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Casos de cólera preocupam autoridades sanitárias

Jaquelino Figueiredo | Soyo

Um total de 28 pessoas, entre crianças e adultos, do município do Soyo, na província do Zaire, foram afectadas por um surto de cólera e deste número quatro resultaram em  morte, disse ontem, ao Jornal de Angola, Raul Maria Casimiro,  supervisor do Centro de Tratamento de Doentes de Cólera.

População da região é aconselhada a procurar as unidades sanitárias mais próximas logo após os primeiros sintomas da doença
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

Raúl Maria Casimiro confirmou a existência da doença, após as amostras colhidas e enviadas para Luanda terem dado positivo.
O enfermeiro explicou que após o surgimento dos primeiros casos suspeitos, em 11 de Dezembro de 2016, com origem na Ilha da Ponta do Padrão, as autoridades sanitárias enviaram amostras ao laboratório epidemiológico de Luanda que, por sua vez,  confirmou a presença de cólera no município do Soyo. “As autoridades administrativas estão a par da situação e tudo fazem para a combater.”
Até ao momento, acrescentou, foram confirmadas 28 pessoas afectadas com a doença, das quais 16 obtiveram alta e sete continuam internadas no centro de tratamento, onde recebem assistência sanitária e medicamentosa.
Dos sete pacientes  internados no centro de tratamento no bairro Pângala, quatro   vieram das ilhas e outros três de  bairros da cidade do Soyo, nomeadamente  Kikudo, Nkungue Yenguele e Mongo-Soyo, todos com um caso cada. “Desde o dia 11 de Dezembro do 2016, o centro de tratamento de cólera não registou  óbitos internos. Os únicos quatro notificados até agora são extra-hospitalares e devem-se à  chegada tardia dos pacientes à unidade sanitária. Não foram a tempo de serem  assistidos pelos técnicos de saúde”, frisou.
Raúl Maria Casimiro garantiu haver medicamentos suficientes que permitem dar resposta a enfermidade.
Além disso, acrescentou,  existem na unidade sanitária equipamentos de protecção individual, como batas, luvas, botas, máscaras e outros de uso obrigatório.  Raúl Maria Casimiro reconheceu que a Ilha da Ponta do Padrão é a região com maior foco da cólera, e referiu que foi neste local onde se deram os primeiros casos da doença no município do Soyo. “Nesta circunscrição não existem condições sanitárias e de habitabilidade e muito menos água potável.”

Primeiros sinais


Os primeiros sinais do surto foram diagnosticados nas ilhas próximas, como a da Ponta do Padrão, Mbunbu, Kibolo, Ntuanfuma, tendo posteriormente  alastrado para a cidade do Soyo.
Para evitar a propagação da doença, as autoridades sanitárias realizam uma campanha de sensibilização sobre as medidas higiénicas durante existência da epidemia de cólera.
A população foi aconselhada  a lavar as mãos com frequência, evitar fazer necessidades ao relento, ferver a água ou tratá-la com lixívia,  proteger os alimentos, com destaque para os frutos, bem como a procurar as unidades sanitárias da região, logo após os primeiros sintomas da doença.
Raúl Maria Casimiro informou que as autoridades sanitárias criaram no bairro Pângala, a cerca de 15 quilómetros  da cidade do Soyo, um centro de tratamento, onde foram montadas quatro tendas, sendo duas equipadas com quatro camas cada para acolher os pacientes de cólera.

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