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Investigação de sítios históricos arranca este ano

Manuel Albano | Mbanza Congo

A primeira fase de investigação arqueológica dos Sítios Históricos da cidade de Mbanza Kongo arranca na primeira semana de Julho e vai até Dezembro deste ano, segundo uma decisão saída num encontro mantido, na segunda-feira, entre o Governador da província do Zaire, a ministra da Cultura e o ministro da Construção e Urbanismo.

Delegação ministerial visitou o Túmulo de Dona Mpolo, mãe de um dos reis do Reino do Kongo enterrada viva em 1491
Fotografia: Adolfo Dumbo

A primeira fase de investigação arqueológica dos Sítios Históricos da cidade de Mbanza Kongo arranca na primeira semana de Julho e vai até Dezembro deste ano, segundo uma decisão saída num encontro mantido, na segunda-feira, entre o Governador da província do Zaire, a ministra da Cultura e o ministro da Construção e Urbanismo.
O encontro, além de analisar a questão da Preservação dos Sítios Históricos da Cidade de Mbanza Kongo, serviu também para a criação de um “projecto integrado” entre as três entidades, que visa dar uma maior dinâmica na identificação das áreas em que cada uma das partes pode intervir.
A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, que falava durante o encontro, disse que o “projecto integrado” é uma tarefa que deve culminar com a demarcação dos espaços onde os especialistas arquitectos, antropólogos, arqueólogo e documentalista vão poder trabalhar sem interferir nos espaços que correspondam aos trabalhos das equipas do Ministério da Construção e Urbanismo.
Apesar do interregno verificado por questões técnicas, o projecto tinha de continuar, tendo em conta o compromisso assumido com a UNESCO no Congresso Internacional sobre a preservação dos Sítios Históricos da cidade, que se realizou na Cidade de Mbanza Kongo em 2006, salientou Rosa Cruz e Silva.
“Estamos convictos de que, desta vez, temos todas as condições criadas para que o nome de Mbanza Kongo figure na lista do património Cultural da Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura (Unesco). Trata-se de uma tarefa que tem a ver com a política cultural e a obrigação de preservar o património cultural”, referiu. A nomeação de Mbanza Kongo, segundo a ministra, não vai integrar apenas os monumentos identificados, mas também todo o património material que deve servir como um tipo de fundamentação à sua criação como património. “A nossa visita vem trazer uma nova abordagem e dar um certo dinamismo ao projecto, para que possamos honrar o compromisso que Angola assumiu ao apresentar a Unesco”, disse.
Rosa Cruz e Silva explicou que o Governo, através do seu Ministério, fez a proposta de candidatura de três bens patrimoniais que podem ser classificados como património da humanidade: A cidade de Mbanza Kongo, Complexo de Artes Rupestre de Chiquingulo, na Província do Namibe e o Corredor do Kwanza que integram antigos estados como do Ndongo e da Matamba. “Se formos unidos e capazes de cumprir com todas as tarefas vamos poder projectar as nossas cidades no mundo numa perspectiva de apresentação dos valores culturais de modo a que possamos partilhar a nossa riqueza cultural com os outros países”.
Acrescentou ser importante atribuir cada vez mais responsabilidades ao Governo da província na preservação do património cultural, que terá como “parceiros indissociáveis nesta missão” o Ministério da Cultura e a Construção e Urbanismo. “Se nós queremos ver os nossos bens reconhecidos internacionalmente, então é preciso despertarmos e cuidar bem deles. A UNESCO tem toda a legitimidade de poder retirá-los da lista de património cultural se forem mal conservados”.

Turismo cultural

A promoção da Cidade de Mbanza Kongo como pólo cultural e turístico pode, segundo a ministra Rosa Cruz e Silva, projectar a província no resgate dos seus valores para que se retomem os tempos áureos da antiga capital do reino do Kongo. “Se conseguirmos manter estes monumentos como Sítios Históricos, os Governos provinciais poderão tirar grandes dividendos financeiros, como a promoção do turismo cultural”, precisou.
Uma das principais tarefas da missão é permitir que se façam estudos de forma tranquila e exigente. Foram revistos os programas vigentes da direcção cultural da província, relativamente às acções em curso sobre a preservação do património cultural.
A directora adjunta do Instituto Nacional do Património Cultural e coordenadora do projecto, Sónia da Silva Domingos, informou que está prevista a chegada de quatro assistentes, um arquitecto, um arqueólogo, um documentalista e um antropólogo, indicados pela UNESCO, que vão ter a missão de dar orientações acerca do funcionamento do dossier de nomeações para se classificar um monumento histórico como património da humanidade. Sónia da Silva Domingos disse que este dossier deverá estar terminado com a realização da reunião do Comité do Património Mundial, em Julho de 2011, no Bahrain. “O que a UNESCO pretende é inscrever a província de Mbanza Kongo na lista de Património Mundial, mas é necessário redefinir o cronograma de acções por causa do interregno registado no processo de identificação e preservação dos Sítios Históricos da província”, disse.
Adiantou que já se fez “o croqui de localização, o levantamento demográfico em todos estes sítios para depois terminar com a fotografia aérea por ser um padrão a seguir a nível mundial, segundo os regulamentos da UNESCO”.
A coordenadora do projecto disse que o principal propósito é fazer uma análise exaustiva de todos os documentos existentes sobre o reino do Kongo para serem exibidos nas bibliotecas nacionais. “A recolha destas fontes históricas vão ser imprimidas como amostra em algumas biblioteca”.

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