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Via do Uíge ao Caxito necessita de manutenção

Joaquim Júnior| Uíge

O especialista em vias de comunicação e docente do Instituto Superior Politécnico do Cazenga, Kiesse Nerouh, manifestou-se preocupado com as condições actuais da estrada Uíge/­Caxito (Luanda), pelo facto da via, asfaltada em 2008, apresentar alguns buracos, que tornam perigosa a circulação automóvel.

Os automobilistas estão preocupados pois as chuvas já começaram a cair e os buracos podem aumentar tornando a via intransitável
Fotografia: Mavitidi Mulaza|Uíge

Falando à margem da realização das IV Jornadas Técnico-Científicas da Ordem dos Engenheiros de Angola, que decorreu de 2 a 4 de Outubro na província do Uíge, o professor Kiesse Nerouh defendeu a necessidade de realização de obras de manutenção e restauro na estrada, para continuar a garantir melhor fluidez na circulação de pessoas e bens. Criticou, por outro lado, o trabalho desenvolvido pelo empreiteiro e pela empresa fis­calizadora da obra.
“As questões sobre estudo dos solos, comportamentos climáticos e lençóis freáticos foram pouco acauteladas durante a empreitada, para que a espessura do asfalto variasse conforme os factores identificados em cada distância pelo empreiteiro”, disse.
Quando dissertava o tema “Recomendações Técnicas para Caracterização do Sub leito nas Estradas de Angola”, no decorrer das IV Jornadas Técnicas e Científicas, promovidas pela Ordem dos Engenheiros de Angola, no anfiteatro da Universidade Kimpa Vita, Kiesse Nerouh explicou que, quando se fala da incidência das condições climáticas sobre os pavimentos deve-se ter em conta dois aspectos fundamentais: o regime das chuvas e a sua influência sobre o comportamento do sub leito e das camadas não tratadas do pavimento, e o regime da temperatura e sua influência sobre as camadas de rodagem e da base.
“O nosso país necessita de normas próprias para a execução de obras de engenharia civil, no sentido de dar resposta aos problemas que temos encontrado na fiscalização e execução das obras em curso”, sublinhou. “Essas normas, rigorosamente seguidas pelas empresas de construção civil e de fiscalização, vão permitir que as obras tenham melhor qualidade”, rematou. O especialista em vias de comunicação concluiu que nas obras de estradas utilizam-se geralmente ensaios de laboratórios que permitem determinar, de modo rápido, a capacidade de suporte dos solos que devem ser empregues nas acções de terraplenagem, bases e sub-bases.

Automobilistas preocupados

Automobilistas que circulam na estrada Luanda/Uíge manifestaram-se preocupados com os sinais de degradação que a estrada apresenta. “Viajo todas as semanas nessa estrada e as condições actuais não são das melhores.
Há muitos buracos que podem provocar acidentes graves e causar a morte de muitas pessoas, sobretudo no troço que liga a cidade do Uíge à ponte do rio Dange”, disse o automobilista Domingos José.  “Quem não conhece a via também não conhece os pontos mais críticos dessa estrada. Se estiver a circular numa velocidade acima dos 80km/hora está sujeito a sofrer um despiste ou a embater contra outra viatura, devido a visibilidade limitada que esses locais apresentam”, disse.
Garcia Panzo, outro automobilista, disse que, devido ao mau estado da estrada, prefere viajar para Luanda passando pelo Kwanza-Norte, onde a via oferece melhores condições de circulação, apesar do percurso ser mais longo. “O Governo deve reparar com urgência aquela estrada.
As chuvas já começaram a cair e os buracos podem alargar-se ainda mais”, disse, acrescentando que “as autoridades não podem permitir mais que a comunicação por estrada entre o Uíge e a capital do país fique cortada”. Nas IV Jornadas Técnicas e Científicas da Ordem dos Engenheiros de Angola, Herculano Miguel falou sobre a importância da “Fiscalização nas Empreitadas de Obras Públicas” e sobre os cuidados que os donos das obras devem ter antes da aprovação das propostas do empreiteiro.

Fiscalização de obras públicas

O engenheiro de construção civil é de opinião que os fiscais de obras públicas devem actuar no sentido da não perturbação desnecessária do normal desenrolar dos trabalhos e da não inibição da iniciativa do empreiteiro, concorrendo para a cabal execução da empreitada, proceder as devidas inspecções e emitir o devido parecer para a recepção
provisória da obra.
Herculano Miguel disse ainda que a população e as autoridades tradicionais residentes numa zona onde esteja a decorrer uma obra pública devem desempenhar o papel de fiscais, para além do dono da obra, instituições jurídicas, associações e a comunicação social.
“Os fiscais devem estar capacitados para solucionar e responder com a maior celeridade possível às questões de sua competência, que lhes sejam colocadas, assim como dar o devido encaminhamento às obras”, disse. A via Luanda/Caxito/Uíge, além de ser muito estreita, é das estradas mais respeitadas pelos viajantes.

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