Províncias

Casos de gravidez precoce sobem no Zaire

Fernando Neto | Mbanza Congo

Os serviços de Saúde da província do Zaire, com perto de 90 casos notificados, este ano, em menores de 15 anos, continuam a registar um aumento considerável de gestantes adolescentes, avançou ontem, em Mbanza Congo, Nieves Bueno, especialista cubana em atenção integrada às crianças.

Autoridades sanitárias continuam a passar a mensagem aos jovens e adolescentes sobre as consequências negativas da gravidez precoce
Fotografia: Garcia MAyatoko

A especialista referiu que, em 2015, o sector da Saúde constatou 70 casos de adolescentes grávidas, com menos de 15 anos, o que representa uma subida de ocorrências notificadas. A situação toma proporções preocupantes não só na província, como noutras partes do mundo. Anualmente, são realizados 16 milhões de nascimentos em mães adolescentes, com idades entre 10 e 19 anos. Além de avançar que a idade apropriada para a gravidez estar cifrada entre os 20 e 35 anos, Nieves Bueno, que está ao serviço da Direcção Provincial da Saúde, disse que a gravidez na adolescência é considerada de risco.
Entre as consequências da gravidez precoce, destacou a anemia, baixo peso do bebé ao nascer, pressão alta durante a gestação, sistema emocional descontrolado e dificuldade no trabalho de parto. Nestes casos, os serviços hospitalares fazem recurso a cesarianas.
Além das consequências para a saúde, salientou ainda que a gravidez precoce gera muito conflitos familiares, pela insegurança financeira e dificuldades em educar a criança. Assim, defende que os adolescentes necessitam de cuidado, atenção e apoio dos pais.
A especialista cubana falava para centenas de alunos da Escola de Gestão de Mbanza Congo, numa palestra sobre “Gravidez Precoce”, promovida pelo Instituto Nacional da Criança (INAC). No encontro, os adolescentes foram sensibilizados a privilegiarem a formação académica e profissional, no sentido de prevenir situações adversas inerentes ao seu desenvolvimento psico-social.
Nieves Bueno aconselhou os adolescentes para o uso de métodos de prevenção contra a gravidez e doenças venéreas, para que o ciclo de formação não seja interrompido. “Se realmente não for possível ficar com o bebé, pode remetê-lo para a adopção, por ser opção mais sensata ao invés do aborto, que constitui ser prática ilegal”, disse.
A directora provincial do INAC, no Zaire, Paula Coutinho, afirmou que a iniciativa decorre do elevado número de adolescentes atendidos periodicamente nas consultas pré-natais nos hospitais da região.

Tempo

Multimédia