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Granitos de Muserra abastecem o mercado

João Mavinga e Fernando Neto

O Zaire é potencialmente rico em rochas ornamentais (granitos) de elevada qualidade ao nível do país. O granito está a ser transformado em mosaicos e lancis na fábrica instalada na comuna da Musserra, no município do Nzeto.

O Zaire é potencialmente rico em rochas ornamentais (granitos) de elevada qualidade ao nível do país. O granito está a ser transformado em mosaicos e lancis na fábrica instalada na comuna da Musserra, no município do Nzeto.
“São granitos conhecidos geologicamente por sienitos, alcali monzonitos e alcali feldspatos, que têm qualidade acima do padrão exigido, como apontam as suas características físicas e químicas, comprovadas nos ensaios dirigidos por empresas que exploram o mineral”, explicou.
A fábrica de mosaicos e lancis, denominada “Coreangola”, resulta de uma parceria Coreia - Angola e foi inaugurada a 17 de Setembro de 2010 pelo secretário de Estado da Indústria, Kiala Gabriel. O empreendimento, que ocupa uma área de 300 hectares, orçou em três milhões de dólares americanos e produz mensalmente cinco mil metros quadrados de mosaicos de cor verde e vermelho, bem como metros lineares de lancis.
A fábrica emprega um total de 87 angolanos. A unidade fabril, devido à qualidade do seu produto, fornece mosaicos picotados às obras de requalificação da nova marginal de Luanda.
Adão Alberto Sofia afirmou que o seu pelouro está preocupado com a exploração inadequada de rochas ornamentais por parte de algumas empresas, que têm estado a utilizar para o fabrico de brita utilizada na construção de estradas na província.
“O melhor granito ornamental de Angola encontra-se na comuna da Musserra, onde tem sido transformado em brita, o que não colhe”, advertiu Adão Sofia, para quem as empresas devem conhecer as qualidades das rochas e só assim podem usar para o fabrico de brita. A região tem ainda diamantes e lateritas explorados de forma artesanal.
“Identificamos até ao momento 14 empresas que fizeram furos para exploração de água mineral, para consumo interno, e outros para comercialização no Soyo nos bairros de Kitona, Kicala Kiaco, Kitambi, Kami, Pungo, Kindombele, Kintambi e Kinuíca.

Exploração de inertes

A província é auto-suficiente em termos de matéria-prima para construção civil, em particular na produção de mineiros como britas e rochas asfálticas. No ano passado, foram produzidos no Zaire um total de 306 mil metros cúbicos de inertes.
As empresas de construção civil têm prioridade em adquirir licenças para a exploração de inertes, esclareceu o director. “Urge a necessidade de disciplinar algumas empresas que exercem a actividade de forma ilícita. Os municípios de Mbanza Congo e Nzeto são os mais visados”, assegurou o director provincial da Indústria e Geologia e Minas.
O seu pelouro leva a cabo um trabalho de cadastramento e atribuição de licenças a pessoas que se dedicam a exploração artesanal de inertes, para facilitar o seu controlo e reduzir danos ao ambiente.
“Queremos organizar espécies de cooperativas com a responsabilidade de explorar uma área específica para produzir dados estatísticos sobre a exploração do mineiro”, referiu.
Adão Alberto Sofia é de opinião que a organização do sector  pode contribuir para a preservação do meio ambiente. “A exploração mineral é útil à sociedade uma vez que é fonte de importantes recursos para a reconstrução do país e gerar novos postos de trabalho, em resposta às políticas do Executivo de combate à fome e redução dos índices de pobreza no seio das famílias”, afirmou. Acrescentou que é preciso porém que haja uma exploração racional desses recursos. “Pretendemos formar cooperativas de exploradores artesanais de inertes, para serem instruídos tecnicamente sobre o trabalho”, disse.

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