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Desenvolvimento muda a vida no Nóqui

Kayila Silvina | Nóqui

O município fronteiriço do Nóqui, na província  Zaire, está a ganhar uma nova imagem urbanística, com a construção de numerosas infra-estruturas de impacto social em distintos sectores da vida socioeconómica da região.

Os habitantes da vila sem motivos de queixas no que diz respeito ao fornecimento de energia eléctrica que vem da barragem do Inga
Fotografia: Garcia Mayatoco | Zaire

O município fronteiriço do Nóqui, na província  Zaire, está a ganhar uma nova imagem urbanística, com a construção de numerosas infra-estruturas de impacto social em distintos sectores da vida socioeconómica da região.
Entre os empreendimentos projectados à luz dos Programas de Investimentos Públicos (PIP) e de Combate à Fome e à Pobreza constam a construção dos edifícios da delegação regional das Alfândegas, Serviços de Migração e Estrangeiros (SME) e das dependências dos bancos de Poupança e Crédito (BPC) e de Comércio e Indústria (BCI).
Simultaneamente, algumas infra-estruturas antigas e em avançado estado de degradação estão a receber obras, como é o caso do hospital municipal, de um posto de saúde e de duas escolas nas sedes comunais de Lufico e Mpala.
O Jornal de Angola  apurou que o hospital municipal dispõe, neste momento, de equipamentos de última geração que, após a reabilitação, vão ser instalados para proporcionar uma assistência médica de qualidade às populações.
O encarregado de obras da construtora chinesa Gótica Construção, Lda, Xião Pei Fang, disse, ao J\ornal de Angola, que a construção da Delegação Regional das Alfândegas contempla vários compartimentos, entre os quais dois armazéns para mercadorias e uma vasta área administrativa. O empreendimento terá, em todos os sectores, um sistema de câmaras de vigilância, e foram ainda projectados um jardim e um parque de estacionamento para cerca de 30 viaturas.
A empresa chinesa está igualmente a construir as instalações onde vão funcionar a Polícia de Guarda Fronteira e Fiscal e uma unidade prisional, com duas celas (masculina e feminina).
Este leque de infra-estruturas sociais e económicas de que a vila fronteiriça do Nóqui vai beneficiar no decorrer deste ano, cuja execução está a ser assegurada por 75 trabalhadores, sendo 50 nacionais e 25 chineses, teve início em Maio de 2010, estando a sua conclusão prevista para Novembro próximo.

Alunos fora do sistema

Apesar dos esforços que as autoridades provinciais e municipais têm envidado com a construção de novas salas de aulas, o município tem 2.004 alunos fora do sistema de ensino. O responsável da repartição municipal da Educação, Francisco Massaka, disse que, este ano lectivo, a instituição matriculou um total de 7.504 alunos de 1ª a 12ª classe.
O sistema da reforma educativa está a ser aplicado em todas as comunas do município, nomeadamente Mpala, Lufico e a sede Nóqui. Também o programa da merenda escolar se encontra já na segunda fase de concretização e não há falta de material didáctico, uma vez que a localidade recebeu livros e lapiseiras, que foram distribuídos gratuitamente aos alunos.
Este ano, a localidade deixou de assistir ao grosso de alunos que partiam para a vizinha região de Matadi, na República Democrática do Congo, em busca da continuidade dos estudos, fruto das melhorias verificadas no município. O sector foi reforçado com mais 28 professores, recrutados através do último concurso público, promovido pela direcção provincial da Educação.

Saúde está bem

No domínio da assistência médica, o Nóqui está bem servido, salientou o responsável da repartição local da Saúde, Salambi Diantala.
O hospital municipal presta serviços nas especialidades de medicina geral, enfermagem, ecografia, ginecologia, laboratório de análises clínicas, bloco operatório, raio X e puericultura. A par do hospital, que está devidamente apetrechado, possui um banco de urgência, com um total de 14 camas.
A aquisição dos equipamentos permitiu  melhorias na qualidade dos serviços de saúde  prestados às populações e, consequentemente, das condições de trabalho dos técnicos do sector na região.
Salambi Diantala referiu que o hospital atende, em média, 70 a 80 doentes por dia. Uma ambulância garante a evacuação dos doentes com quadro clínico complicado para o hospital provincial, em M’banza Congo.
A assistência médica e medicamentosa é assegurada por seis médicos, sendo cinco cubanos e um angolano, auxiliados por 36 enfermeiros, dos quais oito colocados nos postos médicos comunais de Mpala e Lufico.
As doenças mais frequentes são a malária, diarreias agudas e as parasitárias intestinais.
Salambi Diantala lamentou a falta de dadores, no município, facto que tem dificultado o abastecimento do banco de sangue. No quadro do Programa de Combate ao VIH/Sida, foram criados os serviços integrados de testagem voluntária.
 
Energia e água no bom caminho

Os habitantes da vila do Nóqui não têm motivos para reclamações no que toca ao fornecimento de energia eléctrica. O produto é fornecido a partir da barragem do Inga, localizada em Matadi, na região do Baixo Congo (RDC) à luz de um convénio firmado entre as autoridades dos dois países.
José Mavambo Kinkela, responsável municipal para os serviços técnicos no Nóqui, explicou que quando a energia do Inga falha, por qualquer anomalia técnica, recorrem aos grupos geradores disponíveis para evitar que a vila turística fique às escuras.
Embora a sede comunal do Lufico não tenha energia eléctrica por caducidade da rede de distribuição, que carece de reestruturação urgente, para ultrapassar o problema, o governo provincial adquiriu um grupo gerador, que deve entrar em funcionamento em breve.
Quanto à água consumida, esta é acarretada a partir de fontanários e chafarizes, construídos no âmbito do Programa Água para Todos, que ainda não contempla as comunas do Lufico e Mpala. Esta situação tem feito com que as populações ali residentes continuem a ter de se abastecer nos rios da zona.

Produtos deteriorados

Quantidades incalculáveis de produtos do campo estão a deteriorar-se nos campos  por falta de condições de escoamento, facto que desmotiva os homens da lavoura, segundo informou o chefe da União Nacional dos  Camponeses e Agricultores, (UNACA), no Nóqui, Gabriel Seke.
A falta de meios de transporte e a degradação das estradas tem, em grande medida, dificultado grandemente a evacuação dos produtos do campo para os grandes centros de consumo, referiu o responsável, acrescentando que o município produziu 100 toneladas de laranjas e igual quantidade de bananas, mandioca e gergelim.
Gabriel Seke pede às autoridades que envidem esforços no sentido de recuperarem as estradas do Nóqui e a reabertura da ponte cais da vila, instalada no rio Zaire, de modo a permitir a evacuação dos produtos cultivados na região, por via marítima.
Nesta altura, grande parte dos produtos colhidos estão a ser comercializados na vizinha cidade de Matadi, no Congo Democrático, e no município do Soyo, pelas facilidades que as referidas rotas oferecem, em termos de acesso, quer terrestre, quer fluvial.

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