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Famílias chamadas a resgatar valores morais

Jaquelino Figueiredo e Adolfo Dumbo| Soyo

As famílias tradicionais do município do Soyo, na província do Zaire, foram chamadas a desempenhar um papel activo para o resgate dos valores morais e cívicos em declínio no seio da juventude, com vista a salvaguardar a estrutura da sociedade local e angolana.

Procurador da República no Soyo
Fotografia: Adolfo Dumbo|Edições Novembro

O apelo foi feito pelo procurador da República junto do Tribunal Municipal do Soyo, Mário Gama, quando proferia, na comuna do Quelo, cerca de 125 quilómetros a Sul da cidade do Soyo, uma palestra subordinada ao tema “O papel da família no resgate dos valores morais, cívicos e éticos”, no quadro da jornada Março Mulher.
Mário Gama disse haver necessidade de se resgatar os valores morais e cívicos a nível da sociedade do Soyo, pelo facto dos jovens preferirem o modernismo em detrimento dos usos e costumes locais ou de matriz angolana.
“Os jovens hoje têm uma maneira diferente de ver a vida em relação à velha geração, resultante das mudanças socioeconómicas e da própria estrutura social, cujos promotores dessas mudanças sociais são as próprias pessoas”, disse.
De acordo com aquele magistrado, os jovens enfrentam dificuldades na absorção dos valores morais e cívicos, por falta de acompanhamento dos pais, tutores e encarregados, bem como ao depararem-se com outras culturas que invadem a sociedade angolana, resultantes das imigrações e das novas tecnologias de informação e comunicação.
“Os jovens estão confrontados com uma série de valores que recebem, tanto da família como dos pais, avós e tios e depois deparam-se com os que resultam de pessoas de outras culturas e os que acompanham dos órgãos de comunicação social, sobretudo o que vêem na Internet. Este choque de valores leva os jovens a identificarem-se com a modernidade”, explicou.
A modernidade, referiu, constitui hoje a porta por onde entram as diferentes culturas dos quatro cantos do mundo e criam um choque que desvia a juventude que acaba posteriormente por abandonar os usos e costumes locais ou angolanos e gera o famoso conflito de valores. A par da responsabilidade da família tradicional, toda a sociedade, o Estado e as instituições têm um papel muito importante no resgate de valores morais, cívicos e éticos na região.
Por seu turno, a primeira secretária municipal da OMA no Soyo, Madalena Kanga, disse que a família constitui o primeiro factor da socialização, onde as mulheres são a principal força de trabalho na sociedade.
“A família angolana e a sua estrutura social ficaram fragilizadas por causa do nosso passado recente, caracterizado por um conflito armado bastante prolongado, tendo como consequências a pobreza e traumas psicológicos que afectaram os valores tradicionais e os elementos fundamentais da organização social angolana, daí a constatação de que estamos perante uma grave crise de valores morais, cívicos e éticos”, acrescentou.
Madalena Kanga apontou o consumo excessivo de álcool e drogas pesadas como um dos factores que devem ser combatidos com particular atenção, sob pena de afectar negativamente os futuros quadros do país.
“O consumo excessivo de álcool e drogas é um problema social que tem de ser analisado com particular atenção e cuidado, sob pena de afectar os futuros quadros do país. Os conflitos familiares, a violência doméstica, por outro lado, são também causas que afectam os valores morais, cívicos e éticos, pelo que a OMA, ciente das suas responsabilidades, promove palestras para o seu resgate”, concluiu.

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