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Vila do Quimbele luta contra ravinas

António Capitão | Quimbele

É difícil chegar até à vila de Quimbele. A circulação é feita com muita dificuldade, devido às inúmeras e enormes ravinas ao longo da estrada que liga à sede municipal.

A circulação é feita com muita dificuldade devido as ravinas na estrada que dá acesso à vila e nas ruas da sede municipal
Fotografia: Manuel Distinto

É difícil chegar até à vila de Quimbele. A circulação é feita com muita dificuldade, devido às inúmeras e enormes ravinas ao longo da estrada que liga à sede municipal.
Nas ruas da vila o cenário não é diferente.
A população local clama pela intervenção do governo, uma vez que as ravinas ameaçam engolir a vila, localizada a 280 quilómetros da cidade do Uíje, destruindo as suas principais infra-estruturas e deixando os munícipes desesperados. “Já não conseguimos entrar com os carros na vila. Somos forçados a deixar os nossos passageiros a cerca de um quilómetro antes do destino, porque uma nova ravina destruiu a estrada e continua a crescer, engolindo muitas casas”, relatou o automobilista João Neto.
“Só os carros ligeiros e com tracção às quatro rodas conseguem chegar à vila, mas têm de dar uma volta de mais de doze quilómetros, numa picada em péssimas condições”, explicou João Neto.
O administrador municipal, Joaquim Vumbi, disse que são necessários trabalhos mais especializados para a contenção das ravinas, visto que algumas fechadas no ano passado voltaram a abrir.
“Estas ravinas constituem uma grande ameaça para a existência da sede municipal e um perigo enorme para as populações, tendo em conta que muitas famílias se viram obrigadas a abandonar as suas moradias”, acrescentou.
Joaquim Vumbi apelou aos automobilistas a terem maior precaução enquanto circularem por aquela estrada, “sobretudo no período nocturno, em que a visibilidade é reduzida, porque os locais onde se encontram as ravinas não estão sinalizados”.
O governador provincial, Paulo Pombolo, que foi ao município do Quimbele para presidir ao acto provincial do Dia do Início da Luta Armada, manifestou a sua preocupação pelos contornos que este fenómeno erosivo está a provocar, criando dificuldades para as autoridades locais e a população.
Paulo Pombolo garantiu à população local que o seu executivo vai, junto do Governo Central, através da Secretaria de Estado da Construção, fazer contactos com vista a canalizar recursos para a reabilitação da estrada que liga o município à capital da província e combater as ravinas.
“Dentro das novas políticas governativas do MPLA, em que assume particular importância a constatação directa e pontual dos problemas que afligem as populações, decidimos vir ver de perto a realidade deste município, para juntos, com as autoridades locais, encontrarmos soluções para os mesmos”, referiu, acrescentando que “não devem ser feitos mais trabalhos paliativos para conter estas ravinas, mas sim um estudo geológico dos solos, que nos vai permitir encontrar a solução técnica para estancá-las definitivamente”.

Pesca e criação de gado

No âmbito das festividades do Dia do Início da Luta Armada, os pescadores artesanais e as associações de camponeses das comunas de Kwango, Icoca e Alto Zaza, no município de Quimbele, receberam do governo da província embarcações e equipamentos para a pesca e várias cabeças de gado bovino e caprino para o repovoamento animal na região.
O governador provincial, Paulo Pombolo, sublinhou que o gesto visa, por um lado, proporcionar novas fontes de receitas aos beneficiários e, por outro, diversificar as actividades desenvolvidas pelos populares, uma vez que os munícipes de Quimbele se dedicam maioritariamente à agricultura.
“Os animais que entregamos às associações de camponeses não devem ser abatidos para servirem de alimentação, mas sim para se reproduzirem e, futuramente, vos servirem de fonte para terem dinheiro. Os pescadores também devem cuidar bem as embarcações, aumentar a captura do peixe nos rios e lagoas, para alimentação e para comercializarem”, disse o governador.
Paulo Pombolo, para além de oferecer alimentação, roupa usada e outros utensílios de uso doméstico aos angolanos expulsos da República Democrática do Congo, reassentados no município de Quimbele, inaugurou um posto de saúde e uma escola com quatro salas de aulas, na aldeia Quibocolo, situada a cerca de nove quilómetros da sede municipal.

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