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Infraestruturação renova postal de Mbanza-Congo

João Mavinga | Mbanza Congo

O Executivo angolano cabimentou 57 milhões de dólares para acabar em definitivo com a poeira que se instala na cidade de Mbanza Congo na época seca e o estado lamaçal que se assiste no tempo chuvoso, anunciou ao Jornal de Angola o Coordenador do Programa das Infra-estruturas Integrada para a província do Zaire.

Obras de resselagem das principais ruas da cidade dão nova imagem à capital provincial Mbanza Congo
Fotografia: Adolfo Dumbo| Mbanza Congo



O Executivo angolano cabimentou 57 milhões de dólares para acabar em definitivo com a poeira que se instala na cidade de Mbanza Congo na época seca e o estado lamaçal que se assiste no tempo chuvoso, anunciou ao Jornal de Angola o Coordenador do Programa das Infra-estruturas Integrada para a província do Zaire.
Eduardo Jorge Chilembo vincou que a verba alocada para o Zaire (57 milhões de dólares), permitiu o arranque em Junho último da primeira fase do projecto de infra-estruturação do município de Mbanza Congo, uma acção que consistiu na resselagem das principais ruas do coração da cidade. Neste momento, continuou, decorrem trabalhos de asfaltagem por todas as ruas do casco urbano do município sede.
O responsável afiançou que o Programa de infra-estruturação da antiga cidade de São salvador do Congo prevê asfaltar cerca de 30 quilómetros de ruas e ruelas do município sede, até Dezembro próximo, altura em que termina a primeira fase em execução, para conferir imagem diferente à cidade.“Estamos a fazer a infra-estruturação do município de Mbanza Congo.
Estamos a resselar o velho asfalto colocando novo tapete, para conferir mais dignidade à cidade”, explicou Eduardo Jorge Chilembo, para quem aos 19 quilómetros inicialmente contabilizados foram ainda acrescidos mais 9.7 quilómetros de extensão de ruas a serem asfaltadas no perímetro do casco urbano da cidade.
Em termos de quilometragem, de acordo com o responsável, existem outras ruas que estão a ser incluídas no processo de resselagem e na asfaltagem, propriamente dito. “Não vamos falar apenas em 19 quilómetros, pois agora está contabilizado a partir do fim do asfalto da Estrada Nacional, na zona das 15 Casas, a circular da cidade até ao aeroporto, numa abrangência de mais 9.7 quilómetros”, asseverou o interlocutor.
A infra-estruturação da cidade de Mbanza Congo consiste, segundo disse, em dotar o município sede de redes técnicas para a canalização de água potável, iluminação pública e domiciliar e redes de esgotos e de drenagem de águas pluviais, tendo em conta o facto de a região ser uma zona bastante acidentada e onde chove muito.“Temos tido muitos problemas quando nos confrontamos com o tempo das chuvas, razão pela qual acautelamos o projecto com trabalhos de criação do sistema de drenagem de águas pluviais para prevenirmos consequências nefastas, como tem acontecido nessa estação do ano”, disse.

Energia e água

O processo de infra-estruturação de Mbanza Congo privilegia para o sector das águas a construção de uma nova captação com maior capacidade, bem como de uma Estação de Tratamento de Água (ETA), que assegurará a distribuição do precioso líquido aos citadinos sem constrangimentos.
Aquele engenheiro civil relacionou o Projecto das Infra-estruturas Integradas para Mbanza Congo, no domínio da energia eléctrica, à instalação, ainda este ano, de postos de iluminação pública em todas as ruas da cidade, acção a ser implementada em simultâneo com as ligações domiciliárias. Neste capítulo, segundo Eduardo Chilembo, o projecto do programa contempla a construção de uma Estação de Tratamento de Águas Residuais, ainda na primeira fase, que termina em Dezembro.

Fim da poeria

Para Eduardo Chilembo, o curso normal da empreitada até aqui realizada, pressupõe fazer um balanço “muito positivo”, pelo impacto notável e, concomitantemente, pela forma eufórica como a população de Mbanza Congo recebeu e aplaudiu o fim dos castigos naturais provocados pelas nuvens de poeira de que eram vítima todos os anos.
Falando sobre a poeira, o coordenador do Programa das Infra-estruturas Integradas para a província do Zaire foi peremptório em afirmar que a poeira também revela ser, sem sombra para dúvidas, um caso de saúde pública. O seu combate em Mbanza Congo não deve ser interpretado como estratégia propagandística, para favorecer o MPLA nas eleições, como vários círculos pretendem fazer crer.
Referindo ao atraso da obra, fez um historial sobre os segmentos de preparação que compreendeu o projecto em 2008, período em que, segundo o nosso entrevistado, foi elaborado o Plano Director da acção. “Um projecto sempre demora, porque depois de aprovado, é submetido a vários trâmites técnicos até chegar à fase de concurso público e à sua adjudicação para hoje arrancarmos”, esclareceu.

Requalificação

O administrador municipal de Mbanza Congo, Ângelo dos Passos, mostrou-se confiante com o êxito do Programa de Infra-estruturas Integradas aprovado pelo Executivo. Para ele, falar da infra-estruturação do município histórico de Mbanza Congo é essencialmente reflectir sobre o plano de requalificação da cidade concebido pelas autoridades locais, cujas premissas de acção definem a renovação das vias de acesso e outros equipamentos sociais, como pressuposto indispensável para resolver os problemas básicos já identificados que a cidade viveu e que agora começam a fazer parte do passado de dificuldades.“Terminados todos os elementos técnicos do projecto de requalificação urbanística, arrancaram as obras integradas que dão o privilégio de colocação de novo tapete asfáltico das ruas, a construção de lancis das valas de drenagem de águas pluviais, a rede técnica para a iluminação pública e uma outra rede de cabos para os ramais domiciliários”, referiu.
Os trabalhos em curso incluem ainda a instalação de uma rede técnica para a canalização de água potável e o sistema que sustentará a rede de telefonia. O grande objectivo da construção das valas é o de evitar que amanhã alguém venha cavar ou partir mais as valas e túneis feitos. Todos os serviços integrados deverão passar a sua tubagem e cabos no mesmo sítio e quando estiver confrontado com uma necessidade de serviços fica mais fácil trabalhar”, esclareceu o administrador de Mbanza Congo.
Ângelo dos Passos fez questão de dizer que a natureza das obras de infra-estruturas integradas nas cidades exige uma série de empreitadas e criação de condições técnicas indispensáveis à sua conclusão num horizonte de curto prazo.
“A nossa população, por vezes não tem acautelado as emoções para entender a palavra Infra-estruturas Integradas. É diferente fazer uma obra de asfaltagem de rua na cidade e no interior, onde o trabalho pouco ou nada exige em termos de instalação de redes técnicas de cabos”, disse.
O administrador de Mbanza Congo relacionou a aparente morosidade dos trabalhos em curso com a inclusão no processo de asfaltagem de novas ruas que de início não constavam no plano. “Por isso digo que só no final da empreitada, em Dezembro, estarei em condições de fazer o balanço para podermos apresentar com exactidão quantos quilómetros foram executados nesta primeira fase em asfaltagem”, pontualizou.

Expectativa

O processo de resselagem e asfaltagem das ruas da cidade de Mbanza Congo despertou as atenções dos citadinos, que aplaudem o gesto do Executivo. As opiniões convergem no sentido positivo. Para Frei António Pedro, da Congregação Católica dos Capuchinhos, as obras em curso do Programa de Infra-estruturas Integradas já deram o sinal suficiente de que Mbanza Congo está em franco crescimento.
O sacerdote católico deixou claro que as novas condições que apresentam as estradas da cidade estão a beneficiar em grande medida os automobilistas e a comodidade dos populares, uma vez que os transeuntes circulam agora sem os constrangimentos dos buracos e da poeira que a região herdou por longos anos.“Nunca é tarde.
Esperávamos por este trabalho há mais tempo, pois já alcançamos a paz há dez anos. Mas estamos todos orgulhosos, por podermos circular por vias devidamente pavimentadas”, disse Frei António Pedro.
Na opinião do jornalista Constantino Jamba, da TPA, os benefícios da asfaltagem das estradas da cidade estão à vista de todos, sobretudo para os automobilistas que vão poder poupar algum dinheiro, antes gastos na reparação sistemática dos amortecedores, molas entre outros sobressalentes.
“A cidade está a ficar muito bela desde que começou este trabalho de asfaltagem. A poeira vai diminuindo a cada dia que passa e a acção demonstrou que os veículos terão maior durabilidade”, referiu.
Já Celestino Chicaia, funcionário público, defende que as estradas em bom estado de conservação constituem um bem social que todas as regiões do país almejam.
“O governo está a desenvolver um bom projecto a favor da população de Mbanza Congo e da província do Zaire, em geral”, afirmou Celestino Chicaia, que diz esperar dos habitantes locais boa conduta cívica no sentido de conservar os bens que o Governo coloca à disposição do povo.
A munícipe Odete Nlandu Neves, 22 anos, afirmou que a asfaltagem da estrada da cidade proporciona aos seus moradores uma nova etapa de vida, uma vez que alguns hábitos adoptados para a protecção da poeira, como tapar o semblante com lenços, já não vão ser necessários.
“A inalação de poeira tem sido uma preocupação constante dos cidadãos desta região. Ao inalarmos poeira, mesmo quando dormimos, somos alvo de doenças como a febre tifóide e outras do fórum respiratório e estomatológico, daí a necessidade do trabalho se estender às principais zonas suburbanas de Mbanza Congo”, sublinhou.

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