Províncias

Ano lectivo em risco no Instituto de Administração

Fernando Neto | Mbanza Congo

Os 540 alunos inscritos no Instituto Médio de Administração e Gestão de Mbanza Congo, província do Zaire, correm o risco de perder o ano lectivo por falta de professores com vínculo de efectividade.

A província do Zaire precisa de mais de mil novos professores para o presente ano
Fotografia: Adolfo Dumbo

Os 540 alunos inscritos no Instituto Médio de Administração e Gestão de Mbanza Congo, província do Zaire, correm o risco de perder o ano lectivo por falta de professores com vínculo de efectividade. No ano passado, a unidade escolar funcionou com um total de 40 professores, todos colaboradores, que não sabem se vão continuar a leccionar, por até ao momento não terem recebido os salários correspondentes aos seis meses de trabalho prestados.
O pagamento dos salários dos professores está a ser resolvido pela Direcção Provincial da Educação junto do governo da província, que já deu garantias de solucionar o problema, segundo afirma o director do Instituto Médio de Administração e Gestão de Mbanza Congo, Alfredo José Adelino. Para debelar a questão, a direcção do Instituto aguarda pelos professores que se candidataram através do concurso público, realizado no passado dia 20 de Fevereiro. 
Tukuka Mpitawo, professor de Física, é um dos que colaborou, no ano transacto, no Instituto Médio de Administração e Gestão, localizado no bairro Mfumo, a seis quilómetros da cidade de Mbanza Congo.  Ouvido pela reportagem do Jornal de Angola, foi peremptório em afirmar que só volta a dar aulas no Instituto se lhe forem pagos os ordenados correspondentes aos seis meses de trabalho que prestou. “Assinámos um contrato, no qual constava o pagamento de um ordenado mensal. No final dos três primeiros meses não recebemos nada. Reunimos, então, com a direcção da escola, que nos informou que o assunto estava a ser resolvido pelas instâncias superiores da província. O problema transitou para o ano lectivo de 2010 e continuamos a receber promessas”, desabafou.
De acordo com a norma geral, um colaborador deve auferir um salário correspondente a 50 por cento do valor recebido pelo funcionário efectivo.
Questionado sobre a possibilidade de voltar a leccionar no Instituto, Panzo Nsungo Daniel, que no ano lectivo passado deu aulas de Formação de Atitudes Integradoras, referiu: “aceitarei, porque tenho a certeza de que vão pagar o dinheiro que nos devem. Não podemos abandonar a formação dos jovens enquanto não existirem professores efectivos na Instituição”. E acrescentou, em jeito de slogan, “sacrifícios sim, mas pelo menos o mínimo para a sobrevivência”.

A visão da direcção do Instituto
 
O director do Instituto, Alfredo José Adelino, disse estar consciente das dificuldades que o concurso público para admissão de novos professores pode provocar à sua instituição, uma vez que a publicação dos resultados deverá acontecer apenas nos meses de Junho e Julho. Por este motivo, pensa continuar a trabalhar com os professores colaboradores, para evitar que os alunos matriculados percam o ano lectivo. “O Instituto abriu as portas no dia 1 de Fevereiro. As aulas, neste momento, ainda não começaram por falta de professores. A instituição, no ano passado, funcionou com professores colaboradores e neste momento estamos a trabalhar no sentido de termos professores efectivos”, esclareceu.  
Alfredo Adelino adiantou que todos os aspectos organizativos estão concluídos, designadamente a afixação das listas de 12 turmas com 36 alunos cada, oito das quais transitaram do ano anterior. No entanto, mesmo com a realização do concurso público, esperam-se dificuldades para cobrir as 49 vagas existentes, uma vez que concorreram poucos técnicos superiores.
O director do Instituto revelou que o seu pelouro solicitou a alguns técnicos superiores residentes noutras províncias do país para trabalharem na região, mas não teve sucesso. Os contactados alegaram como razão da recusa a falta de habitações condignas na cidade de MbanzaCongo. Alfredo Adeli no garantiu, contudo, que estão a ser desenvolvidos esforços no sentido de arrancar o ano lectivo em tempo útil. “Vamos aproveitar aqueles professores que têm menos carga horária nas escolas onde são efectivos e outros que não foram absorvidos mas que estejam disponíveis para darem aulas no Mfumo”, referiu.

 Meios de transporte

A inexistência de meios de transporte destinados aos alunos matriculados  é outra grande preocupação da direcção do Instituo. Por causa da longa distância que têm de percorrer a pé – cerca de seis quilómetros – mais de 70 alunos desistiram a meio do ano lectivo transacto. Nem mesmo o próprio director do Instituto dispõe de viatura. As suas deslocações para o local de serviço têm sido possíveis graças à boa vontade de alguns amigos seus.
“Esperamos que o Governo, dentro das suas possibilidades, possa resolver o problema. Existem algumas soluções possíveis, que passam pela subvenção, por parte do governo local, de metade dos custos de transporte dos alunos ou ainda a criação de linhas específicas para a área do Instituto, com subvenção do combustível para os autocarros que ali operarem”, referiu o director.
Apesar das dificuldades, explicou que o Instituto matriculou, este ano lectivo, 540 alunos, incluindo os  que estão na lista de espera devido à insuficiência de salas. No entanto, Alfredo Adelino tranquilizou os alunos inscritos e que estão cépticos quanto ao início das aulas. “Devem ficar descansados, porque o problema da falta de professores vai ser ultrapassado brevemente”, garantiu.

Tempo

Multimédia