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Mandioca e hortícolas aumentam rendimentos

Filipe Eduardo |

A Direcção Provincial da Agricultura do Zaire vai desenvolver projectos para o aumento da produção de mandioca, cultivo de hortícolas e de irrigação, com o objectivo de combater a pobreza e proporcionar mais emprego e mais fartura alimentar.

A Direcção Província da Agricultura do Zaire vai desenvolver projectos para o aumento da produção de mandioca, cultivo de hortícolas e de irrigação, com o objectivo de combater a pobreza e proporcionar mais emprego e mais fartura alimentar.
 Uma nova rede de irrigação para fomentar a produção de hortícolas vai nascer no Cuimba. Os camponeses ficam com capacidade para prodzir produtos alimentares que vão melhorar a sua dieta alimentar e ainda permitem exportar os excedentes.
O director provincial da Agricultura da província do Zaire, Paixão Esteves, anunciou os três projectos durante o fórum de jovens empreendedores que decorreu na cidade do Soyo sob o lema “Juventude empreendedora desenvolvimento garantido”, organizado pela JMPLA.
Paixão Esteves está optimista quanto ao sucesso da iniciativa e convidou a juventude a fazer parte do projecto. As terras férteis da província do Zaire permitem, a curto prazo, aumentar a produção de mandioca, que é a base da alimentação das populações locais e o principal produto do campo que está a ser exportado para o grande mercado de Luanda
A Direcção Provincial da Agricultura está a trabalhar para combater os baixos rendimentos na produção de mandioca verificados nos últimos anos, motivados por uma doença.
Os camponeses, nos últimos anos, viram as suas lavras produzir menos do que o habitual, devido  à utilização de estacas de mandioqueira trazidas do Baixo Congo, onde existe uma praga que devasta as plantações.
A solução passa pela substituição das variedades trazidas há muitos anos da República Democrática do Congo por outras testadas nos centros de multiplicação de sementes do Instituto de Investigação Agronómica.
As novas variedades são resistentes às secas e às doenças. Os técnicos conseguiram produzir estacas de mandioqueira resistentes à doença e que se reproduzem em situações de forte estiagem. O clima na província do Zaire tem sido caracterizado por longos períodos sem chuvas.
O projecto vai ser desenvolvido nos três municípios produtores de petróleo, Soyo, Tomboco e Nzeto, numa área de 75 hectares, 25 hectares por município. Nesta primeira fase, os camponeses têm apoio técnico da Direcção Provincial de Agricultura que estão a fornecer as estacas resistentes à seca e às doenças que devastam as lavras.
Depois do cultivo dos 25 hectares em cada município, os técnicos vão fazer uma avaliação dos resultados da produção e posteriormente, se forem positivos, são alargados os campos de cultura nno Nzeto, Soyo e Tomboco.
O projecto contempla também o cultivo do feijão e da ginguba, multiplicação de estacas e de várias sementes, por técnicos que vão ser treinados pela Direcção Provincial da Agricultura, para posterior distribuição a potenciais produtores.
Avaliado em 697 mil dólares, o projecto é financiado pela empresa de produção de gás Angola LNG e seus associados, e tem como objectivo substituir o mandiocal com doenças por variedades resistentes.
A insistência na cultura da mandioca tem a ver com o facto da província do Zaire estar situada próxima do Baixo Congo, uma região cujas características climáticas e o regime alimentar são parecidos.
Paixão Esteves afirma que não se pode valorizar a cultura da mandioca com as variedades existentes, que a qualquer momento são atacadas pelas doenças.
O técnico defende a necessidade de aumentar os rendimentos dos camponeses, mas para tal é preciso incentivar o trabalho das cooperativas, porque o trabalho manual que os produtores desenvolvem é precário. As cooperativas permitem encontrar soluções para a mecanização dos solos e obtenção de empréstimos. Daí a necessidade do surgimento do projecto, pequeno, mas de grande impacto social.
A produção nos primeiros três anos é de 250 a 300 toneladas de mandioca, oito a 13 toneladas de feijão e ainda  seis a oito toneladas de ginguba.

Falta de quadros />
O reduzido número de quadros de nível médio na província do Zaire está a dificultar a execução rápida do projecto, lamenta Paixão Esteves. Devido à ocupação militar que a província sofreu, as escolas do nível médio e superior só agora começaram a funcionar.
A solução é recrutar técnicos que estão a ser formados nas escolas agrárias de outras províncias e que não têm capacidade para absorver todos os estudantes formados. Outra solução é recorrer à ajuda das Organizações Não Governamentais que habitualmente fornecem técnicos especializados.
Paixão Esteves diz que é exíguo o número de quadros agrários na província. Há alguns quadros de nível médio que funcionam nas estruturas de base, mas faltam técnicos que processem a informação. Essa ligação aos camponeses é fundamental para a execução do projecto em todas as vertentes.
A titulo de exemplo, Paixão Esteves refere que a Direcção Provincial da Agricultura tem um técnico superior e dois quadros médios que ao longo do tempo foram ganhando outro estatuto, mas que não conseguem corresponder às exigências reais da Agricultura.
Uma província onde mais de 90 por cento da população se dedica à agricultura e tem milhares de hectares de terra férteis precisam de mais quadros técnicos. Aqueles que existem nem sequer são suficientes para um dos municípios seleccionados para o projecto.
A carência de quadros é a primeira razão que faz com que o programa não seja executado a cem por cento, de uma só vez, mas sim de forma faseada.

Cultivo de hortícolas

Um projecto de cultivo de hortícolas na localidade de Calabassa, município do Nzeto, está a ser assegurado por 30 famílias repatriadas da República Democrática do Congo, e que no país de acolhimento se dedicavam à horticultura.
O objectivo do projecto, que vai ser instalado numa área de sete hectares e está avaliado em 173 mil dólares, é abastecer com produtos hortícolas os diversos mercados das cidades da província com maior concentração populacional, Mbanza Congo e Soyo.
Para além de ser uma forma de ganhar dinheiro, potencia os produtores locais. A materialização dos projectos visa viabilizar o surgimento da indústria de transformação de hortícolas.
A preparação de terras de forma isolada, onde cada produtor prepara o seu espaço, tem originado problemas na produção.
 Paixão Esteves defende que sejam criadas condições para que a preparação da terra seja feita em conjunto. Daí a necessidade do surgimento de cooperativas, sem intenção de abortar as iniciativas isoladas. “É necessário preparar condições para uma melhor agricultura”, disse Paixão Esteves.

Projecto de irrigação

Uma área de cinco hectares, na localidade do Cuimba, 70 quilómetros a norte da cidade de Mbanza Congo, vai ter uma rede de irrigação esta estrutura permite auemtar a produção de hortícolas.
  O projecto tem a duração de 60 meses, sendo 15 de preparação da documentação e 45 para formação do pessoal e vai proporcionar muitos postos de trabalho aos jovens da localidade do Cuimba e de outros pontos da província do Zaire. O sucesso do projecto depende da melhoria das estradas, para atingir uma produção anual de 17 toneladas de milho em duas campanhas agrícolas, seis toneladas de soja, 17 mil toneladas de milho, duas mil toneladas de ração de gado, duas mil aves e a montagem de um matadouro avícola.
  O projecto contempla ainda a montagem de instalações de secagem de cereais, cinco silos com capacidade de cinco mil toneladas por unidade e um aviário para 270 aves.
 Aconstrução de uma estação de bombagem para irrigação e fornecimento de água potável, uma escola e um posto de saúde fazem parte do projecto que, a província do Zaire vai ganhar.

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