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Vila do Songo entra no século

José Bule e Joaquim Júnior| Songo

A sede municipal do Songo, na província do Uíge, está agitada no bom sentido. As ruas estão limpas e os edifícios pintados de fresco. O novo parque infantil e o jardim engalanados proporcionam às crianças intermináveis recreios.

Hotel Kwango é uma unidade turística de referência construída em tempo de paz ao longo da estrada que liga o município do Uíge ao Songo
Fotografia: Filipe Botelho

O movimento de viaturas nas principais ruas é grande enquanto a população, com largos sorrisos, procura o melhor motivo para festejar o 90º aniversário da sede municipal, cujas festas decorrem de 1 a 4 de Abril, dia em que o país inteiro assinala, com pompa e circunstância, o 11º aniversário da assinatura dos Acordos de Paz.
A abertura da I edição das festas do Songo aconteceu à meia-noite de segunda-feira, com o lançamento de fogo-de-artifício, para delírio de milhares de pessoas que acorreram ao largo defronte à administração municipal.
A administradora municipal do Songo, visivelmente satisfeita, assegurou que “está garantido” o sucesso das festas da vila. Apontou o ar de satisfação de homens, mulheres e crianças como o sinal claro de que tudo está a correr bem. Adelina Pinto disse que a realização da primeira edição das festas do município surgiu da necessidade de responder a uma solicitação feita pelos munícipes, que há muito aguardavam por uma manifestação dessa dimensão.
Há dois meses à frente dos destinos do município do Songo, Adelina Pinto aposta na reabilitação das vias de acesso para melhorar a circulação de pessoas e bens e assegurar o rápido desenvolvimento da região. “As estradas do Songo estão muito esburacadas. Vamos apostar na reabilitação das vias de acesso. Temos de fazê-lo se quisermos ver o município a atingir os níveis de desenvolvimento preconizados”, disse.
A responsável prometeu realizar visitas de constatação a todas as localidades do município para inteirar-se das dificuldades que cada uma delas apresenta, para definir melhor as prioridades gerais e, consequentemente, dar solução imediata aos problemas encontrados.
O vice-governador para o Sector Económico e Produtivo disse, no acto político que marcou a abertura oficial das festas do Songo, que a realização do evento constitui um momento singular, por coincidir com o mês em que se comemora em todo o país a Paz. Carlos Mendes Samba reforçou que o momento é de Paz e, por isso, torna-se mais fácil viajar de um lado para o outro e “nos divertirmos com toda a tranquilidade”.
O governante encorajou os munícipes no sentido de continuarem a dar o seu melhor em prol do desenvolvimento do município, enquanto o governo cria condições para o cumprimento do programa submetido ao eleitorado.
Quanto às igrejas, Carlos Samba solicitou o seu maior envolvimento na pacificação dos espíritos, como forma de consolidar a Paz no país.

População satisfeita

O município do Songo foi elevado à categoria de Concelho de Administração no dia 27 de Julho de 1960, mas foi a 4 de Abril de 1923 que os primeiros portugueses se fixaram no território, há 90 anos.
Com uma população estimada em 44 mil habitantes, o Songo encara a realização da primeira edição das festas como o símbolo do renascimento do município. O responsável da Associação das Autoridades Tradicionais (ASSAT) do Songo disse que o facto da data da fundação da vila coincidir com a da conquista da Paz abre portas para a localidade tomar um novo rumo de desenvolvimento. Pedro Dombe garantiu que os munícipes estão satisfeitos com a iniciativa da administração municipal, porque a festa representa um grande momento de reflexão sobre a história da região, isto é, sobre o seu passado, presente e futuro, que se quer risonho, depois de um período manchado pelos males da colonização e do conflito armado, que travaram o desenvolvimento da localidade.
De acordo com a mais alta autoridade tradicional do Songo, o presente vivido com sossego e o surgimento de várias infra-estruturas sociais, como escolas, hospitais, centros e postos médicos, água potável, luz eléctrica e a reabilitação das vias que ligam o município a outros pontos da província, facilitando a livre circulação de pessoas e bens, demonstram que a Paz gera progresso.
Nas festas do Songo há de tudo um pouco: exposição fotográfica e agro-pecuária, feira do livro, actividades culturais e desportivas. Os locais históricos e turísticos do município, como a Lagoa do Mufututu, o Centro Turístico Nganga Ndombe, têm estado a receber muitos visitantes.
Nesta primeira edição das festas do Songo, que encerra hoje, os convivas têm muito por onde escolher no que diz respeito à culinária local. A kizaca, feijão, funge de bombó, banana, nfumbua, muteta e macaxiquila (folha de feijão), acompanhados com lunguila, uma bebida extraída da cana, fazem as delícias dos convivas.

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