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Desabou a ponte sobre o rio Luvo

João Mavinga e Víctor Mayala | Luvo

A circulação rodoviária entre Angola e a região do Baixo Congo, na República Democrática do Congo, está desde ontem cortada em consequência do desabamento da ponte metálica sobre o rio Luvo, na fronteira com Mbanza Congo, província do Zaire.

Camião com excesso de peso faz desabar velha ponte metálica sobre o rio Luvo e corta circulação entre Angola e RDC
Fotografia: Garcia Mayatoko | Luvo

O incidente foi provocado por um camião carregado com 1.600 sacos de cimento,  equivalentes a 80 toneladas, quando fazia a travessia de Angola para a RDC.
Testemunhas disseram que o incidente ocorreu ontem às 10h30, depois do camião parar sobre a ponte para tratar de questões aduaneiras. O excesso de carga é apontado como sendo a principal causa do desabamento da ponte, que já apresentava uma imagem de degradação avançada.
O director provincial do Instituto de Estradas de Angola (INEA) no Zaire, Manuel Diangani, disse ao Jornal de Angola que a ponte foi construída em 1978 e as autoridades têm efectuado estudos técnicos de avaliação de custos para a construção de uma outra ponte de betão armado. Manuel Diangani garante que a circulação rodoviária \"pode ser reposta no prazo de 20 dias\", caso não haja outros condicionalismos.
A interrupção da circulação rodoviária quebrou o intenso processo mercantil na orla fronteiriça entre os dois países. Em consequência do desabamento da ponte, mais de 60 camiões carregados com produtos diversos, com destaque para cimento, grande parte dos quais com destino à província de Cabinda, encontram-se retidos na fronteira do Luvo, onde aguardam a reposição da ponte para chegarem ao destino.
O desabamento da ponte, além dos camiões, também provocou a retenção de comerciantes congoleses em território angolano.As autoridades policiais angolanas destacadas na fronteira estudam mecanismos para o regresso dos congoleses ao seu país, uma vez que ultrapassados os prazos estabelecidos de permanência pode configurar-se situação migratória ilegal.
Jean Arnode, motorista congolês com o camião carregado de cimento, disse ao Jornal de Angola que o desabamento da ponte apanhou todos de surpresa e espera que seja reposta o mais rápido possível, para poder regressar ao seu país (RDC), onde neste momento há uma gritante falta de cimento, devido à paralisação das fábricas de Lucala e Kimpese, localizadas na região do Baixo Congo.
A paralisação das fábricas de cimento na RDC acentuou a procura do produto, facto que leva congoleses a virem a Angola, na fronteira do Luvo, onde adquirem o produto. 
\"O desabamento da ponte tem repercussões negativas na economia da região\", disse o automobilista.

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