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Vila do Songo em dificuldades

António Capitão| Uíge

A estrada que liga a cidade do Uíge ao Songo está cheia de buracos e nesta fase ainda tem muita poeira. O mau estado da via obriga os automobilistas a reduzirem a velocidade.

A administração municipal está apostada na recuperação de infra-estruturas de impacto social como hospitais e escolas
Fotografia: António Capitão| Uíge

A estrada que liga a cidade do Uíge ao Songo está cheia de buracos e nesta fase ainda tem muita poeira. O mau estado da via obriga os automobilistas a reduzirem a velocidade.
Estamos a 25 quilómetros da vila do Songo. Uma viatura está parada na via com as molas partidas. António Makengo é o motorista da viatura. O jovem exerce a actividade de taxista na via entre o Uíge e o Songo, há mais de cinco anos. "É um enorme sacrifício circular nesta estrada. Quando saio de casa penso nas dificuldades que vou enfrentar. Se não é o pneu que fura é a mola que parte", lamentou.
Luzia João viajava na viatura avariada. Ela reside na vila do Songo, mas passou o final de semana na cidade do Uíge, onde visitou os seus familiares. Apressada para chegar a tempo de ir às aulas, desceu da viatura para apanhar um outro táxi ou uma boleia. Mas estava difícil.
"Estamos aqui parados há uma hora e até agora não há solução. Corro o risco de perder as aulas. Esta estrada deve ser reparada o mais rápido possível", disse  desesperada.
Em condições normais os 40 quilómetros que separam a cidade do Uíge à vila do Songo eram percorridos em apenas 25 minutos. Mas hoje os automobilistas demoram pelo menos duas horas para concluírem a viagem. A estrada, na era colonial, era asfaltada, mas com o andar dos anos, o tapete de asfalto desapareceu e deu lugar a enormes buracos. O trânsito deixou de ser fluido.
Os buracos ao longo da via tornam cada vez mais lenta a circulação de automóveis: "este é um dos principais factores que deixa insatisfeita a população, afugenta os investidores e impede o município de progredir", referiu Costa Manuel, administrador municipal do Songo.
Uma vez que as estradas nacionais são da responsabilidade do Executivo, Costa Manuel solicita a reabilitação urgente da via, "porque a administração municipal não possui capacidade financeira para suportar a sua recuperação".
E prossegue: "é uma situação que está a deixar preocupados os munícipes, porque a afluência dos táxis ao município está a reduzir e alguns empresários não arriscam investir na região, até mesmo os empreiteiros se recusam a fazer obras aqui devido ao estado degradado da estrada". Sobre a importância que a estrada representa para o desenvolvimento da região, o administrador disse que "as vias de comunicação são os principais incentivos de atracção de investidores para qualquer localidade".
 
Abastecimento de água

Na vila do Songo a água parou de jorrar nas torneiras há mais de uma década. O sistema de abastecimento de água potável instalado no período colonial está obsoleto. A central de captação e tratamento foi destruída durante a guerra.
A população vai buscar água às cacimbas e aos rios, facto que contribui para o aumento de doenças, disse Costa Manuel. Para resolver a situação, a administração municipal projectou a construção de um sistema de abastecimento de água por gravidade, no âmbito do Programa de Intervenção Municipal (PIM).
"É um projecto que vai beneficiar milhares de habitantes da sede do município, mas posteriormente vamos chegar às aldeias vizinhas. É de iniciativa municipal e vai ser financiado com as verbas colocadas à disposição do município", concluiu.
 
Educação e saúde

O sector da Educação no município do Songo, apesar das várias dificuldades que enfrenta, regista alguns avanços, sobretudo na construção de salas de aulas e na redução do analfabetismo.
O administrador municipal, Costa Manuel, revelou que, desde 2008, foram construídas 111 salas de aulas, facto que contribuiu para a inserção de mais crianças no sistema normal de ensino.
"Temos 150 salas de aulas. Mas ainda são insuficientes. A população continua a crescer, a inserção dos angolanos repatriados da República Democrática do Congo contribuiu para o aumento de jovens em busca de formação académica e de crianças em idade escolar", disse o administrador. Costa Manuel referiu que a necessidade é de pelo menos 100 novas salas, para que não haja nenhuma criança fora do sistema. O programa de alfabetização está em curso. Mais de 500 adultos, de ambos os sexos, aderiram ao programa e hoje já sabem ler e escrever. São, no total, 30 alfabetizadores que asseguram este segmento de ensino.
O município tem um hospital municipal em funcionamento. Mas já foi construído um novo hospital na localidade, que aguarda a sua inauguração, para além de vários postos de saúde. O sector é assegurado por quatro médicos e 63 enfermeiros, que "não conseguem dar resposta à procura. O Songo tem uma população estimada em 36 mil habitantes".

Noites escuras

A maioria das ruas está às escuras, enquanto outras estão iluminadas através de postes equipados com painéis solares. O gerador de 600 kva que devia fornecer energia aos moradores da vila não funciona há mais de dois anos. Os pequenos geradores de corrente eléctrica e os candeeiros a petróleo, feitos de lata, têm servido de fontes alternativas para iluminar as casas da vila do Songo, das comunas, aldeias e bairros. "O fornecimento de energia eléctrica à sede municipal tem sido um dos principais problemas que enfrentamos. O gerador instalado na central térmica não funciona por causa de alguns aspectos técnicos, mas estamos a envidar esforços para solucionar o problema", assegurou.
O administrador municipal do Songo defende a substituição urgente da rede de distribuição de corrente eléctrica na sede do município, porque a antiga rede instalada há mais de 70 anos está obsoleta.
 
Equipamentos sociais

 
A administração municipal do Songo está apostada na recuperação de infra-estruturas sociais destruídas durante a guerra, com vista a proporcionar uma nova imagem à sede municipal. Na vila do Songo e na comuna de Kinvuenga é visível o empenho de homens e máquinas que diariamente arregaçam as mangas para a reconstrução do município, onde os edifícios administrativos e residências sociais estão a beneficiar de obras de restauro.

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