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Universidade preocupada com biodiversidade

Nicodemos Paulo | Uíge

A directora-geral da Escola Superior Politécnica da província do Uíge, adstrita à Universidade Kimpa Vita (UNIKIVI), manifestou-se preocupada com o impacto negativo que as queimadas provocam ao ambiente, uma prática comum desenvolvida pelos agricultores da região, durante a época de Cacimbo.

No seminário promovido pela universidade foi lembrado que as queimadas podem contribuir para o fim de espécies animais e vegetais
Fotografia: Mavitidi Mulaza

Maria de Fátima, que falava na abertura do I Seminário conjunto entre as Universidades Kimpa Vita e a Central de Tecnologias da África do Sul, alertou que as queimadas acabam com as espécies vegetais e animais, colocando muitas delas em vias de extinção.
“Essa prática provoca graves desequilíbrios à biodiversidade, situação que tem de ser corrigida com maior urgência para que possam ser salvas algumas espécies, com aplicação medicinal”, disse, acrescentando que um grupo de especialistas da Faculdade de Agronomia da Universidade Kimpa Vita trabalha na elaboração de um projecto que visa alertar as autoridades públicas e sensibilizar as populações rurais dos perigos que esta prática representa.
Maria de Fátima prometeu trabalhar nas comunidades para que as populações percebam que esta atitude também danifica os solos e para pedir que abandonem esta prática e a substituam por outra que vai ser ensinada.
“Vamos igualmente trabalhar com a comunidade no repovoamento florestal e, deste modo, estamos cada vez mais perto das comunidades”, afirmou.
A Universidade Kimpa Vita está a realizar projectos no campo da Medicina e neste momento decorrem trabalhos de mapeamento das principais enfermidades da região e de catalogação das plantas medicinais existentes na província do Uíge .
Estudos preliminares já foram efectuados  e desenhado o plano urbanístico do futuro Jardim Botânico. A partir do próximo ano vai dar-se início aos trabalhos de plantação de árvores e lançamento de sementes. A vice-governadora para o sector Político e Social, Maria da Silva e Silva, disse que o Executivo tem estado a investir nas Universidades do país para que as suas descobertas contribuam para o desenvolvimento intelectual, económico-social e cultural dos povos. “Hoje o mercado de trabalho exige cada vez mais do profissional, pois já não basta ter conhecimentos teóricos, mas a realização de práticas que buscam a produção notória de novas ideias e conhecimentos”, frisou.

Meio rural

Os participantes no encontro, que decorre sob o lema "Escola Superior Politécnica do Uíge e novos desafios na investigação científica", analisaram a sustentabilidade de empreendimentos de abastecimento de água potável no meio rural.
Novos projectos para atracção de interesses de cooperação, como a "defesa das florestas e base de dados da espécie de peixes e mamíferos fluviais da zona agro-ecológica nº 5, à luz das mudanças climáticas” e “investigação sobre a sustentabilidade de empreendimentos de abastecimento de água potável no meio rural”, estão igualmente agendados para as discussões no Seminário.
A par das discussões são notórias as exposições sobre a fase actual dos projectos de identificação e valorização das variedades de inhame, tubérculo existente na zona agro-ecológica angolana nº 5, catálogo de uso de plantas medicinais no município do Uíge e sobre a incidência e prevalência do poliparasitismo e de outras doenças tropicais.

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