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Água tratada é realidade nos municípios

Fernando Neto | Mbanza Congo

O Programa “Água para todos” chegou ao Zaire em 2010. A acção aprovada pelo Executivo angolano para toda extensão do território nacional permitiu que 174 mil e 514 habitantes da província do Zaire vissem melhorado o acesso e o consumo de água com a qualidade requerida.

Governador Pedro Sebastião inaugura um chafariz para gáudio da população que assim já tem água potável próximo de casa
Fotografia: Adolfo Dumbo

O Programa “Água para todos” chegou ao Zaire em 2010. A acção aprovada pelo Executivo angolano para toda extensão do território nacional permitiu que 174 mil e 514 habitantes da província do Zaire vissem melhorado o acesso e o consumo de água com a qualidade requerida.
De Janeiro a Maio do ano passado, o Programa “Água para todos” construiu um total de 18 estações de captação de água em cinco municípios da província, entre eles Mbanza Congo, Nzeto, Soyo, Tomboco e Nóqui, exceptuando o município do Kuimba, onde as autoridades do programa conceberam um projecto de escavação de um furo artesiano de água acoplado a dois chafarizes na localidade do Sambo, para cinco mil pessoas.
Segundo o director provincial da Energia e Águas do Zaire, José Amaro Silva, o município do Soyo lidera a lista de projectos de água na província, com nove trabalhos realizados de construção de estações de água, ao passo que o município do Tomboco beneficiou de seis novas estações. Os restantes quatro municípios, nomeadamente Mbanza Congo, Nzeto, Kuimba e Nóqui, beneficiaram de uma estação de água cada.
Neste momento, segundo José Amaro Silva, estão em curso 25 outros projectos de construção de novas estações de captação e distribuição de água potável em toda província. Nove destes projectos estão em curso em comunas do município do Tomboco, cinco no Nóqui, igual número em Mbanza Congo, quatro no Kuimba e duas no Nzeto.
O projecto “Água para todos”, segundo o director da Energia e Água, para além de contar com o Executivo Central como principal financiador das acções, tem também a comparticipação financeira das empresas petrolíferas e Ong`s. Na fase conclusiva a acção vai permitir que, antes do final do ano, mais 105.697 pessoas tenham acesso à água potável na região.
“As novas estações de captação e tratamento de água instaladas nestas localidades têm uma capacidade para abastecer 20 metros cúbicos por hora, o que significa dizer que podem dar água a mais de quatro mil pessoas”, disse.
José Amaro Silva, também engenheiro do ramo, esclareceu que por norma, cada pessoa deve ter acesso a 50 litros de água por dia, de acordo com estudos de peritos da matéria ligados à UNICEF.
“Se o equipamento da água trabalhar durante oito horas multiplicado por 20 mil litros, dá um total de 160 mil litros de água produzidos por dia, dividido por 40 litros de água, resulta no abastecimento de água a mais de quatro mil habitantes dia”, disse.
Indagado sobre o estado obsoleto dos antigos sistemas de água, a fonte garantiu que os municípios de Mbanza Congo, Soyo e Nzeto também estão seleccionados para que as suas centrais de captação, tratamento e distribuição de água (ETA) sejam reestruturadas, no quadro da execução do Programa de Infra-Estruturas Integradas já em execução nas referidas localidades.
“Ainda há muito trabalho para frente no sector da água. Uma análise aos projectos concluídos, permite-nos depreender que estamos a cumprir com o programa traçado”, disse José Silva, que pediu paciência aos cidadãos residentes em zonas aonde o projecto ainda não chegou, pelo facto da acção ter sido concebida por fases, o que requer tempo.
O responsável recordou que, ao longo dos últimos quatro anos, foi duplicada a capacidade da Estação de Tratamento de Água de Mbanza Congo para 60 metros cúbicos/hora, contra os anteriores 30 metros cúbicos, de longe insuficiente para atender as necessidades das populações.
“Antes tínhamos uma capacidade instalada de 30 metros cúbicos/­hora, hoje em Mbanza Congo temos 60 metros cúbicos”, frisou José Silva que, ainda assim, considerou a quantidade insuficiente para satisfazer as necessidades dos cidadãos.

Requalificação

O abastecimento de água potável à cidade de Mbanza Congo precisa de reforço de fontes alternativas, apesar do actual quadro desenhar um futuro promissor. A esperança de dias melhores é justificada com o surgimento de novos chafarizes e fontanários nos locais mais recônditos da cidade.
O director provincial da Energia e Águas garantiu soluções para reduzir substancialmente as dificuldades por que passam as comunidades.
Segundo o responsável a nascente de água conhecida por “Santa”, fonte construída no tempo colonial, vai ser também requalificada para reforçar a capacidade de abastecimento de água à cidade e arredores. “Todos os dias assiste-se a um calcorrear de munícipes com bacias de roupa à cabeça e bidões nas mãos, em direcção a “Santa”, que jorra água ininterruptamente”, frisou.
Para ele, a água proveniente da nascente reúne condições normais para consumo pela pureza e qualidade que apresenta sem riscos para a saúde.
À beira da “Santa” foi construída um reservatório que data da era colonial, para armazenar água que era bombeada para a cidade. Hoje o local está em ruínas e rodeado de árvores de eucaliptos e outras espécies que, apesar de tudo, o tornam num sítio acolhedor.

Beleza da “Santa”

Impressionante é a forma como as crianças, jovens e senhoras frequentam a nascente para lavar roupa e acarretar água. Bem aproveitada, a nascente Santa pode evoluir para um sítio turístico. As pessoas criam um ambiente bonito de se ver. A forma como esfregam a roupa em tábuas rudimentares, apoiadas nos joelhos para alguns e colocadas em bacias para outros, completa o cenário de diversão que atrai jovens e adultos ao local.
Entre sorrisos, Neusa da Conceição, aluna de 14 anos, disse que o projecto de requalificação chega em boa hora, tendo em conta o estado de degradação em que se encontra a infra-estrutura da nascente. Frequentadora assídua do sítio desde pequena, a adolescente acorre ao local para lavar roupa e acarretar água.
Para António Esperança, 20 anos, que recorre à nascente também para lavar roupa dada a escassez de água na sua rua, o projecto de requalificação do aparato de aprovisionamento de água ali presente é bem-vindo, para pôr cobro a aglomeração de pessoas e permitir a canalização de água ao domicílio.
O director do Gabinete de Estudos e Planeamento do Zaire, Humberto Félix, avançou que para este ano, a província vai investir 200 milhões de kwanzas nos projectos consignados no programa “Água para Todos”. Humberto Félix afirmou serem ainda poucos os investimentos realizados até ao momento no sector das águas na província, mas que as melhorias alcançadas no abastecimento à população já são evidentes.

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