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Jovens empreendedores criam o seu próprio negócio

Victor Mayala e Kayila Silvina | Mbanza-Congo

 Moreira Ângelo, 30 anos, é um exemplo de sucesso, graças ao programa do Governo.

Gerente do BPC garante novos créditos
Fotografia: Adolfo Dumbo

 Moreira Ângelo, 30 anos, é um exemplo de sucesso, graças ao programa do Governo. Responsável de uma cooperativa, do ramo da agricultura, a Mbokoko, constituída por 18 jovens, revelou, ao Jornal de Angola, que deve ao crédito ter conseguido concretizar o projecto.
Hoje, é um dos principais fornecedores de produtos hortícolas, como repolho, cenoura, tomate, pimento, beringela, jindungo e alface, do supermercado “Nosso Super” e do mercado municipal.
A cooperativa, que se dedica, também, ao cultivo de mandioca, banana e laranja, garantiu emprego directo a 46 jovens, sem contar, é claro, com os 18 que constituem a associação.
Apesar disso, manifestou-se preocupado com a “falta de transportes para o escoamento atempado dos produtos para os centros urbanos”, o que “faz que grande parte deles se estrague”.
Moreira Ângelo não tem dúvida que “foi a instalação, em Mbanza Congo, do supermercado ‘Nosso Super’” que o “tirou do sufoco”. As vendas “aumentaram significativamente”, disse, recordando o tempo em que os clientes “eram apenas pessoas singulares, com pouco poder de compra, como quitandeiras de pequenos mercados rurais e zungueiras”.
Manuel Alfredo, que conseguiu o primeiro emprego na Mbokoko, tem, hoje, motivos de sobra para se sentir um homem feliz: “As colheitas têm sido animadoras e os patrões fazem o pagamento atempado dos nossos salários”.

Jovens empreendedores

A GT-Filho é uma cooperativa de carpintaria, no bairro 11 de Novembro, composta por sete jovens.
O responsável da cooperativa, Garcia Tomás, disse, ao Jornal de Angola, que a carpintaria tem muitos clientes, que “reconhecem a qualidade do mobiliário” que a oficina fabrica, como cadeiras, sofás e camas.
“Com o crédito que nos foi concedido foi possível equipar a carpintaria e, neste momento, estamos a reembolsar o dinheiro ao banco”, declarou, lamentando apenas a falta de energia eléctrica no bairro, o que impossibilita o funcionamento de muitos instrumentos de trabalho que possuem.
O director provincial da Juventude e Desportos no Zaire, Manuel Katendi, afirmou, ao Jornal de Angola, que o projecto “Crédito Jovem” beneficiou, na primeira fase, 263 jovens agrupados em 35 cooperativas e associações, que desenvolvem actividades nos ramos da agricultura, agro-pecuária, comércio e prestação de serviços.
Ao todo, referiu, foram concedidos 70 mil dólares a 24 cooperativas. As restantes receberam kits de trabalho para carpintaria, alvenaria, engraxadoria e roulotes.
Manuel Katendi afirmou que a sua direcção vai continuar a apoiar as cooperativas e associações agrícolas juvenis na segunda fase do programa “Angola Jovem”.
 “Vamos apostar em cooperativas e associações juvenis que apresentem projectos na área da agricultura. Queremos que a população consuma produtos cultivados localmente”, disse, acrescentando que o seu pelouro tenciona estabelecer, nos próximos tempos, uma “pareceria estratégica” com a Direcção Provincial da Agricultura no sentido de prestar apoio material e técnico às cooperativas agrícolas da região.
O responsável revelou que, para a segunda fase do programa, que deve começar em breve, estão já inscritas 27 cooperativas juvenis.
Katendi disse que é aguardada a chegada de técnicos do Instituto Nacional de Pequenas e Médias Empresas (INAPEM), para a “preparação dos credores e realização dos estudos de viabilidade económica dos projectos”.
No final de uma visita à Mbokoko, o director provincial da Juventude e Desportos entregou  cinco bicicletas à cooperativa.

 Reembolso bancário
 
O gerente da dependência do Banco de Poupança e Crédito (BPC) em Mbanza Congo disse, ao Jornal de Angola, que o “processo de reembolso do crédito contraído pelos jovens ainda não satisfaz completamente a instituição”.
José Simão dos Santos afirmou que “ainda são poucas as cooperativas e as associações beneficiadas que honraram os compromissos com o banco, embora a maioria tenha pago entre duas a três prestações”.
A falta de balcões do banco nos outros municípios da província, sublinhou, dificulta as cobranças.
“Graças à colaboração prestada pelos responsáveis da Direcção Provincial da Juventude e Desportos é que tem sido possível efectuar a cobrança dos credores residentes noutros municípios”, disse, adiantando que a sua instituição já dispõe de verbas para o financiamento da segunda fase do projecto “Crédito Jovem”.
O Programa Angola Jovem, concebido em 2006, é um instrumento de materialização do Plano Executivo do Governo de Apoio à Juventude, que tem como objectivo primordial a mobilização dos jovens visando a sua participação activa e permanente no processo de Reconstrução Nacional.

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