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Circulação de pessoas e bens é dos maiores ganhos da paz

Víctor Mayala | Mbanza Congo

O bispo da diocese de Mbanza Congo, Dom Vicente Carlos Kiaziku, afirmou que a circulação de pessoas e bens com segurança em toda a extensão do território nacional constitui um dos maiores benefícios dos dez anos de paz vividos em Angola.

Dom Vicente Carlos Kiaziku enaltece os ganhos da paz e incentiva à melhoria da qualidade de ensino e conquistas noutras frentes



O bispo da diocese de Mbanza Congo, Dom Vicente Carlos Kiaziku, afirmou que a circulação de pessoas e bens com segurança em toda a extensão do território nacional constitui um dos maiores benefícios dos dez anos de paz vividos em Angola.
Em declarações ao Jornal de Angola, o prelado católico deixou claro que, não obstante as dificuldades que algumas estradas do país no geral e da província do Zaire em particular ainda apresentam, já é possível sair de uma localidade a outra sem medo de ser atacado ou accionar uma mina, graças ao clima de paz vivido actualmente.
“Antes era complicado sair daqui de Mbanza Congo para outras localidades com o medo de ser atacado ou accionar uma mina”, disse, sublinhando que o actual cenário político caracterizado por um ambiente de total tranquilidade, permitiu também uma certa melhoria das condições de vida das populações.
A paz, acrescentou, está a possibilitar a construção de estradas, para além de propiciar o surgimento de vários outros serviços na província do Zaire, como é o caso da Escola Superior Politécnica de Mbanza Congo.
O bispo católico defendeu que “agora temos que trabalhar para a melhoria da qualidade do ensino, nas várias escolas que foram e estão a ser construídas, e temos que empregar professores qualificados”.
Para Dom Vicente Carlos Kiaziku, as dificuldades ainda existentes na região são conjunturais e que um dos principais problemas é, sem sombra de dúvidas, o mau estado da Estrada Nacional 110, que liga à capital do país, concretamente o troço que vai de Nzeto aos Libongos.
“A falta de boas estradas, não obstante os esforços que estão a ser feitos, quer queiramos quer não, tem influência na nossa economia”, notou, para vincar que a inexistência também de corrente eléctrica de qualidade na região impede a criação até mesmo de pequenas indústrias.
“Alguns bairros da cidade de Mbanza Congo recebem energia eléctrica de forma alternada e isto condiciona também os hábitos alimentares, porque não se consegue conservar os frescos para o consumo ao longo da semana ou mês”, observou.
O bispo da diocese de Mbanza Congo entende que as estruturas económicas da indústria petrolífera, como a fábrica de gás Natural liquefeito Angola LNG, devem jogar um papel preponderante na fortificação da economia local, fazendo com que as populações beneficiem o bem de forma directa.

Queda dos valores morais

O longo período de guerra vivido trouxe nefastas consequências à sociedade angolana, uma das quais a queda dos valores morais e cívicos, disse Dom Vicente Carlos Kiaziku, para quem é fácil construir infra-estruturas, mas o mesmo não acontece em relação a educação e formação do homem, a julgar pelas múltiplas influências da própria sociedade.
“A guerra é a maior negação dos direitos humanos e por experiência própria onde há guerra tudo é permitido”, referiu para realçar de seguida que a atenção à guerra fez com que diminuísse a atenção à formação moral do homem.
O eclesiástico considera que algumas gerações da sociedade angolana desenvolveram-se à margem de uma verdadeira moral social. Identificou três fases históricas no desenvolvimento da sociedade angolana: a colonial, em que a religião era obrigatória e tinha um peso enorme nas comunidades; a fase do socialismo, em que a moral comportava os seus valores, embora negasse a Deus; e depois a fase onde a moral cristã e socialista desaparece.
A juventude, continuou, era apenas educada em casa dos pais, o que não é suficiente para a plena moralização da sociedade que o país aspira.“Às vezes a gente diz que a guerra já acabou há muito tempo, mas as consequências no homem continuam”, pontualizou Dom Vicente Carlos Kiaziku, que mais adiante frisou que os mais velhos devem passar às novas gerações bons exemplos de vivência no processo de resgate dos valores morais e cívicos que, na sua opinião, precisam de ser estruturados em duas vertentes. A teórica e a prática.

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