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Vem aí fartura de água potável em Saurimo

Flávia Massua |Saurimo

A conclusão da instalação de condutas de água na cidade de Saurimo e nos bairros periféricos vai suprir o défice no abastecimento durante o segundo semestre deste ano.

Os candongueiros preferem vender nas obras de construção civil
Fotografia: Flávia Massua|Saurimo

A conclusão da instalação de condutas de água na cidade de Saurimo e nos bairros periféricos vai suprir o défice no abastecimento durante o segundo semestre deste ano. O abastecimento é feito a partir da nova estação de captação no rio Chicapa.
 O empenho dos responsáveis do sector da água para que sejam cumpridos os prazos obriga o empreiteiro a trabalhar em grande velocidade. A cidade de Saurimo e arredores vão ter em breve fartura de água e vão terminar as dificuldades no trânsito, provocadas pelas valas onde estão a ser instaladas as condutas.
Saurimo tem cortes no abastecimento de água potável desde que começou o cacimbo. Por isso há grandes enchentes no ponto de abastecimento público, instalado junto à estação de captação do rio Luavur, nos arredores da cidade.
A população vai buscar água ao rio desde a madrugada e só termina às primeiras horas da noite. Para encher os recipientes é uma luta e às vezes há insultos e agressões. No fim é preciso fazer uma subida de 300 metros para transportar a água à mão, até à estrada principal onde ficam os carros.  

A luta pela água

Teresa Olívia 23 anos, bacia à cabeça com 20 litros de água, faz um grande esforço para transpor a subida até à estrada. No rio Luavur só existe um ponto de abastecimento: “faço cinco a seis viagens por dia para garantir água para as necessidades domésticas”.
As pessoas vão buscar água ao rio porque os camiões cisterna estão a cobrar 500 kwanzas por 200 litros de água, quando no início do cacimbo o preço era apenas de 200 kwanzas. “Os fornecedores de água dizem que subiram os preços porque os agentes de trânsito estão a passar multas aos camionistas”, disse Teresa Olívia.
Mulheres e adolescentes realizam o mesmo trabalho devido à escassez de água.
Os candongueiros preferem vender nas obras de construção civil, porque esses clientes pagam melhor que os consumidores domésticos, que não têm poder de compra.
Iculo Upale Muaco aguardava paciente a sua vez para abastecer a cisterna de cinco mil litros do seu camião, sem matrícula. Com a venda de água ele sustenta a família. Afirma que o negócio é rentável quando os clientes são proprietários de obras.
Reconhece que o mau estado das viaturas envolvidas no processo de distribuição de água favorece a aplicação de multas pela polícia, na sua missão de fiscalizar para garantir a ordem e a tranquilidade.
O comandante municipal de Saurimo da Polícia Nacional, António José Ribeiro, disse à nossa reportagem que os agentes têmque  actuar porque “há irregularidades gritantes nas viaturas que prestam serviço de venda de água ao domicílio”, na cidade de Saurimo e arredores.

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