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Erro no pagamento deixa Nóqui sem luz

Fernando Neto | Nóqui

O governo da província do Zaire tem uma dívida de 480 mil dólares, resultante de 16 meses de consumo de energia eléctrica fornecida ao município do Nóqui a partir da barragem hidroeléctrica do Inga, na cidade de Matadi, na República Democrática do Congo (RDC), disse ao Jornal de Angola o administrador daquele município.

Ponte cais completamente abandonada por falta de actividade de navegação comercial
Fotografia: Fernando Neto

O governo da província do Zaire tem uma dívida de 480 mil dólares, resultante de 16 meses de consumo de energia eléctrica fornecida ao município do Nóqui a partir da barragem hidroeléctrica do Inga, na cidade de Matadi, na República Democrática do Congo (RDC), disse ao Jornal de Angola o administrador daquele município.

 Simão Massampo lembrou que, graças a um convénio com a RDC, Angola passou a pagar, mensalmente, 30 mil dólares pelo consumo de energia eléctrica, mas que os últimos pagamentos “caíram numa conta bancária errada, de um antigo responsável da empresa congolesa de electricidade (SNL)”.
 O assunto criou inquietação entre as autoridades dos dois países. Até ao momento pouco se sabe sobre o destino do dinheiro correspondente ao consumo de electricidade de um ano e quatro meses.
O dinheiro, depositado por lapso na conta errada, referiu, foi transferido para uma outra pertencente a um alto oficial do Exército congolês, que “está a impossibilitar o seu resgate”.
Perante este quadro, Nóqui deixou de receber, em Maio de 2009, electricidade da barragem do Inga, passando a depender da que é fornecida por três grupos geradores instalados pelo governo provincial. 
As autoridades de Angola e da RDC, disse, ao Jornal de Angola, fonte oficiosa, trabalham para ultrapassar o diferendo e já se fala na possibilidade de se investir na linha de transporte de energia, substituindo os postos de transformação (PT) que estão obsoletos.
“Neste momento estão a ser desenvolvidos esforços para a contratação de uma empresa que vai recuperar a rede eléctrica e montar dois novos PT para regularizar a situação”, disse Simão Massampo.
                                                  
Educação e Saúde

O ensino no município do Nóqui vai até ao nível médio. Duas escolas do segundo ciclo, construídas nas aldeias do Lucala e Lengue, asseguram o curso normal das aulas, enquanto os alunos das comunas do Mpala e Lufico estudam até a 9ª classe.
Simão Massampo revelou que a administração está apostada na construção de mais infra-estruturas escolares, estando a ser construídas 18 salas de aulas, cuja conclusão está para breve.
O hospital municipal foi reabilitado este ano. As pessoas que procuram os seus serviços, na maioria, sofrem de malária, doenças diarreicas agudas e febre tifóide.
O administrador da unidade hospitalar disse, ao Jornal de Angola, que o estabelecimento registou, em 2009, mais de dois mil casos de malária, que causaram dezenas de mortes. Só no primeiro trimestre deste ano, quatro pessoas perderam a vida vítimas da doença.
O hospital, que dispõe de cinco médicos e 28 enfermeiros, tem um bloco operatório devidamente equipado, sala de emergências e capacidade de internamento para 12 pacientes.
Afonso Moço afirmou que o estabelecimento dispõe de serviços de cirurgia, obstetrícia, anestesia e pediatria. Os casos mais complicados, como acidentes vasculares cerebrais, são transferidos preferencialmente para a RDC e não para Mbanza Congo ou Luanda devido ao mau estado das estradas.
Para aproximar os serviços de saúde às comunidades e encurtar as distâncias percorridas pelos doentes estão a ser construídos dois postos médicos e um centro de saúde nas comunas do Mpala e Lufico e na aldeia do Nkengue.

Consumo de água

Os habitantes da sede municipal do Nóqui consomem água não tratada. Captada do rio, é transportada para um tanque colocado numa elevação, a partir do qual é distribuída aos consumidores pelo sistema de gravidade. Os bairros da periferia são abastecidos por intermédio de duas cisternas.
O município beneficia, desde 2009, dos fundos do Programa de Intervenção Municipal (PIM). As áreas eleitas como prioritárias pela Administração são saúde, educação e juventude e desportos.
As autoridades administrativas locais referiram que dos cinco milhões de dólares estipulados receberam apenas o equivalente a 30 por cento. Com esta verba começaram as obras de reabilitação do banco de urgência do hospital municipal e a construção de duas escolas primárias.
Com financiamento do governo provincial estão a ser construídas quatro escolas do ensino secundário, as administrações comunais de Mpala e Lufico, um posto de saúde e três casas para quadros na vila do Nóqui. A Organização Não-Governamental Save the Children colabora na construção de mais escolas nas aldeias do Lendi e Nkala. 
O Nóqui é um município com paisagens pitorescas, fruto da privilegiada localização. Os raios solares despontam das montanhas, cobrem as folhas das árvores frondosas e dão um lindo colorido à vila. A única contrariedade é ter apenas uma unidade hoteleira, com 14 suites, neste momento a beneficiar de obras.
O Movimento Nacional Espontâneo, que tem um representante no município, está a colaborar com a Administração nas acções de limpeza, vacinação e arborização. “O Movimento Nacional Espontâneo, sendo uma instituição pública, criada à luz da resolução 70 do Concelho de Ministros, deve ajudar o Governo na concretização dos projectos estruturantes nas comunidades desfavorecidas”, disse Francisco Nicolau, secretário provincial da organização.

Isolamento na fronteira

Situado no extremo nordeste da província do Zaire, formando a linha limítrofe com a província do Baixo Congo na RDC, o município do Nóqui tem 29.960 habitantes, que se dedicam fundamentalmente à agricultura de subsistência, pecuária e pesca artesanal.
O estado de extrema degradação da estrada que liga a Mbanza Congo dificulta as trocas comercias com a capital da província, cria uma situação de isolamento e faz o município voltar-se para a RDC, para onde as vias estão em melhor estado, em busca da satisfação das necessidades básicas de consumo.
“Muitos dos problemas do município não são resolvidos devido ao estado degradante das vias de acesso. Enquanto as infra-estruturas rodoviárias estiverem danificadas, teremos uma circulação de pessoas e bens deficitária”, disse o administrador municipal.
Simão Massampo frisou que, fruto dessa situação, o município está praticamente desprovido de comerciantes.  
O Instituto Nacional de Estradas de Angola procede a trabalhos de terraplanagem do troço Tomboco/Lufico/Nóqui, pelo que o município pode vir a tornar-se mais facilmente acessível.   O cais do porto do Nóqui, reabilitado, em 2008, pelo governo provincial, está votado ao abandono devido às más condições das estradas.
Os comerciantes, declarou o administrador, evitam fretar barcos de Luanda ou Benguela para Nóqui por causa dos altos custos do transporte das mercadorias.
“Os outros municípios têm a vantagem de serem servidos por estradas nacionais ou internacionais, ao contrário do Nóqui”, lamentou Simão Massampo, sublinhando que sem as vias de acesso recuperadas, a administração vai continuar a enfrentar grandes dificuldades para concretizar os projectos do Governo.

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