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Novas políticas no campo económico fazem emergir jovens empresários

João Mavinga e Victor Mayala|

Ser empreendedor é um sonho nutrido pelo jovem empresário Adriano Manuel “Dânia”. Natural do Soyo, Adriano Dânia notabilizou-se nos últimos seis anos como um dos potenciais empreendedores na província do Zaire com vocação para o ramo hoteleiro e habitacional, sobretudo na construção de edifícios públicos para serviços. Quebrou o anonimato ao lançar no Soyo uma imponente obra a que convencionou designar de Nempanzu.

Ser empreendedor é um sonho nutrido pelo jovem empresário Adriano Manuel “Dânia”. Natural do Soyo, Adriano Dânia notabilizou-se nos últimos seis anos como um dos potenciais empreendedores na província do Zaire com vocação para o ramo hoteleiro e habitacional, sobretudo na construção de edifícios públicos para serviços. Quebrou o anonimato ao lançar no Soyo uma imponente obra a que convencionou designar de Nempanzu.
O hotel Nempanzu, de quatro estrelas, tem três pisos com 102 quartos, 10 suítes standard e duas presidenciais, restaurantes e salas de conferência, anfiteatro para 250 pessoas, entre outros compartimentos. O empreendimento orçou em 26 milhões de dólares. Desse valor, segundo o seu proprietário, 17 milhões foram adquiridos por empréstimo bancário, quando na altura o capital pessoal era de nove milhões de dólares. Nempanzu apresenta um rico aspecto arquitectónico que suplantou a expectativa dos mussorongos (naturais do Soyo) por representar o actual “cartão postal” da cidade petrolífera. A unidade, que ocupa uma área coberta de 19 mil 752 quilómetros quadrados, está situada à margem de um dos braços do rio Zaire, de onde os hóspedes, tanto nacionais como estrangeiros, desfrutam de um panorama paisagístico ímpar.
Adriano Manuel faz uma análise positiva sobre o empreendedorismo na região e vai dizendo que os empresários locais pretendem dar à cidade uma dimensão especial com investimentos no sector da hotelaria e do turismo, da cultura e do desporto. Para ele, a dimensão do conjunto de obras que tem, resulta do sonho de dar ao Soyo, a terra que lhe viu nascer e que por isso está tatuada no fundo da alma, projecção em termos de desenvolvimento.
Para ele, a província pode dar mais se efectivamente a classe empresarial for dinâmica e se organizar de modo a que os projectos comecem a jorrar com o ritmo pretendido, em virtude de existir muita matéria-prima na região, desde o património natural ancorado no rio Zaire a uma juventude activa e criativa com o parque hoteleiro a começar a dar nas vistas. Adriano Dânia acredita que “qualquer dia o empreendedorismo provincial estará bem cotado no mercado nacional e internacional”.
O empresário é de opinião que a cidade do Soyo tem tudo a ganhar se porventura houver maior abertura ao nível dos bancos e não só, para manter a chama acesa em prol do desenvolvimento do turismo. O hotel dispõe de uma ponte cais que o liga ao rio Zaire e embarcações de recreio que asseguram o transporte dos hóspedes que pretendam fazer turismo na bacia do rio. Adriano Dânia fez questão de explicar que o hotel foi apetrechado com equipamentos e mobiliário de alta qualidade, tem um auditório, piscina, duas cozinhas industriais, serviços de venda de artigos diversos, lavandarias, três bares e parque de estacionamento para 150 viaturas. Nempanzu emprega 132 trabalhadores.

Novos estabelecimentos


No Zaire, para além de Adriano Manuel “Dânia” que se destaca no Soyo, o nome de António Gourgel “Top Gel” é outra referência na capital provincial, Mbanza Congo. Apesar de revolucionar o comércio misto de produtos em lojas, Top Gel destaca-se por reanimar o sector pecuário na província. A sua actividade arrancou em 2010, altura em que importou 350 cabeças de gado a partir da RDC. Garantiu que a intenção é procriar o gado e produzir carne bovina suficiente para os talhos da região.
Pelas esquinas da cidade e na periferia de Mbanza Congo, nascem novos estabelecimentos comerciais como cantinas, lojas, tabacarias, salões de beleza, padarias e escolas de condução. Segundo apurou o Jornal de Angola o surgimento das referidas infra-estruturas deve-se às facilidades agora existentes na aquisição de documentos para a criação de empresas junto das instituições afins.
Nenchimba Miguel Nelembe fundou em 2008 a empresa de prestação de serviços no ramo informático denominada “ANECITE”. Conta que depois de concluir os seus estudos nos EUA, trabalhou por conta própria até conseguir um emprego na ESSO. Mas foi mesmo o empreendedorismo que o cativou e por isso, na primeira oportunidade não vacilou. Visionário, persistiu até concluir o processo de licenciamento da sua empresa em 2008. Atraído pelos constantes convites que recebeu para a reparação de computadores do Governo provincial tomou a decisão de viver no Zaire. Começou por sociedades e abriu um Ciber Café que chegou a evoluir para uma empresa de transportes públicos (autocarros). Actualmente, fruto do capital que angariou, a actividade caminha pelos seus próprios pés. Considerou de virgem o mercado de Mbanza Congo, tendo apostado na venda de material ao hospital provincial, aos municipais do Soyo e Tomboco, bem como na comercialização de vinhos. “Vou abrir em breve mais uma nova loja de venda de material informático. A política do governo é a de impulsionar o surgimento de pequenos e médios empresários e vou aproveitar”, disse.
Para Erica Domingos, proprietária de uma boutique de venda de roupas e calçados para homens e mulheres na rua de Centir, no município do Soyo, a ideia do empreendedorismo surgiu fundamentalmente para dar alento ao negócio e suprir as necessidades que existiam em relação à oferta de roupas e calçado de qualidade.
Erica Domingos defende que a mulher mussoronga, natural do Soyo, é vaidosa e gosta de se apresentar de forma adequada nos locais sociais. Por isso Érica Domingos apostou na boutique para promover o gosto pelo vestuário de qualidade.
Mateus Alberto Malungo é licenciado em administração de empresas. Apoia a iniciativa do Governo, e explica que ser empreendedor traduz-se em criar algo de valor e atrair sucessos, sobretudo ao nível da juventude.
 Para tal, Alberto Malungo defende maior dedicação e esforço por parte dos jovens no sentido de se empenharem em iniciativas que se traduzam em benefícios para a sociedade. Segundo disse, os resultados deste esforço são muitas das vezes a satisfação económica e pessoal.
No seu entender, o empreendedorismo é potenciado pelo Governo porque cria equilíbrio na distribuição de riquezas.
“Quando há consumo, há crescimento e quando há crescimento há riqueza”, concluiu.

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