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Centros das igrejas assistem população

Kayila Silvina | Mbanza Congo

Os serviços prestados nos centros de saúde das igrejas Evangélica e Católica nas zonas periféricas da cidade de Mbanza Congo, capital da província do Zaire, têm o reconhecimento das populações locais.

As unidades sanitárias são tidas como de extrema importância na prestação dos primeiros socorros às populações
Fotografia: Adlfo Dumbo |Mbanza Congo

Os serviços prestados nos centros de saúde das igrejas Evangélica e Católica nas zonas periféricas da cidade de Mbanza Congo, capital da província do Zaire, têm o reconhecimento das populações locais. Afirmam que estas unidades sanitárias têm jogado um papel importante na prestação dos primeiros socorros às populações residentes nas áreas periféricas e nas mais distantes da capital provincial.
Um desses centros, localizado no bairro Álvaro Buta, é da Igreja Evangélica Baptista de Angola (IEBA). Inaugurado a 8 de Março de 2009, pelo governador do Zaire, Pedro Sebastião, o posto de saúde está apetrechado com equipamentos modernos adquiridos pelo Governo Provincial.
O médico responsável clínico do centro, António Kuanzambi Nkuku, disse à nossa reportagem que a maior parte dos doentes que ali são assistidos padece de malária, febre tifóide, diarreias agudas, complicações respiratórias e cegueira.
A unidade sanitária funciona com 15 enfermeiros de nível médio e básico, assegurando a assistência médica nas especialidades de medicina geral, pediatria e oftalmologia. António Nkuku considerou que faltam enfermeiros para responder à propcura.
A instituição assistiu, de Janeiro a Maio, 2.563 doentes, dos quais 1.505 padeciam de malária. Outros 1.058 pacientes foram diagnosticados com febre tifóide. António Nkuku repudiou as práticas de auto medicação a que algumas pessoas recorrem e que têm provocado complicações em muitos doentes dificultando o trabalho do corpo clínico.
“Para a prevenção da malária ou da febre tifóide, devemos realizar campanhas de sensibilização junto das famílias para promover a higiene do meio, evitando águas paradas e acumulação de lixo nos quintais”, sublinhou António Nkuku, exortando os fiéis da sua igreja e a população em geral para que quando estiverem doentes se dirijam ao posto de saúde mais próximo do seu local de residência para evitarem a evolução das suas doenças.
O médico do centro de saúde da Igreja Evangélica Baptista de Angola explicou que a instituição trata apenas casos de menor gravidade e os que inspiram maiores cuidados médicos são transferidos para os hospitais.
“Esta é uma instituição de saúde da igreja e o seu objectivo consiste em ajudar o nosso governo nas doenças menos graves”, referiu. António Nkuku agradeceu os esforços desenvolvidos pelo Governo Provincial na reabilitação e apetrechamento do centro de saúde.   
 
Operação às cataratas
 
Ao todo 15 pessoas com problemas de cataratas foram tratadas no centro de saúde da Igreja Evangélica Baptista de Angola, disse à nossa equipa de reportagem o oftalmologista daquela instituição de saúde, José Afonso Morais.
O médico explicou que as cataratas ocorrem na maior parte dos casos em pessoas com idade avançada, as chamadas cataratas senis. Existem casos, acrescentou, em que apenas um dos olhos ganha a coloração branca (catarata cristalina) e o doente vai gradualmente perdendo a visão até à cegueira total.
A principal causa da cegueira tem a ver com uma doença chamada glaucoma, que quando acontece é irreversível, disse José Morais, que acrescentou: “a nossa missão não consiste apenas tratar pessoas com problemas de cegueira, mas também transmitir experiências das várias formas de prevenção”.
O oftalmologista explicou ainda que “a prevenção da cegueira não difere de qualquer outra doença, a pessoa deve ter uma boa alimentação e equilibrada, uma vida organizada e fazer consultas médicas periódicas”.
José Morais informou que a adesão das populações ao centro de saúde é positiva, fruto das campanhas de sensibilização levadas a cabo pelos fiéis da igreja na região.
“Este é um projecto da Igreja Evangélica Baptista de Angola e não se cinge apenas a Mbanza Congo, está a ser também desenvolvido noutras zonas do país, como Benguela e Luanda. A igreja já formou vários técnicos em oftalmologia para prestar assistência aos doentes”, referiu, sublinhando ser importante que as pessoas que têm dificuldades de visão procurem os serviços do centro, para serem tratadas.
A secção de oftalmologia do centro de saúde da Igreja Evangélica Baptista de Angola tem um corpo clínico constituído por três especialistas, sendo dois angolanos e um brasileiro.
 
Centro católico

 
Guaya é a denominação de um centro de saúde pertencente à Igreja Católica, que também tem registado enchentes de pessoas que procuram os serviços da medicina moderna, para debelar os seus problemas de saúde. De Janeiro a Maio deste ano, deram entrada na unidade sanitária 608 doentes, com malária, febre tifóide e doenças respiratórias agudas. São assistidos entre 10 a 17 doentes por dia.
André Rafael Nvindu, responsável do centro, explicou que trabalham no local 15 enfermeiros, distribuídos pelo consultório, laboratório de análises clínicas, pediatria e medicina geral.
O centro recebe diariamente vários doentes que sofrem de hipertensão arterial, diarreias agudas e malária, alguns dos quais com as doenças já num estágio avançado em que a cura é mais problemática.
O Guaya beneficiou este ano de obras de restauro, aguardando equipamentos modernos que vão dotar o centro de saúde com condições à altura das exigências actuais.
 
Serviços elogiados

 
Manuel Paulino, 27 anos, foi à consulta no Guaya, Depois de assistido pelo enfermeiro de serviço, disse à reportagem do “JA” que os centros das igrejas têm desempenhado um importante papel na assistência médica e medicamentosa às populações locais e são os principais auxiliares dos hospitais municipal e provincial em Mbanza Congo.
“Cada vez que fico doente vou ao Guaya, frequento este centro há muitos anos e o atendimento é rápido, se comparado com o do hospital municipal e do hospital provincial, onde as consultas médicas são morosas”, disse.
Ana Domingas disse à nossa equipa de reportagem que tem a criança internada no centro de saúde Guaya. A menina, de um ano, está com diarreia, mas Ana Domingas explicou que o seu estado de saúde evolui satisfatoriamente, fruto da competência dos técnicos de saúde que ali trabalham, alguns dos quais angolanos expulsos este ano da República Democrática do Congo.

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