Províncias

Mulheres batalhadoras em cargos de direcção

Kayila Silvina | Mbanza Congo

Em Mbanza Congo, mulheres também existem que desempenham cargos de responsabilidade no aparelho do Estado e não só. Prova eloquente disso é Maria Helena Domingos, de 43 anos, a comandante da Polícia Nacional do município de Mbanza Congo.

Maria Helena Domingos é exemplo de entrega abnegada ao trabalho e às lides da casa

Em Mbanza Congo, mulheres também existem que desempenham cargos de responsabilidade no aparelho do Estado e não só. Prova eloquente disso é Maria Helena Domingos, de 43 anos, a comandante da Polícia Nacional do município de Mbanza Congo. Com 22 anos ao serviço da Polícia, a responsável tem 10 anos de experiência à frente de esquadras em Luanda.
Nessa nobre tarefa, como afirmou, “bebeu” ensinamentos que lhe permitem hoje estar em condições de gerir e controlar o estado da criminalidade a nível da cidade de Mbanza Congo, município que, segundo ela, respira tranquilidade, graças a colaboração da população e dos seus companheiros.
Mãe de três filhos, Maria Helena Domingos tem a patente de superintende. Diz ser difícil conciliar as tarefas domésticas, as obrigações com a família e como dona de casa, com a dedicação ao serviço policial. Falando do género e da emancipação da mulher, Maria Domingos disse que a mulher tem de mostrar do que é capaz para merecer o voto de confiança na sociedade.
“Não é tarefa fácil, porque na convivência laboral não é pacífico alguns homens aceitarem ser chefiados por uma mulher, mas temos procurado sempre dialogar e fazer cumprir as tarefas” - enfatizou.
No Zaire, segundo ela, é notória na corporação a presença de mulheres no ramo policial, engajadas nas actividades de patrulhamento para o combate à criminalidade, cujo balanço do cumprimento das obrigações elogiou.
A responsável lançou um veemente apelo às mulheres novas e agentes da corporação no sentido de cultivarem virtudes como a disciplina e a assiduidade nos serviços, por formas a cumprir com zelo as responsabilidades a si incumbidas. Para ela a sociedade civil e as autoridades tradicionais devem colaborar na denúncia de casos suspeitos que criam dissabores nos bairros.
Outra mulher que ocupa cargo de direcção no Zaire, é Maria Amélia Ramalho, que responde como secretária do Gabinete de Apoio ao Círculo Eleitoral provincial dos deputados do Zaire. Estudante do 3º ano do curso de psicologia em Mbanza Congo, a interlocutora, com 56 anos de idade, diz ser mãe de seis filhos.
Conta que de 1977 a 1987 deu início a carreira de professora, no município do Soyo e Mbanza Congo. Maria Amélia Ramalho deseja ver a mulher angolana, em particular da província do Zaire, cada vez mais a ocupar cargos de direcção. Aconselha as mulheres a apostarem nos estudos e no mercado de trabalho para a conquista de respeitabilidade e reconhecimento na sociedade.

Violência doméstica

Isabel Lukeni é directora provincial em exercício da Família e Promoção da Mulher. Considera que a mudança de consciência da população feminina no Zaire resulta das sucessivas campanhas de sensibilização e esclarecimentos que a sua instituição, em parceria com os demais organismos, tem vindo a desenvolver.
Orgulhosa pela função que ocupa, Isabel Lukeni, tem dedicado especial atenção ao aconselhamento familiar de maneira institucional para prevenir o registo de casos de violência doméstica na província. Exemplificou que em 2002, falar de violência doméstica na região era algo estranho. “Havia factores culturais que impediam a população de fazer denúncias de casos de agressividade nos lares”, disse.
Vê a missão da mulher como tarefa semelhante a do homem em termos de responsabilidade. “O que o homem faz, a mulher também faz”, disse. Isabel Lukeni substitui no cargo Ana Manifesta, antiga titular da direcção local da Família e Promoção da Mulher. O Zaire registou, de Janeiro a Junho, 173 casos de violência física e psicológica.
“Os casos de violência doméstica a nível da região tendem a diminuir, na medida em que pouco a pouco as pessoas vão despertando para a realidade que está a ser construída no país, de condenação e combate ao fenómeno. Antigamente, como sabéis, os casos do lar não podiam sair, mesmo que fosse de violência que perigasse a vida de outrem”, disse a directora.
O sector do Comércio, Hotelaria e Turismo no Zaire é dirigido por Isabel Fineza Almeida Keba. De trato fácil, a directora provincial do Comércio, Hotelaria e Turismo disse que no início das suas funções foi difícil gerir as responsabilidades à si acometidas, algo em que, como disse, triunfou graças à prestimosa colaboração de colegas.
Para Isabel Keba, a elevação do nível académico constitui premissa indispensável para a conquista de cargos de direcção e não só, para absorver contribuições valiosas no processo de reconstrução nacional. Mais de 30 por cento é a percentagem de mulheres que ocupam cargos de direcção no Zaire.
A directora lembra que nos últimos 10 anos, a região tinha poucas mulheres nos cargos de decisão e chefia. Fruto do aumento do nível de escolaridade, a situação mudou.

Autoridades tradicionais

Bibiana Kwanzambi é, há 15 anos, conselheira do Museu dos Reis do Kongo, local onde decorrem julgamentos tradicionais e se resolvem conflitos de terra, problemas familiares e divergências entre tribos.
A anciã, de 65 anos, valoriza a identidade da mulher, quando confrontada, fundamentalmente, com casos conflituosos que chegam ao Museu para julgamento.
A responsável enalteceu os esforços do governo no combate ao analfabetismo com a construção de centros de formação profissional e escolas, para garantir a formação das futuras gerações.
“Hoje, com a modernização, já temos mulheres piloto, enfermeiras, engenheiras, camionistas, na política e em corgos de direcção e chefia na função pública e no sector privado, o que não acontecia antigamente”, referiu. Acrescentou que, sendo a juventude a base do desenvolvimento de um país, a mulher deve ser protagonista activa no processo de construção de uma sociedade sã e com valores positivos, notou. O Núcleo do Museu do reino do Kongo, em Mbanza Congo, funciona com 25 autoridades tradicionais, nove das quais são mulheres.

Tempo

Multimédia