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O fim da era dos escombros

Jaquelino Figueiredo| Soyo

Os dez anos de paz estão a permitir novas atracções no capítulo da reconstrução.No município do Soyo, a comuna do Sumba, a cerca de 42 quilómetros a Nordeste da cidade, renasce agora dos escombros. A reabilitação e construção de novas infra-estruturas sociais é exemplo disso.

Construção de um poço artesiano na comuna de Sumba para obtenção de mais água
Fotografia: Jaquelino Figueiredo| Soyo



Os dez anos de paz estão a permitir novas atracções no capítulo da reconstrução.No município do Soyo, a comuna do Sumba, a cerca de 42 quilómetros a Nordeste da cidade, renasce agora dos escombros. A reabilitação e construção de novas infra-estruturas sociais é exemplo disso. Com o processo de repatriamento em curso de cidadãos oriundos da RDC, muitos compatriotas experimentam nova vida ao serem reinseridos na vida social.
A comuna do Sumba, a mais próxima da sede municipal, com 1.044 quilómetros quadrados de extensão, é subdividida em 34 aldeias e 24 ilhas. Tem 23 mil e 450 habitantes. O quadro social regista melhorias nos mais variados domínios.
A região reergue-se dos escombros com uma série de obras de reconstrução e construção de raiz, como escolas, postos de saúde, água potável, energia eléctrica e serviços administrativos, incluindo o sector da Capitania.
O administrador comunal do Sumba, Alberto António Londa, apontou os ganhos obtidos ao longo dos dez anos de paz alcançada em 2002, o que, como disse, está a permitir a redução dos índices de pobreza na localidade.
Conta que a região regista avanços nas áreas de educação com a implementação do sistema do ensino desde a iniciação ao segundo ciclo de formação. Ao nível do sector da Saúde, houve também melhorias. Estão em curso obras de construção de novas infra-estruturas, para a assistência médica e medicamentosa aos cidadãos da comuna, que já não faz recurso com frequência à sede do município, quando confrontado com casos preocupantes de saúde.
Abordado sobre a água potável e a consequente distribuição aos habitantes, o administrador comunal negou haver problemas no domínio, uma vez que a região conta com um sistema de captação que assegura o fornecimento do precioso líquido em toda dimensão da comuna do Sumba.
“Apesar de ser um sistema instalado na era colonial, com as manutenções constantes que tem beneficiado, garante-nos água potável suficiente para atender a demanda da comuna”, disse. As vias de circulação que ligam a comuna à sede municipal e vice-versa, constituem a principal preocupação do administrador do Sumba, pelo facto de não facilitarem no escoamento de produtos do campo, já que a região é potencial produtora de bens agrícolas.
“A vida na comuna do Sumba está a ressurgir, mas temos que salientar a questão das vias de comunicação que não estão em condições de facilitar a livre circulação de pessoas e bens”, disse.
A população do Sumba vive da agricultura e da pesca artesanal de subsistência, o que não é suficiente para satisfazer as necessidades da população. As péssimas condições das estradas têm obrigado os munícipes a fazer recurso ao município do Soyo para a aquisição de frescos, como frango, peixe e carne.
No capítulo do comércio, a comuna não dispõe de lojas à altura das necessidades dos habitantes. Há a registar a presença de pequenas cantinas que dão o ar da sua graça. “Existem empresários que se comprometeram a colocar pequenas lojas para abastecer produtos diversos aos habitantes”, frisou dizendo que de momento, está em construção uma bomba de combustíveis, duas lojas em reabilitação e uma livraria.
O outro “bico-de-obra tem relação com a ausência de residências para os funcionários públicos encaminhados para à comuna. O problema tem tirado o sono ao representante do governo no Sumba. “A falta de casas para os funcionários públicos, é outro problema que queremos resolver o mais depressa possível, por levar os funcionários a passarem com frequência os fins-de-semana na cidade do Soyo, onde têm as suas famílias”, frisou.

Educação

O administrador considerou que o sector da Educação na comuna está a caminhar de forma razoável, pese embora haver insuficiências no capítulo dos professores, resultante da falta de residências para os alojar.
A falta de residências para professores tem complicado o curso normal das aulas. Para evitar o pior, alguns funcionários públicos ali destacados, incluindo o próprio administrador comunal, têm contribuído no processo da docência ensinando alunos.
Alberto Londa garantiu que esforços titânicos estão a ser envidados pelos responsáveis da sede do município do Soyo e pelo governo provincial, no sentido de criar infra-estruturas sociais mínimas ao nível da comuna, para permitir a instalação de docentes e garantir uma boa educação às pessoas com idade escolar.
“Com este esforço foi criado, desde 2010, o ensino Pré-Universitário (PUNIV) para que muitos dos jovens da comuna não tenham que caminhar longas distâncias em busca de formação”, sublinhou.
Alberto Londa disse que o governo provincial reabilitou a antiga residência de professores, para evitar as deslocações constantes destes até à sede do município do Soyo, onde têm as suas famílias.
No capítulo de salas de aulas, segundo ele, existe um número suficiente para atender a demanda de alunos na região. “Em princípio temos salas para atender a demanda de alunos da comuna. Só temos problemas nas aldeias de Kimawete e Nvuandembu, onde não conseguimos ainda construir uma escola, mas os meninos estudam em capelas”, garantiu.
Alberto Londa, que não especificou o número de salas existentes na comuna, fez saber que cada aldeia possui no mínimo entre duas a três salas de aulas. “Aqui na sede da comuna temos seis salas para o Iº ciclo, quatro para o ensino primário e três para o 2º ciclo (PUNIV)”, disse.

Sector da Saúde

A assistência sanitária na comuna regista percalços, por haver apenas dois enfermeiros na sede do Sumba, onde está concentrada a maior parte dos habitantes.
A título de exemplo, as aldeias do Wonde e Nzinga têm um enfermeiro que assegura a assistência sanitária e medicamentosa aos cidadãos. Nas aldeias desprovidas de infra-estruturas sanitárias, os cidadãos recorrem a outras próximas, como acontece com Kivemba-NZinga ou Kimawete, ou são encaminhados para a sede da comuna e em última instância para a sede do município do Soyo.
Quantos aos fármacos, Alberto Londa revelou estarem bem servidos, pelo facto de o município apoiar com frequência e por vezes contar com os préstimos da unidade dos fuzileiros navais destacados na comuna, para fazer face às doenças mais frequentes, com destaque para o paludismo.

Energia e água

No concernente a produção de energia eléctrica, a comuna regista há dois meses algumas dificuldades na sequência de uma avaria do grupo gerador de 100 KVA’s.
Segundo o administrador, a comuna não está bem servida desde Março passado, altura em que o grupo gerador começou a apresentar avarias e, como consequência, a região ficou às escuras.
Disse que esforços estão a ser envidados no sentido de solucionar o mais breve possível a questão. “Temos problemas no grupo gerador por causa do elevado consumo de energia eléctrica na região, onde a maior parte dos habitantes possui electro domésticos.
O elevado consumo provocou a avaria da junta de cúpula e segmentos que conseguimos arranjar, mas agora voltou a estragar o turbo que ainda não encontrámos junto das empresas sedeadas na sede municipal”, explicou.
No capítulo da produção e distribuição de água potável à comuna, Alberto Londa disse não haver problemas, uma vez existir um sistema de produção e distribuição do precioso líquido aos habitantes. “Aqui na sede não temos problemas de água. Temos um sistema que data da era colonial que nos fornece água potável por sistema de gravidade”, notou. As localidades do Niossi, Kimawete e Mbuku também enfrentam alguns problemas neste sentido, mas segundo ele, existe um projecto de abertura de furos para ver a questão resolvida.

Telefones

Quanto à comunicação telefónica, a comuna não está conectada com a sede. O sinal telefónico, quer da telefonia Unitel quer da Movicel, não alcança àquela região do município do Soyo. Os habitantes do Sumba dependem do sinal da Vodacom captado a partir da República Democrática do Congo.

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