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Nascente Santa com água imprópria

Miguel Baú | Mbanza Congo

A nascente Santa, localizada no bairro Sagrada Esperança, arredores da cidade de Mbanza Congo, na província do Zaire, está a ser vandalizada por alguns munícipes. Os habitantes locais, quando acarretam água, abandonam resíduos sólidos junto ao reservatório.
O Jornal de Angola constatou, no local, que a população criou na nascente uma autêntica lixeira, facto que constitui um perigo à saúde das pessoas que todos os dias acorrem ali à busca do precioso líquido, consumido por muitos sem o devido tratamento.


A nascente Santa, localizada no bairro Sagrada Esperança, arredores da cidade de Mbanza Congo, na província do Zaire, está a ser vandalizada por alguns munícipes. Os habitantes locais, quando acarretam água, abandonam resíduos sólidos junto ao reservatório.
O Jornal de Angola constatou, no local, que a população criou na nascente uma autêntica lixeira, facto que constitui um perigo à saúde das pessoas que todos os dias acorrem ali à busca do precioso líquido, consumido por muitos sem o devido tratamento.
O reservatório representa, de igual modo, um perigo para as crianças, uma vez que sobem por cima dele para poderem tirar água, correndo o risco de cair no seu interior. As crianças e adultos que ainda introduzem objectos no tanque utilizam os recipientes de banho para acarretar água.
A imagem é desagradável, tendo em conta o estado degradante das tampas do reservatório do antigo sistema de captação da água que, há tempos, servia de reforço à capacidade de fornecimento de água potável à cidade de Mbanza Congo e arredores.
Lito Reis, 22 anos, morador do bairro Sagrada Esperança, chamou a atenção a todos quantos frequentam o local para banho no sentido de pautarem por um comportamento adequado que passa pela observância das normas de higiene, para evitar doenças resultantes do consumo de água imprópria, como a febre tifóide.
Para Nzuzi Disila, 20 anos, doméstica, a solução do problema passa pela fiscalização das autoridades competentes. A interlocutora pediu ainda a intervenção de quem de direito, para a contenção da ravina que ameaça cortar a via de acesso à referida nascente.

Febre tifóide

A província do Zaire registou, no ano passado (2009), 11.324 casos de febre tifóide, revelou ao Jornal de Angola o responsável da secção de Assistência Primária, Higiene e Epidemiologia, da direcção provincial da Saúde no Zaire, Domingos Dilukila.
A fonte, que não avançou o número de vítimas mortais provocadas pela doença no período em análise, referiu que o deficiente saneamento básico e a inobservância das normas de higiene, que passam pelo tratamento de água para o consumo, lavagem das mãos antes e depois das refeições e limpeza dos quintais, estão na base da propagação da doença naquela parcela do território nacional.
“Apelo às pessoas para que quando sentirem febres altas, náuseas, constipação, temperaturas altas, bem como barriga empanturrada, no sentido de se dirigirem a uma unidade sanitária mais próxima”, disse.
Domingos Dilukila sublinhou que a faixa etária mais atingida pela doença situa-se entre os 25 e os 49 anos de idade, como resultado do consumo de água acarretada a partir das cacimbas nos bairros periféricos, onde as chuvas arrastam vários detritos para o seu interior, tornando o líquido impróprio para uso doméstico. 

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