Províncias

Kuimba deixa de ser região inóspita

Víctor Mayala | Mbanza Congo

Os efeitos do processo de reconstrução nacional, iniciado em 2002, são sentidos nas regiões mais recônditas do país.



Os efeitos do processo de reconstrução nacional, iniciado em 2002, são sentidos nas regiões mais recônditas do país. Em apenas dez anos de paz, muitos cidadãos ali residentes viram já as suas condições de vida melhoradas, fruto da implementação pelo Executivo de vários projectos com o intuito de garantir o seu bem-estar social.
A expansão, em todo o território nacional, de bens e serviços é já uma realidade inquestionável, o que fez com que zonas outrora inóspitas para a fixação humana, registem, hoje, um crescimento demográfico considerável.
Kuimba, um dos seis municípios da província do Zaire, é exemplo das muitas regiões do interior de Angola em progresso acelerado. Aos poucos a vida naquela municipalidade entrou na normalidade e a esperança renasceu entre os seus habitantes, porque estão a ser criadas as condições para o relançamento da economia.
As ligações com os demais municípios estão também a ser melhoradas e o comércio começa a ganhar um lugar importante no quotidiano das populações. Os sectores da educação e da saúde estão igualmente a acompanhar o progresso e há cada vez mais oferta de escolas e cuidados de saúde em todas as comunidades.
A nossa reportagem constatou que Kuimba é o município, a par da capital, Mbanza Congo, que neste momento beneficia de maior número de infra-estruturas sociais. Estão a ser construídos empreendimentos como o edifício da administração local, a repartição municipal da Saúde e duas habitações do tipo T4 e T3, para a administradora municipal e o seu adjunto.
Estão igualmente em construção três escolas com oito salas, sendo duas do primeiro ciclo do ensino secundário e outra do segundo ciclo, assim como o hospital municipal e a maternidade, a dependência do Banco de Poupança e Crédito (BPC) e as instalações do Comando Municipal da Polícia Nacional.
O hospital e a maternidade, esta última com 25 camas, vão resolver muitos problemas das comunidades do município do Kuimba, cujos habitantes habitualmente se deslocam a Mbanza Congo, na busca de cuidados diferenciados de saúde.
No conjunto dos projectos já executados, a administração municipal do Kuimba, liderada por Fernanda Sumbo Guerra, não se esqueceu dos jovens praticantes de basquetebol. Foi construída uma quadra de jogos para fazer a delícia dos amantes da modalidade.

Casas sociais
 
Quem visitar o Kuimba nos próximos tempos vai encontrar o bairro 10 de Dezembro, periferia da vila, ampliado com mais 200 casas sociais, que estão a ser erguidas pelo governo à luz do programa de fomento habitacional em curso em todo o país.
O nosso jornal verificou no terreno que os trabalhos para a materialização do projecto decorrem sem sobressaltos. Moisés Gomes, engenheiro de obras e proprietário de uma das empresas encarregue da construção de dez residências, a Kuidika-MG, garantiu concluir a obras até 27 de Agosto próximo.
Moisés Gomes confirmou que Kuimba está realmente em franco crescimento, mas reconheceu haver muito por se fazer. No referido bairro decorrem também obras de construção de uma escola com oito salas de aula. A mão-de-obra envolvida na empreitada, constituída maioritariamente por jovens locais, garante o seu empenho para entregar a construção dentro dos prazos estabelecidos.
Outra acção de realce do Executivo que enche de orgulho os munícipes do Kuimba é a construção de 15 casas do tipo T3 no bairro Terra Nova, para os funcionários públicos. O encarregado da obra, António André, é um jovem residente em Luanda e está no Kuimba, onde, ao serviço da construtora Pedra da Esquina, presta o seu contributo no processo de reconstrução nacional.
António André disse ser um orgulho estar a viajar de um canto a outro do país, para reconstruir e construir várias infra-estruturas que estão a contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos seus concidadãos.
A distância que o separa da família não constitui factor inibidor do esforço. António André, que na referida obra controla mais de 20 jovens, aproveitou a conversa com o Jornal de Angola para apelar os demais jovens a se dedicarem a tarefas úteis à sociedade e evitarem comportamentos prejudiciais à boa convivência social.

Novas escolas orgulham alunos

Na Terra Nova, foi igualmente erguida uma escola do primeiro ciclo do ensino secundário com oito salas, onde estudam 908 alunos, 300 dos quais do sexo feminino. A instituição do ensino, que tem uma arquitectura moderna, funciona em dois turnos (de manhã e de tarde).
O director pedagógico da escola, Miguel Narciso, esclareceu que o aproveitamento escolar do primeiro semestre foi positivo e cifrou-se na ordem dos 70 por cento. Os alunos revelaram ao nosso jornal que há anos estudavam debaixo de árvores e em estruturas improvisadas de pau a pique.
Eles foram unânimes em afirmar que as actuais condições contribuem para o melhoramento da sua aprendizagem. Garcia Pedro Manuel, 17 anos e aluno da 9ª classe, disse sentir-se feliz por ter a oportunidade de estudar numa escola moderna e devidamente apetrechada, o que em tempo de guerra era impensável.
“Sinto-me orgulhoso por estudar nesta nova escola. Antes estudávamos em condições péssimas, mas, graças ao governo, no nosso município já temos alunos a estudarem em salas de aula”, disse.
Garcia Pedro Manuel, que pretende ser professor no futuro, exortou os outros meninos a estudarem, porque a formação traz muitos benefícios ao homem, para além do respeito que a pessoa granjeia na sociedade. “O Kuimba está a mudar, os jovens estão felizes porque o ambiente já é outro, fruto da nova imagem do nosso município”, referiu Kiambi Kuvangi, outro jovem de 27 anos de idade, também aluno da 9ª classe na escola do primeiro ciclo do ensino secundário.
Situado a cerca de 70 quilómetros de Mbanza Congo, o município está verdadeiramente transformado num canteiro de obras, com a projecção de equipamentos sociais, no quadro do programa do Executivo de combate à pobreza através do desenvolvimento sustentado das comunidades rurais e das comunas.
A administradora municipal do Kuimba, Fernanda Sumbo Guerra, explicou que as infra-estruturas que o município beneficiou, algumas em construção e outras já concluídas, aguardando apenas pela inauguração, resultam dos orçamentos do governo provincial e da administração municipal.
Fernanda Sumbo Guerra acrescentou que o seu pelouro vai continuar a trabalhar no sentido de transformar o Kuimba numa boa vila para se viver.
No domínio da energia eléctrica, a administradora assegurou que grande parte das habitações está ligada à rede eléctrica, que recebe energia de um grupo gerador.
Outro grupo gerador serve a rede de iluminação pública. A distribuição de energia pode ser considerada satisfatória, disse.

Tempo

Multimédia