Províncias

Cidade mais antiga de Angola está em festa

Victor Mayala | Mbanza Congo

Mbanza Congo, a cidade capital da província do Zaire, está em festa.

O investimento nas infra-estruturas sociais da cidade de Mbanza Congo criou condições para o crescimento da população
Fotografia: Adolfo Dumbo

 
Mbanza Congo, a cidade capital da província do Zaire, está em festa. A cidade assinala no próximo domingo 504 anos de existência. As principais artérias da urbe, que é uma das mais antigas da África subsariana, estão ornamentadas com luzes que à noite dão um ar festivo.
 É notória a movimentação inusitada de pessoas, vindas de outros pontos da província e do país. Pela primeira vez, sai de Luanda para Mbanza Congo uma caravana composta por membros da Associação dos Naturais e Amigos do Zaire. Os edifícios públicos e as casas da cidade tiveram um tratamento especial de limpeza.  
Estão montadas barracas para venda de comes e bebes no espaço adjacente ao condomínio “15 Casas” e no largo da sede do Comité Provincial do MPLA, onde decorre também uma feira agro-pecuária, para além de uma exposição fotográfica sobre as realizações do Governo, de autoria de Adolfo Dumbo, profissional do Jornal de Angola. 
O programa oficial de festas inclui actividades desportivas e espectáculos culturais animados por artistas nacionais e da República Democrática do Congo. Há também uma gala de passagem de modelos que promete reunir a fina-flor da sociedade local. A comissão organizadora convidou as empresas Cuca, Nocal e Coca-Cola a participarem nas festas. 
No dia 26, o Governo Provincial vai decretar tolerância de ponto, “para que todos retemperem as energias, antes de retomarem as suas actividades normais”, disse à reportagem do Jornal de Angola o administrador do município de Mbanza Congo, Ângelo dos Passos. 
O Dia da Cidade, prosseguiu o administrador, vai ser também marcado por inaugurações de infra-estruturas de impacto social, entre as quais uma escola primária, de três salas, na aldeia de Ngoma, um posto de saúde no bairro 11 de Novembro e na comuna de Kaluka que também vai ter uma esquadra policial.
Ângelo dos Passos frisou que a nona edição das Festas da Cidade está a ser celebrada num momento particular em que as autoridades políticas e administrativas intensificam os esforços no quadro do projecto “Mbanza Congo cidade a desenterrar para preservar”, que visa conferir à histórica cidade a classificação de Património Mundial da UNESCO. O administrador apelou aos munícipes para conjugarem esforços que permitam alcançar o objectivo.

O antigo rejuvenesce

Apesar da sua antiguidade, a cidade de Mbanza Congo rejuvenesce a cada dia que passa, fruto  dos esforços do Governo Provincial e da administração local na construção e reabilitação das infra-estruturas sociais, económicas e administrativas.
As autoridades não escondem a intenção de dar uma imagem urbanística condigna à antiga capital do Reino do Congo e proporcionar melhores condições de vida aos seus habitantes.
Mas é claro que o tempo não volta para trás. Estamos no século XXI e o que se pretende para a cidade é que ela esteja à altura dos desafios de hoje, conferindo qualidade de vida e boas perspectivas aos citadinos, e ao mesmo tempo honre e esteja à altura da memória e da grandeza da capital do antigo Reino do Congo.
O governador Pedro Sebastião tem privilegiado as acções de melhoramento do saneamento básico e de extensão das redes de abastecimento de água potável e energia eléctrica às populações dos bairros periféricos da cidade, com a construção de chafarizes e colocação de postos de iluminação pública alimentados pela nova central eléctrica de Kianganga, que está a funcionar desde o ano passado.
A malha rodoviária urbana e suburbana foi melhorada com a realização de operações de tapa buracos, terraplanagem e construção de novos passeios, pavimentos e lancis.
Há cinco anos, a antiga cidade de São Salvador do Congo era considerada uma terra inóspita para a fixação humana. Era quase desabitada, devido à inexistência, na altura, de serviços e equipamentos sociais que permitissem viver condignamente. Hoje, a realidade é diferente. Os principais bairros da cidade - Sagrada Esperança, Álvaro Buta, Martins Kidito, 11 de Novembro e 4 de Fevereiro - cresceram de forma exponencial, fruto do desenvolvimento que a região conheceu.
A maior parte das infra-estruturas sociais, económicas e administrativas destruídas pela guerra foram recuperadas e cada dia que passa surgem novos empreendimentos como escolas e centros de saúde.

Melhorias reconhecidas

Munícipes abordados pela reportagem do Jornal de Angola foram unânimes em afirmar que a região registou, nos últimos tempos, avanços significativos nas mais diversas vertentes, fruto do empenho do Governo Provincial. 
Paulo Manuel Nkau, 26 anos, estudante do curso de Matemática na Escola Superior Politécnica, da Universidade 11 de Novembro, em Mbanza Congo, disse que o actual quadro sócio-económico da região é totalmente diferente do de há quatro anos. “Nota-se diferença em termos de desenvolvimento e crescimento, porque hoje vamos notando o surgimento de muitas infra-estruturas. Mas ainda há muito por fazer e o Governo está consciente disso”, afirmou, acrescentando que a reabilitação da Estrada nacional 111, que liga Mbanza Congo a Luanda, vai permitir a circulação de pessoas e bens, o que dá outro impulso ao desenvolvimento da região.
“Mbanza Congo cresceu muito em termos populacionais e este facto justifica que houvesse mudanças, embora haja ainda algumas dificuldades no que toca à distribuição de água e fornecimento de energia eléctrica.
 Mas acredito que com o empenho do Governo Provincial estes problemas vão ser ultrapassados”, disse Gelson Gomes, 25 anos, estudante universitário do curso de Matemática.   
Domingos Lutati, 54 anos, abordado pela nossa equipa de reportagem, reconheceu as melhorias registadas na cidade Mbanza Congo, também chamada Congo-dia-Totela. Encorajou o Governo a prosseguir com a execução dos projectos que visem melhorar cada vez mais as condições de vida das populações. “Energia eléctrica, água, estradas, escolas e hospitais, são sectores fundamentais para o bem-estar dos cidadãos e devem continuar a merecer a maior atenção do govermo”, reiterou Domingos Lutati.

Breve historial 

Mbanza Congo, então São Salvador do Congo, foi a capital do antigo Reino do Congo, localizado no Sudoeste de África, num território que hoje corresponde, no seu conjunto, ao Noroeste de Angola, incluindo Cabinda, à República do Congo, à parte ocidental da República Democrática do Congo e ao Centro e Sul do Gabão. O reino era governado pelo “Manicongo”. Tinha nove províncias e três reinos tributários (Ngoy, Kakongo e Loango). A sua influência estendia-se aos Estados limítrofes do Ndongo, Matamba, Kassanje e Kissama. 
O 25 de Julho passou a ser comemorado desde 2005 como Dia da Cidade de Mbanza Congo pelo facto de, em 1506, o rei Nimi-a-Lukeny, fundador do Reino do Congo, ter instituído a data para simbolizar a deslocação a Mbanza Congo dos responsáveis dos reinos dependentes para o pagamento do tributo.

Tempo

Multimédia