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Ausência de redes comunitárias deixa criança vulnerável a abusos

Jaquelino Figueiredo | Soyo

Crianças, a nível do município do Soyo, província do Zaire, têm sido vítimas de abusos de vária índole, por parte de adultos e da sociedade em geral, em consequência da ausência de redes comunitárias.

Crianças, a nível do município do Soyo, província do Zaire, têm sido vítimas de abusos de vária índole, por parte de adultos e da sociedade em geral, em consequência da ausência de redes comunitárias.
A revelação foi feita recentemente pelo chefe do serviço provincial do Instituto Nacional da Criança (INAC), Manuel António.
A fonte falava à margem de um fórum que abordou a “Situação geral da criança no município do Soyo” e a “Migração das crianças não acompanhadas entre as Repúblicas de Angola e do Congo Democrático”, realizado na cidade do Soyo.
O fórum, de dois dias, visou congregar os membros da sociedade que intervêm na protecção de menores, para, em conjunto, traçarem estratégias de combate aos males infligidos à criança na província.
O município do Soyo, segundo a fonte, constitui a maior preocupação do INAC na província, pela sua especificidade geográfica e pelo facto de não haver redes comunitárias que possam velar pela criança. É urgente que se combatam alguns males entre os quais abusos sexuais a menores, prostituição infantil e violência doméstica, referiu Manuel António.
Um outro mal social que também afecta a criança na região tem a ver com a feitiçaria, de que é vítima, cujos protagonistas, em muitos casos são os próprios pais e familiares directos.
“A falta de redes comunitárias de protecção ou de instituições básicas que possam velar pela integridade física e psico-emocional da criança cria um fosso nesta matéria e constitui uma preocupação para o INAC”, reforçou.
Segundo o chefe provincial do INAC, das pesquisas efectuadas encontram-se na província crianças abandonadas, acusadas de feiticeiras, abusadas sexualmente, usadas por alguns adultos como mão-de-obra barata, violentadas pelos próprios pais e parentes.
 “Existem ainda crianças que frequentam casas nocturnas, vendendo o seu corpo para satisfazerem    as suas necessidades primárias”, acrescentou.
Manuel António aponta a perda de valores sociais e o desconhecimento das leis por parte dos pais e encarregados de estarem na base de comportamentos desajustados dos membros da sociedade.
O combate de todos os abusos de que os menores são vítimas, segundo fez saber a fonte, passa pela criação de redes comunitárias de protecção à criança, das quais devem fazer parte familiares, sobas, regedores, entidades eclesiásticas, professores, enfermeiros e outras pessoas influentes da comunidade.
De acordo com a fonte, a rede municipal de protecção à criança, criada no Soyo, em 2010, encontra-se inactiva, por carecer da comparticipação dos membros da comunidade.
Segundo o director do INAC no Zaire, as redes comunitárias vão encarregar-se de fornecer informações à rede municipal, por ser um espaço de aconselhamento, de acompanhamento e de denúncia de casos que acontecem a nível da comunidade.

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