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Habitantes da comuna da Pedra do Feitiço continuam a enfrentar várias dificuldade

Jaquelino Figueiredo | Soyo

Os mais de 4.250 habitantes da comuna da Pedra de Feitiço, situada a cerca de 145 quilómetros a Leste da sede do município do Soyo, província do Zaire, enfrentam diversas vicissitudes no seu dia-a-dia, por ausência dos principais serviços sociais básicos e infra-estruturas, disse, ao Jornal de Angola, o administrador local.

Administrador Francisco do Nascimento garante que há projectos para se inverter o quadro
Fotografia: Edições Novembro

Segundo Francisco do Nascimento Nsumbo,a vila carece de tudo um pouco, sobretudo água potável, energia eléctrica e bens de primeira necessidade.

“As vias de acesso estão totalmente degradadas, o que, com as chuvas constantes, associadas à falta de manutenção durante muito tempo, dificulta a circulação de pessoas e bens.
A população tem sofrido bastante, na medida em que, por semana, a comuna só recebe viaturas vindas do Soyo às segundas e sextas, quando não cai chuva, porque senão fica-se duas ou três semanas sem transporte. A alternativa tem sido a via fluvial, com recurso a canoas rudimentares e embarcações com motores à popa”, acrescentou.
Tendo em conta o mau estado das vias de acesso, segundo Francisco Nsumbo, as viagens que deveriam demorar uma hora e meia, pela presença de ravinas e grandes extensões de lama, levam mais tempo.
“Os cerca de 145 km de percurso, que eram percorridos por apenas uma hora e meia, da sede do município à vila da Pedra de Feitiço, hoje são percorridos entre quatro a cinco horas, o que afecta o processo de circulação de pessoas e bens, bem como dificulta o escoamento dos produtos do campo para a cidade”, explicou.
Francisco Nsumbo disse que a comuna está há quatro anos sem energia eléctrica, apesar de dispor de um grupo gerador de 112 KVA, que não funciona por falta de combustível. “Estamos há quatro anos sem energia eléctrica, ou seja, desde que o Ciclo Combinado entrou em funcionamento e desde a altura em que o Soyo ficou interligado com o sistema Norte, através da barragem de Cambambe e Laúca. Pensou-se que aquela energia havia de abranger as comunas, mas não. Daqui onde nos encontramos até a sede municipal são cerca de 145 quilómetros, quando é que vai haver sub-estações que vão permitir que a energia chegue a essas comunidades? É difícil. Nós temos um grupo gerador de 112 KVA, que nos contentava, das 18 às 06 horas da manhã” acrescentou.
De acordo com o administrador, a comuna da Pedra de Feitiço deixou de receber os cinco mil litros de gasóleo da Administração Municipal, devido a crise financeira que assola o país, tendo acrescentado que “mesmo que não assegurasse o mês, nós sabíamos poupar para termos iluminação durante 30 dias, o que dava para garantir as aulas nocturnas”. No concernente à água potável, Francisco Nsumbo fez saber que a comuna dispunha de um poço, que há quatro anos servia para abastecer os habitantes, mas, após a avaria da bomba, a vila da Pedra do Feitiço ficou privada do abastecimento.
“Nós, aqui na sede, tínhamos um poço, onde se puxava a água e jorrava nas torneiras das 06h30 até às 9h00. Neste momento consumimos água retirada directamente do rio Zaire, sem nenhum tratamento, apesar dos riscos que isto apresenta para a saúde, não temos alternativa”, acrescentou.

Educação na comuna

A comuna da Pedra do Feitiço não dispõe de professores suficientes para assegurar o bom funcionamento do sector da Educação, para leccionarem da iniciação à nona classe, disse o administrador Francisco Nsumbo.
“A rede escolar dispõe de seis escolas, mas o grande problema da comuna tem a ver com a insuficiência de professores. Apesar do concurso público para admissão de novos quadros, no âmbito das cem vagas destinadas ao Soyo, os nossos jovens não souberam aproveitar a oportunidade. A comuna apenas beneficiou, neste ano lectivo, de dois novos professores, perfazendo um total de seis, o que não cobre a demanda. Pelos menos 12 seria ideal para cobrir a comunidade”, acrescentou. A falta de professores e a ausência de ensino médio, segundo Francisco Nsumbo, resulta na fuga de jovens, que procuram continuar os seus estudos na sede municipal, para quem tem parentes, e os demais buscam formação na República Democrática do Congo (RDC), por estar mais próxima da comuna.
Na aldeia do Lamba (Pedra do Feitiço), junto ao município do Nóqui, segundo fez saber, algumas crianças estudam na RDC e outras na sede (Nóqui), por falta de uma escola. “Muitas crianças que vivem na aldeia do Lamba, para estudarem vão para a RDC, concretamente no Boma, via fluvial, sendo obrigadas a atravessar cerca de quatro milhas ida e volta, através de uma canoa, situação que nos aflige”, acrescentou.

Sector de saúde

A comuna da Pedra do Feitiço tem dois postos de saúde, concretamente um na localidade do Pângala e outro na sede, assegurados por quatro enfermeiros, para mais de quatro mil habitantes, deu a conhecer o administrador Francisco Nsumbo.
“Temos muitos problemas em termos de assistência médica. Quando há doentes, por exemplo na localidade do Kiela, que dista cerca de 12 quilómetros da sede comunal, são obrigados a apanhar uma canoa até a sede, para serem tratados, o que tem causado muitas mortes”.

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