Províncias

Centros formam mão-de-obra qualificada para as empresas

Víctor Mayala | Mbanza Congo

O Programa “Cidadania-Emprego - esta é a sua vez”, desenvolvido desde 2006 pelo Executivo angolano, através do Ministério de Administração Pública, Emprego e Segurança Social, permitiu, na província do Zaire, a formação técnico-profissional de 2.641 jovens, dos quais 225 são do sexo feminino.

Maria Nlandu Barros está no curso de electricidade e tornou-se numa aluna especial


O Programa “Cidadania-Emprego - esta é a sua vez”, desenvolvido desde 2006 pelo Executivo angolano, através do Ministério de Administração Pública, Emprego e Segurança Social, permitiu, na província do Zaire, a formação técnico-profissional de 2.641 jovens, dos quais 225 são do sexo feminino.
O responsável da secção de formação e reabilitação profissional do Instituto Nacional do Emprego e Formação Profissional no Zaire, Kiniangisa Kibantu, indicou ao nosso jornal que os referidos jovens foram formados nas especialidades de electricidade industrial e predial.
A formação estendeu-se às especialidades de frio, canalização, mecânica, alvenaria, carpintaria e decoração. Foram ainda ministrados cursos de pastelaria, corte e costura, hidráulica e soldadura.
“A província do Zaire nunca teve um centro de formação profissional. Foi a partir de 2006 que começaram aqui as primeiras acções formativas com a implementação do programa Cidadania-emprego, esta é a sua vez”, disse.
Ao radiografar a situação neste domínio, Kiniangisa Kibantu acrescentou que a nível da região existem quatro unidades de formação, entre as quais um centro integrado de emprego e formação profissional construído no município do Soyo, dois pavilhões de Artes e Ofícios, situados um no Nzeto e outro no Kuimba, e as unidades móveis de Mbanza Congo.
Este ano, avançou, foram inscritos nas unidades móveis de Mbanza Congo 1.010 jovens, sendo 286 do sexo feminino, que frequentam há cinco meses aulas em vários cursos técnicos ali leccionados.
O nosso interlocutor disse que os cursos mais procurados pelos jovens são os de electricidade, decoração, canalização e mecânica, ao passo que a alvenaria e carpintaria registam pouca adesão.
“Os jovens acham que estes dois cursos são para pessoas de baixo nível social”, notou, acrescentando que com o processo de reconstrução nacional em curso, o Zaire precisa de mão-de-obra qualificada e que actividades como alvenaria e carpintaria têm uma importância particular e fundamental.
As unidades formativas existentes no Zaire, continuou, são fontes fornecedoras de mão-de-obra qualificada para distintas empresas que operam na região, como é o caso da Empresa Nacional de Electricidade (ENE), onde estão empregados cerca de 15 jovens formados em electricidade nas unidades móveis de Artes e Ofícios de Mbanza Congo.
“Outros jovens formados aqui trabalham nas administrações municipais de Mbanza Congo, Soyo, Nzeto, Tomboco, Kuimba e Nóqui”, referiu.
A nossa equipa de reportagem constatou que muitas pessoas, entre jovens e adolescentes, acorrem às unidades móveis de Mbanza Congo localizadas no bairro Álvaro Buta, ávidas em aprender uma profissão que lhes facilite a inserção no mercado do emprego.
Glória Francisca, 25 anos, frequenta desde o dia dois de Junho o curso de decoração. Visivelmente satisfeita, a jovem revelou ser decoradora pelo facto da profissão ser um sonho que nutre desde a infância e que viu materializado, graças a mais uma acção do Executivo em prol da juventude. Lacónica, Glória Francisca disse que já consegue confeccionar várias peças de arte, entre as quais bases de mesa e vasos.
Ao contrário de Glória Francisca, Maria Nlandu Barros, 24 anos, inscreveu-se no curso de electricidade e é a única mulher da turma composta por mais de trinta formandos, o que faz dela uma aluna especial, como a consideram os colegas.
“Não existem actividades só para homens. Queremos acabar com este tabu. As mulheres também podem ser electricistas ou mecânicas, actividades que habitualmente eram apenas desenvolvidas pelos homens”, declarou.
Encontramos Maria Barros a simular uma instalação eléctrica de uma residência e as habilidades evidenciadas deram-nos garantias de um futuro airoso. Disse que depois de concluir a formação pretende trabalhar numa empresa do ramo. Ser costureira profissional é o sonho de Fineza Toko, 17 anos, que dentro de quatro meses se vai realizar. Fineza Toko aprende a arte de coser por medida há cinco meses e, segundo afiançou à nossa equipa de reportagem, os conhecimentos já adquiridos permitem costurar peças de roupa menos complexas.
Influenciada pelo seu tio que é alfaiate, a interlocutora não escondeu a sua satisfação pela oportunidade que tem de frequentar o curso dos seus sonhos e enalteceu a perspicácia do Executivo na elaboração do programa que está permitir a formação da juventude na província do Zaire, em particular, e do país em geral.
Lusutulawo Barros Malheiro Kwaseva, 23 anos, é formador nas unidades móveis de Mbanza Congo, na especialidade de canalização. Foi formado em 2006 no município do Soyo e hoje sente-se regozijado por transmitir conhecimentos a outros jovens.
“A entrega dos alunos é boa. Muitos deles são também estudantes, o que não é fácil, pois têm de conciliar as duas coisas, formação académica e profissional”, disse Lusutulawo Kwaseva ,que de seguida apelou os jovens da região a aproveitarem a oportunidade proporcionada pelo Executivo.
 
Empreendedorismo na comunidade

O responsável da secção de formação e reabilitação profissional do INEFOP no Zaire informou que 114 pessoas, entre adultos e jovens, beneficiaram de empréstimos bancários à luz do programa “Empreendedorismo na comunidade”, lançado em Janeiro no município petrolífero do Soyo pelo ministro da Administração Pública, Emprego e Segurança Social.
“O Governo de Angola lançou o programa empreendedorismo na comunidade, para facilitar aquelas pessoas que têm a ideia de abrir uma empresa, mas que não têm o capital inicial”, esclareceu.
Kiniangisa Kibantu asseverou que o valor atribuído equivalente em kwanzas é de mil dólares americanos, para além de kits profissionais, para que as pessoas possam criar os seus próprios negócios nos mais variados ramos de actividade económica.

Tempo

Multimédia