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Empresas de telecomunicações investem em força

Fernando Neto | Mbanza Congo

As telecomunicações, na província do Zaire, estão em franco processo de expansão. Um pouco por todos os municípios, vão surgindo antenas das operadoras de telemóvel Movicel e Unitel, e de telefone fixo Angola Telecom. 

Momento em que o governador Pedro Sebastião inaugurava a primeira loja da Unitel na cidade de Mbanza Congo
Fotografia: Adolfo Dumbo

As telecomunicações, na província do Zaire, estão em franco processo de expansão. Um pouco por todos os municípios, vão surgindo antenas das operadoras de telemóvel Movicel e Unitel, e de telefone fixo Angola Telecom. 
Esta realidade tem estado a facilitar a vida dos habitantes e das autoridades administrativas locais, que outrora tinham imensas dificuldades em comunicar-se com o resto do país e do mundo.
As comunicações na província dependiam unicamente da Angola Telecom. Até ao momento, esta operadora de telefone fixo só funciona em Mbanza Congo e Soyo, municípios onde, dada a sua proximidade com a República Democrática do Congo, é possível captar e utilizar os serviços de telefone de operadoras daquele país. 
O governador provincial do Zaire, Pedro Sebastião, disse, aquando da inauguração da primeira loja da Unitel em Mbanza Congo, em Fevereiro último, que os investimentos no ramo das telecomunicações estão a facilitar a resolução dos problemas dos cidadãos e as comunicações dos responsáveis do aparelho do Estado destacados nos seis municípios da província, que outrora dependiam apenas do sistema de telefone via satélite.
Para se fazer uma correcta avaliação do período de bonança que se vive actualmente no sector das telecomunicações na província do Zaire, basta lembrar que no período mais difícil do conflito armado, em Mbanza Congo existiam apenas seis telefones. Em declarações ao Jornal de Angola, o director provincial dos Transportes e Telecomunicações, Jeremias Timóteo, afirmou que a província está bem servida no respeitante às telecomunicações e tecnologias de informação.
Jeremias Timóteo acrescentou que a província vive hoje um bom momento, caracterizado pela extensão, em quase todo o seu território, do sinal das principais operadoras de telemóvel.  “Estamos bem, se compararmos com a realidade de há cinco anos. Nos últimos anos assistimos à expansão das operadoras de telemóvel e telefone fixo a toda a província. Entraram também em funcionamento outros serviços, como o Liga-Liga, que está a ser instalado nas áreas recônditas, onde as redes de telefone fixo e móvel ainda não existem”, referiu.
A Movicel está a estender o seu sinal ao longo das vias Luanda/Nzeto e Soyo/Mbanza Congo. “Com as antenas instaladas nas localidades do Nzeto, Kinzau e Cabeça da Cobra, na via do Soyo, já é possível falar ao telefone sem interrupção do sinal”, adiantou Jeremias Timóteo. A fonte sublinhou que um processo similar decorre ao longo da via Mbanza Congo/Nzeto.
                                  
Internet nas escolas

Os serviços dos correios têm duas estações postais na província do Zaire. Uma funciona no município do Soyo e outra em Mbanza Congo.  Segundo Jeremias Timóteo, o projecto era abrir mais estações nos restantes municípios, mas a crise financeira mundial fez abortar essa intenção. O responsável avançou que o sector que dirige vai insistir na concretização do projecto, uma vez que tais serviços “são de extrema importância para o envio de cartas, dinheiro e pequenos embrulhos”.
O director provincial dos Transportes e Telecomunicações revelou ao Jornal de Angola que está em execução, em Mbanza Congo, um projecto de instalação de dispositivos de Internet em seis escolas do ensino geral e em algumas instituições públicas, entre as quais o hospital provincial. “Sabemos como é importante a criação de uma rede de comunicação na cidade de Mbanza Congo. O projecto está na fase de conclusão e os equipamentos já foram instalados. Esperamos apenas pelo estabelecimento do sinal de Internet”, esclareceu.
Segundo o responsável, o governo local criou, há alguns anos, centros comunitários com acesso à Internet nos municípios de Mbanza Congo, Nzeto, Soyo, Tomboco, Nóqui e Kuimba. Alguns desses centros estão, faz tempo, por razões desconhecidas, com as portas fechadas.
Relativamente aos preços de acesso às novas tecnologias de informação, com destaque para a Internet, o interlocutor referiu que eles reflectem a realidade do país.
“Nos dias que correm, já se pode comprar um telemóvel a dois mil kwanzas. Não se pode imaginar um mundo globalizado sem a Internet. Os estudantes buscam informação via Internet e mesmo os grandes importadores fazem todos os pagamentos via on-line”, observou.

O caso da Angola-Telecom

O director provincial da Angola Telecom, António Lourenço Chocolate, disse ao Jornal de Angola que existem melhorias significativas no sector das telecomunicações no Zaire. “Os meios por nós utilizados, actualmente, são de última geração, ao contrário do passado”.
Além disso, referiu que a transmissão do sinal da sua empresa é feita por via micro-ondas, fibra óptica e por satélite, e as três alternativas permitem aos populares aceder aos serviços de telefone fixo, sem fio (SDMA) e Internet (ADSL e TILAN).
“Temos o telefone sem fio nos municípios de Mbanza Congo, Soyo, Nóqui e Kuimba. O fixo está instalado apenas em Mbanza Congo e Soyo”, disse.
O responsável anunciou que a empresa que representa vai, em breve, utilizar na província a tecnologia de Internet em banda WIMAX.
A Angola Telecom tem um total de 480 assinantes no Zaire, espalhados pelos municípios de Mbanza Congo e Soyo. António Chocolate considerou ínfimo este número e defendeu o alargamento da rede de assinantes. 
“Começámos com o sistema analógico nos municípios de Mbanza Congo e Soyo, estamos hoje com o V-Sat. Na altura, tínhamos apenas 177 linhas e agora já temos mais de 400.
 Estamos confiantes de que teremos muito mais. Brevemente, levaremos os nossos serviços a todos os municípios, o que demonstra que a nossa empresa está a desenvolver-se na província”, afirmou. 
No tocante à inovação e melhoria dos serviços, a Angola Telecom estendeu à cidade de Mbanza Congo o cabo de fibra óptica, que já passou pelas vilas do Soyo, Nzeto e Kuimba. O responsável aludiu que nos próximos tempos o cabo vai ser estendido ao troço Tomboco/Nóqui e explicou que o sistema de fibra óptica é a tecnologia mais avançada de transporte de dados de voz, Internet, televisão e rádio. Com a entrada em funcionamento das transmissões através desta tecnologia, a província vai registar melhorias substanciais no sector.
 
Sinal restabelecido

A histórica cidade de Mbanza Congo esteve, desde Junho, sem sinal na rede de telefone fixo, devido às descargas eléctricas que danificaram equipamentos sensíveis. O problema foi resolvido no dia 27 de Agosto.  
Jeremias Timóteo adiantou que a situação criou constrangimentos aos utentes, por terem ficado privados do acesso à Internet e sem comunicações via telefone fixo.
Suzana Elzira Sirdes, 25 anos, professora, disse à reportagem do Jornal de Angola que no seu dia-a-dia usa o telefone para manter contacto com os amigos e familiares e a Internet como fonte de pesquisa de matérias de apoio ao seu trabalho.
“Acho que os trabalhos em curso na nossa província vão ajudar a melhorar o acesso à informação através da Internet”, disse.
Pedro Lussucamo, técnico de enfermagem, valorizou o surgimento das novas tecnologias de comunicação e informação. “O meu ramo requer muita pesquisa. Lidar com vidas humanas não é fácil, é preciso manter vivos os conhecimentos. Por isso uso constantemente a Internet para ir buscar novidades”, referiu. O técnico de enfermagem acrescentou que tem acedido à Internet nos dois únicos ciber-cafés existentes na cidade, onde paga 200 kwanzas por hora de navegação. O jovem considera o valor “elevado, face à lentidão do sinal”.
Por outro lado, elogiou o serviço das operadores. “Temos notado o esforço em colocar à disposição dos clientes serviços a preços baixos, como é o caso dos cartões de recarga de 400 kwanzas da Movicel e os Toque-Toque da Unitel. Mas ainda há muito por fazer”, concluiu. 

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