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Escola Politécnica cria valor regional

Víctor Mayala | Mbanza Congo

A entrada em funcionamento, este ano, em Mbanza Congo, capital da província do Zaire, da Escola Superior Politécnica (ESP), adstrita à nova Universidade 11 de Novembro, com sede em Cabinda, está a ser aplaudida pelos habitantes locais, que eram obrigados a abandonar a região à procura de oportunidades noutros pontos do país para poderem dar continuidade aos estudos.

Governador Pedro Sebastião
Fotografia: Adolfo Dumbo


 
A entrada em funcionamento, este ano, em Mbanza Congo, capital da província do Zaire, da Escola Superior Politécnica (ESP), adstrita à nova Universidade 11 de Novembro, com sede em Cabinda, está a ser aplaudida pelos habitantes locais, que eram obrigados a abandonar a região à procura de oportunidades noutros pontos do país para poderem dar continuidade aos estudos.

 O governador do Zaire, Pedro Sebastião, afirmou, à margem de uma palestra subordinada ao tema “A problemática da gestão das instituições de Ensino Superior”, realizada no âmbito das primeiras jornadas Novembro Académico, promovidas pela Universidade 11 de Novembro no passado mês de Janeiro, que a implantação do Ensino Superior na província vai contribuir para a fixação dos quadros na região. “Este feito vai fazer com que muitos estudantes que antes eram obrigados a deslocar-se para outras províncias do país à procura do saber, possam fazê-lo já aqui, na nossa província, em pleno convívio das suas famílias”, declarou Pedro Sebastião, acrescentando que a região começa, deste modo, a dar os primeiros passos no domínio da formação superior da juventude, tal como acontece um pouco por todo território nacional.
O governador asseverou que a expansão do Ensino Superior na província tem um significado muito especial e particular, tendo para o efeito apelado à juventude local para a necessidade de as instalações da instituição serem cuidadas e preservadas.
 
Reatar os estudos
 
Em conversa com algumas das pessoas que conseguiram ingressar na Escola Superior Politécnico de Mbanza Congo, o Jornal de Angola apurou que a satisfação é unânime, uma vez que muitos deles, alguns já na terceira idade, há anos que não se sentavam numa carteira. Mas como a esperança é a última a morrer, os nossos interlocutores afirmaram que em momento algum pensaram em desistir do sonho de um dia estudarem numa instituição do Ensino Superior.
Maria Amélia Romário, de 55 anos, que ingressou na especialidade de psicologia, conta que concluiu o ensino médio em 1988, mas devido à inexistência de Ensino Superior na região viu-se estagnada. “O meu emprego também não permitiu que me deslocasse para outra província à procura de condições para dar continuidade aos estudos”, disse.
Mãe de seis filhos, um dos quais já com a vida encaminhada, Maria Amélia referiu que, apesar dos seus 55 anos, sempre foi sua vontade dar continuidade aos estudos, embora esteja consciente das dificuldades que vai enfrentar ao longo do curso superior.
“Eu sou mãe de seis filhos, mas ainda estão sob minha responsabilidade cinco, porque outro já vive independente. Estou satisfeita, continuar os meus estudos sempre foi a minha vontade, sempre quis aumentar o meu nível académico. Vou dar o meu máximo para poder prosseguir e concluir. Vou ter algumas dificuldades, mas vou fazer o possível para as vencer”, referiu, encorajando, de seguida, as pessoas que não conseguiram ingressar, a serem persistentes, a continuarem a tentar porque, como sublinhou, sem luta não pode haver vitória.

Mais vale tarde que nunca

“Depois de mais de 15 anos sem estudar, desde que terminei o ensino médio em 1997, em Luanda, devido a algumas situações de vária ordem não consegui dar prosseguimento aos estudos. Para mim é algo que me comoveu bastante, porque esperei tantos anos e finalmente aconteceu”, disse Simão Kwanzambi “Jonh” de 38 anos, outro caloiro estudante do curso de psicologia.
Jaqueline Coxe, de 37 anos, também estudante do mesmo curso, disse à nossa reportagem que a implantação na sede do Zaire da Escola Superior Politécnica constitui um ganho inquestionável para os seus habitantes e aconselhou as outras mulheres a seguirem o seu exemplo, pois mais vale tarde do que nunca.
A luta entre os candidatos para conquistar uma vaga nas distintas especialidades foi bastante renhida. Conseguiram, é claro, aqueles que foram capazes de mostrar melhor as suas aptidões. O curso de psicologia foi o mais concorrido, registando mais de 500 candidatos, enquanto as demais especialidades testaram à volta de 300 concorrentes.
O advento da paz criou condições no país, em termos de estabilidade política, para que o Governo pudesse pôr em prática as suas políticas de expansão e criação de novas unidades universitárias, para permitir a escolarização da população, reduzindo deste modo os índices de analfabetismo.
É com este pensamento que o Governo angolano tem vindo a intensificar esforços na construção, em todo o território nacional, de construções escolares para os diferentes níveis de instrução académica.
A província do Zaire, em particular, de acordo com os dados estatísticos da direcção provincial da Educação a que o Jornal de Angola teve acesso, dão conta de que a rede escolar da região é actualmente constituída por 329 escolas que perfazem um total de 1.150 salas de aula. Desde 2004, a província tem estado a matricular, em média, cinco mil novos alunos, fruto da construção de novas salas de aulas, devidamente apetrechadas.  
 

 

Núcleo do Soyo com cursos  ligados à área dos petróleos

As instalações da Escola Superior Politécnica de Mbanza-Congo têm oito salas de aula, uma sala de reuniões, uma biblioteca, um anfiteatro, além de uma vasta área administrativa e um parque para dezenas de viaturas.
Numa conferência de imprensa realizada na cidade de Mbanza Congo, o reitor da Universidade 11 de Novembro, Kiamvu Tamo, explicou que a instituição, além de contar com a colaboração de professores nacionais da própria Universidade, tem contratados, através da Secretaria de Estado para o Ensino Superior, 16 docentes cubanos.
A Universidade 11 de Novembro vai contar com dois núcleos na província do Zaire, sendo um em Mbanza e o outro no município petrolífero do Soyo, onde vão ser administrados, no próximo ano, cursos ligados à ­petroquímica.
 

 

  


  

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