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Mbanza Congo constrói novo hospital

Fernando Neto | Mbanza Congo

As obras de construção do primeiro hospital de nível provincial no Zaire, projecto bastante solicitado pela população da região, começam ainda este mês na cidade de Mbanza Congo, sede capital da província do Zaire, anunciou ao Jornal de Angola o director provincial da Saúde, João Miguel Paulo.

Uma nova unidade hospitalar vai juntar-se às já existentes e oferecer serviços clínicos em várias especialidades com equipamento moderno que vai permitr o estudo das doenças que mais afectam as populações da região
Fotografia: Adolfo Dumbo| Mbanza Congo



As obras de construção do primeiro hospital de nível provincial no Zaire, projecto bastante solicitado pela população da região, começam ainda este mês na cidade de Mbanza Congo, sede capital da província do Zaire, anunciou ao Jornal de Angola o director provincial da Saúde, João Miguel Paulo.
O empreendimento está orçado em 40 milhões de dólares. Os trabalhos de construção do hospital provincial estavam aprazados para Maio último. O atraso do início das obras é atribuído a acertos de conformação à realidade angolana, pelo Ministério da Saúde, do projecto, concebido por uma construtora chinesa.
Falando à nossa reportagem, o director provincial da Saúde afiançou que o novo hospital será construído na aldeia de Nkunga Paza, a cinco quilómetros da cidade de Mbanza Congo, e terá todos os serviços básicos assistenciais, com realce para os de apoio aos diagnósticos, tratamento e reabilitação física de pacientes.
De acordo com João Paulo, na fase funcional do novo hospital provincial serão realizados trabalhos de pesquisa ambulatória no seio das comunidades, para averiguar e despistar doenças endémicas que afectam constantemente as populações.
“Patologias como a malária, febre tifóide, xistomiase e tripanossomiase vão merecer estudos exaustivos para que possam deixar de infectar todos os dias milhares de habitantes da região e assim diminuir as enchentes nos hospitais locais”, disse João Miguel Paulo.
O hospital provincial, referiu, vai ser equipado com serviços clínicos de especialidade, como reumatologia, hematologia, pneomologia, infecciologia, cirurgia pediatria, otorrinolaringologia, estomatologia, neonatologia, nefrologia, imagiologia, queimados, assistência social e psicologia clínica. No recinto adjacente ao novo hospital provincial será construída uma Escola de Enfermagem de nível Médio.
O sector da saúde tem merecido atenção especial por parte do governo provincial na construção de novos postos médicos a nível das comunas e no fornecimento de medicamentos e transportes.

Hospitais municipais

Na província do Zaire existem actualmente 79 unidades sanitárias, algumas das quais aguardam por inauguração. Para além dos estabelecimentos sanitários construídos recentemente, o governo do Zaire leva a cabo trabalhos de restauração e requalificação do hospital municipal de Mbanza Congo. Os hospitais municipais do Kuimba, Nóqui, Soyo e Tomboco já foram requalificados. Apenas o último aguarda pelos apetrechos.
João Miguel Paulo pontualizou ainda que independentemente da requalificação dos actuais estabelecimentos sanitários de Mbanza Congo, Kuimba e Soyo, os três municípios atrás referidos terão novos hospitais municipais, construídos à luz das novas exigências mundiais de um hospital adequado à categoria municipal.
As obras do novo hospital municipal de Mbanza Congo estão a 80 por cento finalizadas. O prazo de conclusão da obra está previsto ainda para este mês. A unidade hospitalar vai ter 70 camas para internamento, além de congregar lavandarias e refeitórios. Duas residências geminadas para o alojamento dos médicos estão igualmente a ser construídas no local.
“O actual hospital municipal de Mbanza Congo funciona numa estrutura adaptada e imprópria para actividade sanitária, por isso, o governo provincial gizou um plano para a construção do novo hospital municipal, localizado no Bairro 11 de Novembro, e cujas obras estão na fase final. A ideia é oferecer à população melhor qualidade de serviços médicos e medicamentosos”, explicou.
No município do Soyo foi construído um novo edifício hospitalar na zona adjacente ao hospital municipal, aguardando apenas os respectivos apetrechos para a sua inauguração, disse o médico.
Erguido de raiz, o edifício foi construído com o apoio do Projecto Angola LNG. A estrutura está equipada com 185 camas, contra as 76 que existem no antigo centro hospitalar. A população local poderá contar com serviços de medicina, infecciologia, serviços gerais, unidade de internamento, laboratório e maternidade moderna.
“Este hospital possui equipamento de ponta em termos de saúde. Vamos recrutar também pessoal novo bem preparado, para garantir o adequado manuseio dos novos equipamentos”, referiu João Miguel Paulo, para quem dos antigos quadros da saúde funcionarão no novo hospital os que demonstrarem destreza e habilidades aprovadas. “Vamos intensificar o trabalho de sensibilização da população em relação aos cuidados que a população deve observar com o património público”, frisou.

Quadro epidemiológico

O quadro epidemiológico da província do Zaire é dominado actualmente pela malária. No primeiro trimestre deste ano, um total de 49 óbitos por malária foram registados em toda a província, dos 27 mil 286 casos confirmados com a doença. O município do Soyo é a região mais visada pela doença, devido às características geomorfológicas que apresenta. Trata-se de uma vila cercada pelo mar e pelo rio Zaire que, ao desaguar, as suas águas provocam várias ilhotas e condições propícias para a reprodução das larvas dos mosquitos.
Segundo o responsável, depois da malária seguem-se os traumas provocados por acidentes de viação, que aumentaram nos últimos tempos devido a melhoria das estradas na região.
O entrevistado aludiu que alguns usos e costumes da população continuam a impedir a diminuição das mortes por doenças facilmente curáveis, principalmente crianças e idosos. João Paulo frisou que a maior parte dos doentes que chegam às unidades sanitárias públicas apresentam estado avançado da doença, por permanecerem alguns dias em casa com tratamentos tradicionais.

Balanço

Há três anos à frente dos destinos da direcção da Saúde no Zaire, João Miguel Paulo afirmou que mudaram muitos aspectos no sector que dirige. Realçou o maior acesso por parte dos quadros da saúde à formação superior fora da província e apontou a melhoria da gestão dos serviços e aumento do número de recursos humanos no sector, o que permitiu reduzir significativamente a quantidade de transferências que fazíamos para Luanda.
 Agora temos soluções locais para raio X, para tratar fracturas, para realizar operações urgentes. “Ao invés da população deslocar-se massivamente para tratamento na RDC, alguns dos nossos vizinhos passaram a procurar os nossos hospitais no município do Nóqui, por exemplo”, disse, reafirmando que tudo são mudanças positivas que o sector registou.
 O responsável fez saber que todas as unidades construídas na região, tanto no âmbito dos cuidados primários de saúde ou do Programa de Combate à Fome e à Pobreza, estão a garantir um serviço de saúde de proximidade a altura das necessidades das populações.

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