado a manter os níveis baixos de seropositividade, uma vez que cerca de 97 por cento dos homens angolanos estão circuncidados, salientou. “Estudos actuais apontam que esta, a circuncisão masculina, é uma importante forma de prevenção do vírus da sida”. A coordenadora disse que existem vários programas de educação das FAA sobre a prevenção e propagação de doenças de transmissão sexual, que passam pelo uso do preservativo, abstinência sexual ou possuir apenas um parceiro sexual, assim como pela diminuição dos níveis de consumo de álcool, já que esta substância pode interferir na conduta dos ­indivíduos.

As vantagens do programa

Greice Malengue, do Plano de E­mergência Norte-Americano no Combate ao VIH/Sida, disse que o programa actua em diversos áreas de saúde, financia formações de técnicos, compra medicamentos e e­quipamentos, para melhorar os níveis de assistência técnica das populações, tanto militares como civis.
Ainda este mês, o plano realiza o ensaio de um estudo que vai ser feito no próximo ano, sobre a seroprevalência dentro da comunidade militar, para se ter uma noção exacta da presença do vírus entre os militares angolanos.
 O plano vai, ainda, analisar o comportamento de risco, planear as acções preventivas e correctivas, assim como melhorar o programa de prevenção, baseado em informações concretas das colheitas feitas no terreno.

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