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Uma vida melhor até ao final do ano

Adalberto Ceita |Golungo Alto

As dificuldades sociais vividas pelos munícipes do Golungo Alto, nas áreas da saúde, energia, água e educação podem ultrapassar-se até ao final deste ano.

Manuel de Sousa, Administrador Municipal Adjunto:
Fotografia: Dombele Bernardo

As dificuldades sociais vividas pelos munícipes do Golungo Alto, nas áreas da saúde, energia, água e educação podem ultrapassar-se até ao final deste ano. Pelo menos é essa a convicção do administrador municipal adjunto, que também está esperançado que com o fim da reabilitação das estradas o município atraia  potenciais investidores. Em entrevista ao Jornal de Angola, Manuel de Sousa falou da implementação do Programa de Intervenção Municipal (PIM), que na medida do possível promete satisfazer as necessidades objectivas da população.

Jornal de Angola – Que balanço faz das actividades desenvolvidas em 2009?

Manuel de Sousa
– O ano passado, seguramente, não terá sido bom para ninguém. Como se sabe, fomos todos afectados pela crise financeira mundial, que naturalmente se reflectiu no país, e o município do Golungo Alto, como é óbvio, não ficou à margem. A título de exemplo, projectámos a mecanização de 455 hectares de terra para a lavoura, só que as condições financeiras impossibilitaram a sua execução. Mas, por outro lado, no domínio da saúde, e isso digo-o com orgulho, sendo o Golungo Alto uma região endémica da malária, registámos 8.610 casos, quando no ano anterior tivemos 15.647 casos. Importa referir que temos no Hospital Municipal uma das quatro unidades sentinelas do país, na luta contra esta doença.

JA – Que programas estão em execução neste momento?

MS –
A construção de seis residências com oito suites para albergar os quadros técnicos, a construção da residência do administrador municipal, a reabilitação e ampliação da escola nº 19 e a reabilitação de poços de água na comuna de Cambondo. Está igualmente em execução a construção de uma aldeia no âmbito do programa de desenvolvimento rural, que deverá contar com 250 casas, integrando serviços de saúde, escola, mercado e outros serviços, bem como a construção da casa da juventude. Devo ainda dizer que conseguimos reabilitar, ampliar e apetrechar a escola primária do sector Malesso, e também construir e apetrechar a escola do II ciclo do Golungo Alto.

JA – Que benefícios trouxe para a população a verba disponibilizada no quadro do Programa de Intervenção Municipal (PIM)?

MS
– Os projectos estão em execução e certamente ainda não se reflectem na melhoria da qualidade de vida da população. Mas a breve trecho, vão reflectir-se nas áreas da saúde, energia, água e educação, fundamentalmente. É preciso que se diga mais uma vez que, devido à crise mundial, houve um corte das verbas para o PIM numa percentagem elevada, além da disponibilização dessas verbas ter sido feita muito tardiamente.

JA – Além do Governo, que outras instituições ou individualidades têm feito investimentos na vila do Golungo Alto?

MS
– Nenhuma, ou quase nenhuma, salvo empreendimentos comerciais de pequena monta que vão surgindo aqui e ali…

JA – Diante desse quadro, como é que caracteriza a situação social da vila?

MS
– A situação social das populações do Golungo Alto ainda não é das melhores, mas, como em todo o país, a Administração Municipal, em representação do governo, tem vindo a trabalhar para inverter a situação.

JA – Quais as grandes prioridades da administração que constam do plano para 2010?

MS
– De acordo com o Plano de Actividade e Orçamento Municipal (PLAOM) 2010, as prioridades vão para o sector da agricultura, saúde, educação, energia e águas e saneamento básico.

JA – Em relação ao fenómeno da invasão protagonizada pelos elefantes às lavras dos camponeses na comuna da Cerca, qual tem sido a intervenção da Administração Municipal?

MS
– Em minha opinião, esse fenómeno requer, se calhar, um estudo e uma intervenção especializada, talvez de ambientalistas, técnicos de florestas, enfim, de outros sectores. Os elefantes estão cada vez mais próximo das aldeias e das lavras e nós desconhecemos as reais causas deste fenómeno. Provavelmente, existe degradação do seu habitat ou este está a ser invadido pelo homem. De qualquer modo, a nossa intervenção tem consistido em passar informações e aconselhar as pessoas no sentido de produzirem barulhos agudos e queima de pneus para os afugentar.

JA – Sabe-se que têm feito uma administração participativa com a auscultação de diversos sectores da sociedade. Que benefícios têm obtido com esse modelo?

MS
– Como disse e bem, todos participam da governação através do Conselho de Auscultação e Concertação Social (CACS) e os projectos só arrancam com a aprovação desse órgão.

JA – Qual é a situação dos quadros técnicos de que se queixavam há tempos?

MS
– Ainda nos debatemos com falta quadros, e isso em todos os sectores. Felizmente, com o arranque da escola do II ciclo, temos a confirmação da chegada a breve trecho de mais dez professores com as qualificações técnicas exigidas.

JA – O município não tem qualquer maneira de esconder as suas imponentes fazendas, na sua maioria em estado de abandono. Que medidas estão a ser tomadas com vista à recuperação delas?

MS
– A recuperação das fazendas não pode ser feita pela administração, uma vez que muitas têm donos. As pessoas precisam de recorrer aos apoios e programas que o governo tem para a revitalização das mesmas e o fomento da agricultura de maneira geral. A administração criou o chamado grupo técnico de organização, estruturação e facilitação das cooperativas, associações de camponeses e produtores individuais, no seu relacionamento com o banco, o que vai beneficiar os camponeses com créditos para o fomento da agricultura. Devo referir que a agência do BPC aqui no Golungo Alto é membro desse grupo técnico e tem estado a visitar não só cooperativas e associações de camponeses, mas também os produtores individuais. Neste momento, aguardamos a visita de uma responsável regional do BPC.

JA – Qual é a situação real das vias que dão acesso ao município e a ligação destas com as demais comunas?

MS
– Quem vem ao Golungo Alto percebe que as estradas estão a ser reabilitadas, arranjadas. Embora ainda não concluídas, já se consegue chegar ao Golungo Alto e daqui para as comunas perfeitamente bem e sem perigo. Com o fim da reabilitação das estradas teremos certamente um factor de atracção para potenciais investidores.

JA – O visitante que chega ao Golungo Alto encontra dificuldades de hospedagem, e tem poucas alternativas para fazer uma refeição num restaurante. O que está por detrás disso?

MS
– Talvez com o arranjo das estradas e a instalação e distribuição de energia de média tensão, surjam investidores nesse domínio.

JA – Para quando a construção de um posto de abastecimento de combustível?

MS
– Esse é um projecto que não é da nossa alçada, nós apenas acompanhamos as obras de reabilitação do posto. O projecto, que já leva muito tempo, é da inteira responsabilidade da Sonangol. É realmente necessária celeridade, porque para se obter combustível temos de nos deslocar a Ndalatando ou a Cambondo.

JA – Qual é o ponto da situação das reservas fundiárias?

MS
– Aprovámos uma reserva fundiária com cerca de 12 hectares, o que é muito pouco. O relevo do Golungo Alto não ajuda muito. Contudo, já identificámos novos espaços que, por enquanto, aguardam aprovação.

JA – Para quando um Golungo Alto que satisfaça os anseios da população?

MS
– Naturalmente que não será a curto prazo. Felizmente com a descentralização e desconcentração administrativa, os próprios munícipes dizem o que pretendem, logo, na medida do possível e com a velocidade que o processo permitir, vamos satisfazer as necessidades da nossa população.

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