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Violência doméstica destrói as famílias

Valter Gomes| Uíge

O aumento de casos de violência doméstica no município do Bembe, província do Uíge, estão na base das principais causas da desestruturação e separação das famílias, disse ao Jornal de Angola a chefe de secção municipal do Ministério da Família e Promoção da Mulher.

Direcção da Família e Promoção da Mulher vai continuar a adoptar mecanismos que visam permitir a redução dos casos de violência
Fotografia: JA

Maria Clara esclareceu que de Janeiro até Abril deste ano foram registados oito casos de violência doméstica, três dos quais na sede do município, um na aldeia Nsangui, igual número em Quimpemba e três no Culo. Referiu que comparativamente ao mesmo período do ano anterior, houve um aumento de cinco casos.
“A violência doméstica está a tomar proporções alarmantes em relação ao período anterior. Muitos ignoram os conselhos das equipas da secção municipal da Família e Promoção da Mulher”, disse.
Maria Clara apontou o uso excessivo de liamba, bebidas alcoólicas e a fraca capacidade económica e financeira como as principais causas das agressões físicas registadas no município.
A chefe da secção municipal do Ministério da Família e Promoção da Mulher condenou as práticas de exploração infantil, abandono de crianças acusadas de feitiçaria, fuga à paternidade e outros males que não contribuem para o bem-estar social e crescimento da sociedade. Acrescentou que os infractores devem ser responsabilizados criminalmente, de acordo com a Lei da Violência Doméstica em vigor no país. A direcção da Família e Promoção da Mulher vai continuar a adoptar mecanismos que visam permitir a redução dos casos de violência, a educação das famílias e sensibilização da população para as consequências e o impacto da lei sobre a violência doméstica e a importância de manter a unidade no seio das famílias.

Sobas preocupados

O regedor de Quipaco, comuna do Lucunga, reprovou a conduta de jovens que realizam acções que não concorrem com o bem-estar social dos habitantes. Salakiako Afonso disse que as autoridades tradicionais da região têm vindo a promover encontros comunitários com os jovens, cujo objectivo é a transmissão de conhecimentos sobre a importância da conservação dos valores culturais e a necessidade de estarem formados nos mais diversos domínios do saber.
“Queremos que os jovens continuem a ser considerados a força motriz da sociedade, primando pela sua formação técnica, académica e profissional porque o país precisa de homens capazes e especializados nos mais diversos domínios”, referiu a autoridade tradicional. O soba de Masselele, Eduardo Garcia, lembrou que o Executivo criou mecanismos eficientes que visam o enquadramento de muitos jovens nos diversos locais de trabalho, mas referiu que é necessário que a juventude esteja devidamente preparada para exercer qualquer actividade: “o nosso objectivo é ver a juventude organizada, formada e com atitudes positivas”.
O município do Bembe, na província do Uíge, está localizado a 150 quilómetros da cidade do Uíge. Tem uma população de 50 mil habitantes, distribuídos em duas comunas: Lucunga e Quimaria, 19 regedorias e 118 aldeias.

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