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Jovens no Zaire regressam ao convívio familiar

Fernando Neto | Mbanza Congo

A reunificação de famílias levada a cabo pela Direcção Provincial do Ministério da Assistência e Reinserção Social permitiu fazer com que 15 jovens que viviam no Centro de Acolhimento Frei Jorge Zullianelo, na cidade de Mbanza Congo, voltassem terça-feira ao seio familiar.

O Centro de Acolhimento Frei Jorge Zullianelo dá abrigo a dezenas de crianças que também beneficiam de formação profissional
Fotografia: Adolfo Dumbo | Mbanza Congo

A Direcção Provincial do Zaire deu aos jovens produtos alimentares e instrumentos de trabalho.
O director provincial do MINARS no Zaire, Manuel José António, disse que o processo de reunificação, iniciado no ano passado, decorre bem, graças à colaboração das próprias crianças, que têm indicado a casa das famílias e regedorias de onde são provenientes.“O lugar da criança é na família, lá recebe educação, cultura e bênção”, disse Manuel José António, anunciando que as famílias que receberam os 15 jovens beneficiam, durante seis meses, de apoio alimentar.
Eduardo Nimi Disuanzuka, 16 anos, residia há cinco anos no Centro de Acolhimento Frei Jorge Zullianelo. Veio do Lobito. Ao Jornal de Angola, contou que antes se sentia um menino sem família e abandonado. Desconhecia quem era o seu pai. Do Lobito, Disuanzuka veio para Mbanza Congo procurar o pai, acompanhado por uma senhora que o reconheceu. À chegada a Mbanza Congo, a senhora abandonou-o no Complexo Residencial 15 casas.
Eduardo Disuanzuka começou a viver na rua, até que um senhor lhe deu guarita.“Depois de algum tempo”, acrescenta, “o senhor decidiu levar-me ao Centro. Quando o meu pai ouviu que eu estava em Mbanza Congo, veio ver-me, mas o responsável do Centro aconselhou-me a ficar até possuir documentação pessoal e poder aprender uma profissão”.
“Hoje, chegou o dia de viver com o meu pai”, diz o jovem, acrescentando que aprendeu a arte de alvenaria, com a qual espera poder ajudar a família.
Emanuel Kiala Chavier, tio de Eduardo Disuanzuka, diz que andou ausente da região quando os pais do miúdo faleceram, mas não ousa condenar os outros parentes por terem abandonado a criança.
“Com ou sem pai presente, resta-nos zelar por este ser humano que nasceu na nossa família. Não obstante ter crescido no centro, fazemos esforços para que seja um cidadão exemplar”, afirma Kiala Chavier. Outro jovem, António Kalussikila Domingos, 18 anos, vive no Centro de Acolhimento Frei Jorge Zullianelo, também há cinco anos e estuda a 6ª Classe.
“Vim aqui parar, porque fui acusado de feitiçaria. Aqui aprendi a profissão de serralharia. Agradeço o que o Centro fez por nós. Quando cheguei, não estudava e não tinha documentos pessoais”, disse. O responsável do Centro de Acolhimento, frei Danilo Graciele,garante que estes jovens vão encontrar uma nova vida, onde podem aplicar o que aprenderam, da formação académica à profissional. 
Segundo Danilo Graciele, as crianças chegam ao Centro de Acolhimento Frei Jorge Zullianelo por diversas razões, desde a guerra, carências económicas, separação dos pais ou famílias desestruturas.“Desejamos que sejam bons e honestos cidadãos neste país”, diz o prelado. O Centro  acolhe 85 crianças, com idades entre os cinco e os 18 anos. Deste número, 15 são do sexo feminino.

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