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Fábrica de aproveitamento de gás pronta a entrar em funcionamento

Jaquelino Figueiredo | Soyo

A fábrica de aproveitamento de gás natural liquefeito, Angola LNG, o maior projecto do século construído no município do Soyo, província do Zaire, está em fase experimental, antes da sua inauguração prevista para ter lugar ainda este mês.

Fotografia: Jaquelino Figueiredo

A fábrica de aproveitamento de gás natural liquefeito, Angola LNG, o maior projecto do século construído no município do Soyo, província do Zaire, está em fase experimental, antes da sua inauguração prevista para ter lugar ainda este mês.
A construção da referida fábrica, orçada em mais de 10 mil milhões de dólares norte-americanos, foi financiada pela multinacional Chevron em 36,4 por cento (americana), Sonangol em 22,8 por cento (angolana), e a italiana ENI, a Total e a britânica BP, ambas detêm uma participação de13,6 por cento cada no capital invetsido.
Na fase funcional a fábrica Angola LNG terá uma capacidade instalada de 5.2 mil milhões de toneladas do produto/ano, dos quais 125 milhões de pés cúbicos vão ser entregues diariamente à Sonangol para o abastecimento do mercado nacional. A fábrica vai produzir três tipos de gases, nomeadamente, o gás natural liquefeito, o propano e o butano.
As equipas operacionais da fábrica estão engajadas nos testes dos equipamentos de última geração ali instalados e a eficácia dos cincos tanques, no sentido de garantir o primeiro carregamento de gás natural liquefeito com segurança exigida, atendendo às especificidades do referido produto.
Segundo apurou o Jornal de Angola, a unidade fabril, que ocupa uma extensão de 430 hectares, está em 98 por cento concluída, faltando apenas a construção da outra rede (gasoduto) que vai transportar o gás natural dos blocos 0 e 14 localizados na província de Cabinda.
A nível do município do Soyo, o projecto conta com uma linha de mais de 500 quilómetros de gasodutos que vão transportar o gás dos campos de exploração em on-shore e off-Shore a partir dos blocos 2 e 17 no Zaire.
O director geral da Angola LNG OPCO, Daniel Rocha, que fez a apresentação do estado físico da fábrica aos parlamentares moçambicanos e do MPLA que visitaram recentemente o projecto, deu a conhecer que neste momento estão em fase de testes hidráulicos dos tanques, antes do primeiro carregamento de gás, para o início da exploração de enormes reservas de gás natural que Angola dispõe no seu subsolo.A fábrica vai operar com sete imponentes navios encomendados propositadamente para o transporte de gás natural da fonte para os mercados de consumo, nomeadamente Ásia, para aonde vai ser canalizada cerca de 50 por cento do produto, Europa e América do Norte.
Daniel Rocha explicou que os navios já se encontram no país sob a responsabilidade da empresa Angola LNG, três dos quais estão já a operar e os outros três foram alugados por outras empresas de exploração de gás, tendo rendido já para os cofres da empresa mais de 54 milhões de dólares. O último navio está ainda em construção na Coreia do Sul.
Angola explora o petróleo bruto desde a década de 60 do século passado. Possui enormes reservas de gás natural, cujo prazo de exploração é estimado para 30 anos e vai gerar receitas que permitirão o desenvolvimento económico e social do país.
 
Benefícios fiscais

Questionado pelo presidente da bancada parlamentar do MPLA, Virgílio de Fontes Pereira, sobre os benefícios fiscais que a exploração de gás poderá criar para a região, o director geral da Angola LNG afirmou que a província não começou ainda a receber tais recursos por não estar legislado.
“Em termos de benefícios fiscais para a província, o Zaire ainda não começou a receber nada, uma vez não estar ainda legislado. Salientou no entanto que a Angola LNG tem um pacote financeiro avaliado em 600 milhões de dólares para os projectos de impacto social, muitos dos quais estão em fase conclusiva”, acrescentou Daniel Rocha.
De acordo com ele, o pacote financeiro de 600 milhões de dólares foi aprovado pela empresa, para ser usado no período compreendido entre 2007 a 2012, cujos projectos já proporcionam o bem-estar dos cidadãos da região.

Depoimentos
 
O gás de cozinha vai, a partir de Agosto próximo, deixar de ser problema para os habitantes locais com a entrada em funcionamento da fábrica de processamento. Com o pleno funcionamento da fábrica Angola LNG, o projecto vai permitir a redução dos custos das botijas de gás e os cidadãos do município do Soyo e da província do Zaire, em geral, vão deixar de adquirir o produto a preços altos, como tem sido prática até agora.
Os revendedores de gás butano são unânimes em dizer que os elevados preços praticados a nível do Soyo têm a ver com o mau estado de conservação da estrada nacional Soyo/Luanda e vice-versa, facto que se repercute na destruição dos camiões que transportam o produto para a província.
A título de exemplo, a botija de gás de cozinha de seis quilos é comercializada pelos revendedores da Sonangol distribuidora na região por 900 a mil kwanzas, a de 12 kg custa entre 1.800 e 2.000 mil kwanzas. A botija de gás de 51 kg é vendida por 7.500.00 kwanzas, respectivamente, o que torna difícil o sonho de muitas famílias cozinharem no fogão.
O funcionário da Casa Comercial Ngoma Mpemba Mazebo, Vitorino de Almeida, disse ao Jornal de Angola que transportar gás butano para o município do Soyo, a partir de Luanda, tem sido um exercício enorme, por causa do mau estado da estrada Luanda/Soyo, cujo percurso de viagem dura dois a três dias.
“Por exemplo, não temos gás há cinco dias, porque o nosso camião foi a Luanda à busca de gás e, de regresso avariou numa aldeia do Soyo, a cerca de 34 quilómetros daqui, daí os elevados preços das garrafas de gás no município”, disse.
De acordo com ele, com a entrada em funcionamento da fábrica de aproveitamento do gás natural que se queima há décadas, os preços das botijas vão descer até aos preços praticados noutras províncias, uma vez que vai haver uma linha de enchimento a partir do Soyo. “Já não vai ser necessário por os camiões a deslocarem-se a Luanda em busca do produto”, disse.
O gerente da agência de revenda de gás butano ABJ, NDoma Emanuel, partilha da mesma opinião. “Nós compramos o gás em Luanda, não dispomos de camiões próprios, recorremos ao aluguer de viaturas para transportarmos o gás para aqui. Por cada viagem desembolsamos três mil dólares, daí a razão dos preços altos que praticamos para compensar os custos dos camiões que ficam dois a três dias na via” - pontualizou.
Ndoma Emanuel disse ao que, com o arranque da fábrica de gás natural no município, vai ser fácil adquirir o produto a partir da linha de enchimento que provavelmente vai ser instalada na região.
Já o comprador Bernardo Eduardo António, que adquiriu uma garrafa de 12 quilos de gás de cozinha por 1.800 kwanzas, considera bastante caro o preço do produto no Soyo, quando a mesma quantidade tem um custo inferior noutras províncias.

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