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Autoridades declaram combate cerrado à malária

Fernando Neto |Mbanza Congo

As autoridades sanitárias da província do Zaire garantem, para este ano, um combate cerrado à malária. O objectivo é reduzir a taxa de mortalidade causada pela doença, cujos índices de propagação crescem assustadoramente na região.

Mais um grupo de enfermeiros termina a formação
Fotografia: Fernando Neto

As autoridades sanitárias da província do Zaire garantem, para este ano, um combate cerrado à malária. O objectivo é reduzir a taxa de mortalidade causada pela doença, cujos índices de propagação crescem assustadoramente na região.
O director provincial do Zaire da Saúde  disse ao Jornal de Angola que em 2008 e 2009, de 135.563 casos de malária, a doença provocou a morte a 670 pessoas, de várias faixas etárias. As principais vítimas da malárias são crianças até aos cinco anos e mulheres grávidas. Os programas de combate à malária prevêem a distribuição de mosquiteiros impregnados com insecticida às mães e crianças,.
João Miguel Paulo “Geovety” afirmou que a malária é a principal patologia causadora de mortes na província.
Para a alteração do quadro actual, a Direcção Provincial da Saúde, no âmbito do programa nacional de combate à doença, está a realizar acções de prevenção, que vão desde a eliminação de focos de reprodução das larvas dos mosquitos até à desinfestação de casas.Os visitadores sanitários usam um produto inofensivo para os seres humanos mas que no exteriores das casas extermina todas as larvas dos mosquitos que provoxcam o paludismo (anofelix).
“O programa contempla outras actividades de carácter profiláctico, que passam por medidas de saneamento ambiental, como a eliminação de lixo e capim em quintais e ruas e a obrigatoriedade de lavar as mãos antes e depois da preparação dos alimentos para consumo”, disseJoão Miguel Paulo “Geovety”.
A necessidade de evitar a acumulação de pneus estragados, garrafas e latas vazias, por serem os locais preferenciais para a reprodução dos mosquitos, faz parte, também, dos conteúdos dos panfletos distribuídos e dos temas das palestras nas comunidades. O saneamento do meio deve incidir na recolha e tratamento de lixos domésticos e na distribuição às populações de água potável.
João “Geovety” declarou que uma equipa de especialistas cubanos tem prestado assistência na concretização do projecto de luta anti vectorial.
A equipa, disse, utiliza, no processo de desinfestação, produtos biológicos como o Ariselest, mortífero para mosquitos e ratos.
Além das casas particulares, são alvo de desinfestação hospitais, escolas e ruas.
Os panfletos, fartamente distribuídos, explicam que os mosquitos actuam com maior eficácia às cinco da manhã e das 18h00 às 20h00. Os insectos costumam atacar o homem na transição do fim da tarde para a noite, período em que se dá uma diminuição da temperatura ,o que favorece a actividade dos mosquitos. O mesmo fenómeno  acontece ao amanhecer.

Novo programa

O director provincial da Saúde revelou que, este ano vai ser executado um outro programa de tratamento da malária, através da prospecção activa, que consiste “em ir ao encontro dos doentes, ao contrário do que acontece actualmente, em que os médicos apenas sabem dos pacientes quando estes entram nos hospitais”.

Mais investimentos no sector

O Governo perspectiva a construção, ainda este ano, de um hospital de nível provincial, um centro de armazenamento de sangue e uma cadeia de frio destinada à conservação de vacinas e outros fármacos.
João “Geovety” afirmou que a proliferação de doenças em Mbanza Congo está intimamente relacionada com o deficiente saneamento básico da cidade, onde uma franja da população ainda consome água dos rios e das cacimbas e defeca ao ar livre.
É essencial criar uma rede de esgotos domésticos com a respeciva estação de tratamento (ETAR) e paralelamente uma rede de esgotos das águas das chuvas (pluviais).
“As águas da chuva correm para as cacimbas e rios, carregando consigo microrganismos nocivos à saúde humana”, referiu, sublinhando que é urgente a necessidade da participação da comunidade nas acções de saneamento básico, “porque não é apenas o sector da saúde que tem de se preocupar com o assunto”, lembrou, acrescentando: “nós conhecemos e transmitimos as medidas preventivas que devem ser acatadas e colocadas em prática para o bem de todos”

Rede sanitária do Zaire

A rede sanitária da província do Zaire dispõe de 89 unidades hospitalares, entre postos e centros médicos distribuídos pelos seis municípios: Mbanza Congo, Soyo, Nzeto, Tomboco, Kuimba e Nóqui.
A rede tem no topo da pirâmide o Hospital Provincial,  em Mbanza Congo, para onde são transferidos os casos mais complicados.
O hospital do Soyo, disse, é o único que não transfere doentes para Mbanza  Congo por ter um considerável número de médicos, capazes de tratar localmente alguns casos complicados. Também pela sua posição geográfica, é mais viável a transferência de doentes para Cabinda e Luanda.
O mau estado das estradas na província torna mais fácil a evacuação de doentes de avião.
Ao todo, 56 médicos, dos quais nove angolanos, e 680 enfermeiros asseguram o funcionamento das unidades sanitárias estatais em toda a província.
Este quadro é manifestamente insufuciente e a província precisa de mais médicos especialistas e pessoal de enfermagem.
João Geovety referiu que mais de 80 por cento dos enfermeiros possuem apenas formação básica, adquirida na escola técnica de enfermagem de Mbanza Congo.
Isto, salientouJoão “Geovety”, dificulta a sua ascensão às categorias superiores e tem implicações nas baixas remunerações, o que leva os técnicos a ingressarem no Ministério do Interior, onde têm melhores condições salariais. 
“Temos poucos técnicos médios e superiores na classe de enfermagem. Existe um cúmulo de técnicos básicos com largos anos de experiência. Esses quadros devem transitar para outras categorias. Mas a transição tem de ser a partir da sua formação”, disse o director provincial, para quem é imperiosa a criação de condições que permitam a superação contínua dos técnicos.
A formação profissional do pessoal do Ministério da Saúde é um imperativo, sobretudo nas províncias, onde se regista uma notória falta de pessoal especializado.
A Direcção Provincial de Saúde tem desenvolvido esforços junto do ministério para que seja instalada na região de uma escola de saúde de nível médio.

O problema da tuberculose
 
A par da malária, a tuberculose, de fácil contágio pelo facto de ser transmitida por bacilos que existem no ar, constitui um problema de saúde pública no Zaire.
O supervisor provincial do Programa de Controlo da Tuberculose, António Saldanha Casimiro, revelou que, no ano passado, 1.339 novos casos de infecções foram assistidos no Hospital Sanatório de Mbanza Congo.
O problema da tuberculose tem duas faces distintas. Os doentes diagnosticados começam o tratamento e depois abandonam-no antes da sua conclusão, o que torna o bacilo resistente aos medicamentos e ainda mais perigosa a doença em novos pacientes.
A outra face é que a tuberculose está associada à sida, sendo considerada uma “doença oportunista” da infecção por HIV.
“O governo da província está preocupado com o número de novos casos que dão entrada, todos os dias, nos sanatórios da região”, disse, esclarecendo que os municípios do Soyo (409) e de Mbanza Congo (338) registaram o maior número de doentes. 
António Saldanha Casimiro disse que a direcção provincial tem traçadas estratégias que visam estender os serviços de saúde pública às áreas mais recônditas dos municípios, com o propósito de transmitir à população os métodos de prevenção, que passam pela higiene, no sentido de evitar que a doença se propague mais no seio das famílias.
As estruturas de Mbanza Congo, que assistem doentes com tuberculose, estão a beneficiar de obras de restauro e ampliação, que devem estar concluídas ainda este ano. “Há muito que os técnicos de laboratório afectos ao sector trabalham em instalações provisórias, pertencentes ao Instituto de Combate à Tripanossomíase”, disse, adiantando:
“O laboratório do Sanatório precisa de materiais essenciais como balanças para medição de reagentes em pó, fussina básica para colectar o bacilo, máscaras específicas, álcool e lâminas”.

Posto de saúde do Ieba
 
O posto de saúde da  Igreja Evangélica Baptista de Angola (IEBA), no bairro Álvaro Buta, arredores da cidade de Mbanza Congo, tem-se salientado positivamente na prestação de serviços médicos à população local.  
Reabilitado e inaugurado há oito meses pelo governador provincial do Zaire, Pedro Sebastião, o posto de saúde assistiu 10.525 pacientes, quatro mil dos quais com paludismo. O responsável do posto de saúde, António Kwanzambi Kuku, sobre as medidas que devem ser observadas pela população para a redução dos índices de contaminação por doenças passíveis de prevenção, referiu que “o segredo reside no cumprimento rigoroso das normas de higiene pessoal e do meio ambiente”.  
“Estamos num período em que chove muito. O capim e o lixo, que se acumulam nas ruas e nos quintais, servem de ninho para a reprodução dos agentes transmissores do paludismo”, disse, advertindo que a população deve ganhar consciência do perigo que isso representa para a sua saúde.  Técnico de saúde experimentado na área de análises clínicas, António Kuku advogou a necessidade de se continuar a educação da população para a eliminação de hábitos de auto medicação e tratamento caseiro ou tradicional, com recurso aos curandeiros.  As doenças devem ser sempre tratadas em meio hospitalar ou nos centros e postos de saúde.

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