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Hospital Municipal do Soyo sem Raio-X e ortopedista

Jaquelino Figueiredo | Soyo

A avaria registada há mais de dois meses no aparelho de radiologia, vulgo Raio-X, e a ausência de um ortopedista há quase um ano, no Hospital Municipal do Soyo, na província do Zaire, têm criado grandes constrangimentos à direcção daquela unidade sanitária, disse ontem, à imprensa, o director geral.

Falta de alguns serviços de saúde no Soyo está a criar muitos constrangimentos à população
Fotografia: Joaquelino Figueiredo | Edições Novembro | Soyo

De acordo com Pedro António, o Hospital Municipal do Soyo, a única unidade sanitária de referência na região, tem enfrentado dificuldades para solucionar os casos de acidentes de viação e não só, por falta de um aparelho de radiologia e um especialista em ortopedia.
“Já estamos há algum tempo sem o aparelho de Raio-X a funcionar. Para solucionar os casos de acidentes de viação no Soyo temos tido a colaboração do centro médico da Endiama, com quem temos um convénio”, explicou.
O aparelho de Raio-X do Hospital Municipal do Soyo, como avançou, registou uma pequena avaria, que pode ser solucionada em breve, uma vez que contactos foram encetados para a reparação. “O aparelho tem um problema que não é muito grave, já encontrámos alguém que, ainda esta semana, vai ver se o repara”, acrescentou.
Segundo o director do Hospital Municipal do Soyo a preocupação referente à falta de um ortopedista foi remetida às instâncias superiores. “Encaminhámos o assunto ao Gabinete Provincial da Saúde e ao Ministério da Saúde, para que, através das parcerias, se encontre de forma urgente um especialista, pelo que estamos à espera”.
Pedro António referiu que devido à ausência de um ortopedista, especialidade que considerou de importantíssima, por causa dos acidentes de viação, os casos considerados graves têm sido evacuados para Mbanza Kongo e para Luanda.
“Neste momento não temos casos de ortopedia que necessitem de cirurgia. Os casos menos complicados são tratados pelos técnicos de nível médio, que têm muita experiência”, acrescentou.
Outra preocupação da direcção geral do Hospital Municipal do Soyo, segundo Pedro António, prende-se com a falta de um médico para acudir pacientes com problemas de acidentes cardiovasculares (AVC), uma vez que o contrato da única médica russa que assegurava a área de cardiologia terminou há cerca de um ano.
“Tivemos uma cardiologista russa, o contrato de serviço terminou e regressou para a sua terra. Quando temos casos relacionados à área de cardiologia transferimo-los para Luanda, o que preocupa a direcção do hospital”, explicou.
De acordo com o director geral do Hospital Municipal do Soyo, a solução da insuficiência de quadros no sector da Saúde passa pela formação do pessoal local. Actualmente, como frisou, o Hospital Municipal do Soyo conta com 171 funcionários, entre médicos angolanos e expatriados, técnicos superiores e médios de Enfermagem, bem como administrativos e pessoal de apoio, número considerado insuficiente, devido à demanda populacional.
Segundo Pedro António, precisa-se cerca de 300 médicos para o Hospital Municipal e as unidades sanitárias da periferia do município, no sentido de se garantir a humanização dos serviços de saúde na região.
“Tendo em conta o crescimento da população do Soyo, precisaríamos de 200 ou 300 médicos para o Hospital Municipal e para a periferia. Em termos de técnicos médios precisaríamos de 600, onde teríamos enfermeiros licenciados, técnicos de Enfermagem, técnicos de Diagnóstico e terapêuticos entre outros”, acrescentou o director do hospital do Soyo.

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