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Várias famílias ficam sem tecto

Manuel Tomás |Sumbe

Mais de 95 famílias residentes no bairro do Compão, na periferia da sede comunal de Kicombo, localizada a 20 quilómetros a sul da cidade do Sumbe (Kwanza-Sul), ficaram sem abrigo e perderam os seus haveres, como consequência da chuva, acompanhada de fortes ventos, que se registou nos últimos dias da semana finda naquela área.

Mais de 95 famílias residentes no bairro do Compão, na periferia da sede comunal de Kicombo, localizada a 20 quilómetros a sul da cidade do Sumbe (Kwanza-Sul), ficaram sem abrigo e perderam os seus haveres, como consequência da chuva, acompanhada de fortes ventos, que se registou nos últimos dias da semana finda naquela área.
As chuvas, que destruíram mais de 100 casas, edificadas com pau-a-pic, não causaram nenhuma morte ou ferimentos aos moradores, mas deitaram por terra muitas árvores devido à força do vento e da água.
O administrador da comuna do Kicombo, Joaquim Luís António, explicou que as excessivas chuvas que nos últimos dias se registam no interior da província fizeram aumentar o caudal do rio Cubal e a água transbordou, inundando o interior do bairro, situado na margem esquerda junto à foz com o mar.
Joaquim Luís António disse que a administração comunal está “de braços atados”, por não encontrar ajuda para dar aos sinistrados. A única solução encontrada, acrescentou, foi a evacuação da comunidade para o bairro “nova esperança”. Os bens dos habitantes que não foram destruídos foram transportados pelo único tractor da administração.
“No sítio onde estão a construir as casas provisórias, os populares deparam-se com inúmeras dificuldades quanto aos materiais de construção, nomeadamente chapas de zinco, paus, madeiras, tendas e água, mas esta questão já foi comunicada às estruturas provinciais, para a tomada de medidas”, disse o administrador comunal.
Segundo Joaquim António, em 2005 os moradores foram advertidos do risco que corriam caso permanecessem naquele lugar, mas não acataram o conselho, por isso aconselhou aqueles que ainda moram no bairro “coração do Kicombo” para abandonarem o local, situado a beira do rio Cubal, para se evitarem tragédias.

População clama por apoio

Emília Avelino, de 60 anos, mãe de três filhos, devido ao conflito armado na área do Kassongue, onde residia com familiares, decidiu instalar-se no bairro do Compão. Emília viu as suas três casas a serem arrastadas pela correnteza das águas, por isso pede ajuda para aquisição de material de construção para edificar uma nova casota.
Por sua vez, o coordenador adjunto do bairro, Domingos António, reconheceu o esforço que a administração comunal fez em ajudar a população a transportar os restantes bens para o novo bairro “nova esperança”, mas pediu às autoridades do Governo no sentido de ajudarem com alimentação, roupas e diverso material de construção, porque, segundo disse, “muita gente encontra-se ao relento e desprovida de meios de subsistência”.
Outra inquietação apresentada prende-se com a falta de água, pois os populares para a aquisição do precioso líquido têm que percorrer uma distância de dois quilómetros e lamentou a situação dos 12 idosos que têm dificuldades em locomover-se para procurar sustento.
A comuna do Kicombo possui cerca de 19 mil habitantes, distribuídos por 12 bairros, que se dedicam fundamentalmente à agricultura e à pesca.

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