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Mbanza Congo organiza sector eléctrico

João Mavinga e Fernando Neto /Mbanza-Congo

A Empresa Nacional de Electricidade (ENE) passou a gerir todo o património energético da cidade de Mbanza Congo, tendo em vista melhorar as cobranças aos consumidores e terminar com o défice de fornecimento de energia eléctrica.

A rede de distribuição vai ser estendida aos bairros periféricos da cidade
Fotografia: Adolfo Dumbo

 
A Empresa Nacional de Electricidade (ENE) passou a gerir todo o património energético da cidade de Mbanza Congo, tendo em vista melhorar as cobranças aos consumidores e terminar com o défice de fornecimento de energia eléctrica.
O protocolo assinado, há nove meses, entre o governo da província e a ENE refere que compete a esta empresa a organização do processo de legalização e registo dos consumidores e a cobrança mensal da energia eléctrica.
Estas e outras medidas surgem em consequência dos graves problemas que a cidade de Mbanza Congo e arredores enfrenta quanto ao fornecimento de energia eléctrica devido à ausência de uma rede eléctrica capaz de satisfazer a procura.
Na cerimónia do anúncio da entrada em vigor do acordo, realizado no início do mês, o subdirector da ENE no Zaire, Rui Bastos, referiu que o processo de legalização e registo dos consumidores envolve, também, a realização de inspecções regulares das instalações eléctricas nos domicílios para “evitar que hajam danos na rede de distribuição”, que vai “beneficiar de uma profunda reestruturação devido à existência de ligações anárquicas”.
“No acto da legalização, os cidadãos devem fazer-se acompanhar de fotocópias do Bilhete de Identidade, do atestado de residência e de um recibo de pagamento bancário, cujo valor estipulado é de 6.050 kwanzas”, declarou.
Rui Bastos afirmou que para os consumidores que possuam vários electrodomésticos em casa, como ar condicionados e máquinas de lavar, o valor a pagar é mais elevado. “Por isso é que o recenseamento que está a ser feito consiste, essencialmente, no registo dos electrodomésticos existentes em cada casa”, aclarou.
Rui Bastos anunciou que, no próximo ano, a ENE vai instalar lojas de proximidade nos bairros periféricos de Mbanza Congo para facilitar a vida dos que pretendam aceder aos serviços da empresa de electricidade.
“Existem, em carteira, projectos de extensão da rede eléctrica, de baixa, média e de alta tensão e iluminação pública, para os bairros periféricos, que aguardam apenas por financiamentos”, disse.
O subdirector da ENE pediu compreensão para a situação, porque, frisou, a “cobrança do consumo de energia vai atenuar os gastos do Governo e contribuir no aumento da capacidade de produção e distribuição de energia eléctrica”.  

Administração

O administrador municipal de Mbanza Congo, Ângelo dos Passos, em representação do governador provincial do Zaire, Pedro Sebastião, afirmou que o trabalho agora iniciado pela ENE na região vai fazer com que o fornecimento de energia eléctrica abranja, cada vez mais, a periferia.
Ângelo dos Passos sublinhou que se abre uma “nova página” em Mbanza Congo e que as pessoas devem estar conscientes que a energia, em qualquer parte do mundo, é paga e que, por isso, os munícipes devem contribuir, mensalmente, em função da quantidade consumida.
  
Condomínio sem energia
 
O complexo residencial “15 casas”, composto por 31 fogos, tipo T2, está, há dois meses, privado de energia eléctrica devido a uma avaria no alternador de potência do grupo gerador que assegura o fornecimento ao condomínio. Como alternativa, os moradores compraram os chamados geradores caseiros, o que provoca um barulho ensurdecedor.
O director provincial de Energia e Águas do Zaire, Luís Amaro, explicou que o problema vai ser resolvido logo a peça avariada chegue, de Luanda, da reparação.
Os bairros Martins Kidito e Álvaro Buta também estão sem energia eléctrica. Neste caso, há três semanas, por se terem avariado os geradores.

Abastecimento de água

A par das dificuldades energéticas, os condóminos das “15 casas” estão, também, sem água potável. A situação já se arrasta há dois anos, o que obriga os moradores a comprar água transportadas em carrinhas. O bidão de 20 litros custa entre cem a 150 kwanzas.
 Em alguns bairros periféricos, a situação, quanto à água potável, não é melhor. Tudo porque há poucos chafarizes e alguns foram danificados, como acontece no bairro Madungo, onde o bidão de 20 litros de água custa, agora, cem kwanzas.
Há, também, o caso de três combinados - lavandaria, chafarizes e balneários - inaugurados por ocasião das festividades de 4 de Fevereiro, na localidade de Bela Vista, Ngoma e no Bairro 4 de Fevereiro, arredores do município de Mbanza Congo, que apresentam uma imagem desoladora. O projecto, financiado pelo Fundo de Apoio da Gestão Municipal, custou em 22 milhões de kwanzas,
 “Devemos conservar os fontanários, de modo a que o Estado possa prestar atenção a outros bens que estão por se realizar na região, como reabilitação e construção de escolas, postos médicos e a requalificação da estrada que liga estes bairros à cidade”, disse o administrador municipal.
Devido a estes actos de vandalismo, registam-se enormes filas de pessoas nos chafarizes ainda em funcionamento. Alguns, para evitar isso, optam pelos rios Santa e Lueje, cuja água é inadequada para o consumo por não ser tratada e outros recorrem aos camiões cisternas que se dedicam à venda de água na cidade.
   
 

 

 

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