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Obras na pista estão atrasadas

Victor Mayala | Mbanza Congo

As obras de reabilitação e ampliação da pista do aeródromo da cidade de Mbanza Congo estão atrasadas e os habitantes da região dependem unicamente da via terrestre para se deslocarem a Luanda e outros pontos do país. Os trabalhos começaram em Novembro de 2008 e a sua conclusão está prevista para o próximo mês de Outubro, mas os trabalhos estão paralisados há meses.   reportagem|5

A empreitada está inserida no programa de reestruturação e modernização das infra-estruturas aeroportuárias do país
Fotografia: Adolfo Dumbo| Zaire

As obras de reabilitação e ampliação da pista do aeródromo da cidade de Mbanza Congo, capital da província do Zaire, estão atrasadas e os habitantes da região dependem unicamente da via terrestre para se deslocarem a Luanda e outros pontos do país.
Os trabalhos começaram em Novembro de 2008. O  Jornal de Angola constatou que falta substituir o tapete de asfalto e aumentar o comprimento da pista de 1800 metros para 1930. Falta, igualmente, pavimentar a placa de estacionamento de aeronaves, sinalizar e vedar o espaço circundante ao aeródromo, para impedir o acesso de pessoas e animais. 
As obras estão a cargo da construtora China Road & Bridge Corporation e está prevista a sua conclusão no próximo mês de Outubro, mas os trabalhos estão há meses paralisados.
A empreitada de reabilitação do aeródromo de Mbanza Congo está inserida no plano de reestruturação e modernização das infra-estruturas aeroportuárias do país.
André Daniel, funcionário público e estudante universitário,  disse à nossa reportagem que a falta de voos em Mbanza Congo, está a dificultar a sua formação, na medida em que é obrigado a viajar e de carro para Luanda, para  fazer as provas presenciais. E isso acontece numa altura em que a estrada Mbanza Congo-Luanda ainda apresenta alguns troços críticos.  
“Aguardamos que haja um esclarecimento dos motivos que estão na base da paralisação constante das obras. O tempo vai passando e ficamos sem saber o que realmente se passa. Com a chegada das chuvas vai ser complicado viajar de carro, uma vez que os buracos ao longo da estrada vão aumentar”, disse André Daniel.
António Lusevikueno Luvumbo, 21 anos, também funcionário público, disse que desde o momento em que os aviões deixaram de escalar Mbanza Congo, a vida na cidade ficou mais difícil. Por isso pede às autoridades competentes que façam tudo para que o problema da pista seja ultrapassado ainda este ano.
“Dada a importância do aeródromo na rápida circulação de pessoas e bens, a sua reabilitação tem de ser acelerada, porque é complicado uma região depender única e simplesmente da via terrestre. Se alguém estiver gravemente doente e precisar de evacuação urgente, acaba por morrer no caminho”, disse Álvaro da Silva, 20 anos, funcionário público.
A falta de aviões está a criar dificuldades ao funcionamento das instituições públicas, na medida em que a correspondência com os órgãos de tutela depende da via terrestre, o que é menos célere e eficaz.

Transportes melhorados

O director provincial do Zaire dos Transportes, Correios e Telecomunicações, Jeremias Timóteo, reafirmou o empenho do Governo Provincial em encontrar soluções para ultimar as obras da pista do aeroporto.
“Temos contactos com o Ministério dos Transportes, sobretudo com a direcção da ENANA, que superintende o sector dos aeroportos. Embora as obras de reabilitação da pista estejam relativamente atrasadas, podemos reafirmar o empenho do governo da província para a valorização da capital, Mbanza Congo. Até porque o atraso nas obras afecta a população e o próprio trabalho do Estado na região”, disse.

Atrasos no pagamento

Jeremias Timóteo revelou que o empreiteiro reclama pagamentos atrasados. A paralisação das obras: “esperamos que com as medidas do Executivo em relação às dívidas, os empreiteiros encarregados da execução das obras no aeródromo de Mbanza Congo estejam entre as empresas  a serem contempladas pelos pagamentos”.
Jeremias Timóteo referiu que o sector provincial dos Transportes conheceu, nos últimos tempos, melhorias significativas, com a entrada em funcionamento, a partir de Junho de 2009, de 73 autocarros adquiridos pelo Executivo. O facto provocou a redução dos preços e da procura de transportes por parte das populações.  
O responsável dos Transportes informou, todavia, que na capital da província apenas estão a funcionar cinco autocarros e o transporte público é assegurado pelos táxis dos candongueiros. O sector tem dificuldades operacionais para garantir a  circulação plena de pessoas e bens, devido ao mau estado em que se encontram algumas estradas do interior da província do Zaire.
“Ainda nos debatemos com problemas de estradas para atingirmos os municípios e as comunas. Aquilo que   estabelecemos como plano de tráfego da província ainda não está a ser cumprido a cem por cento. Temos realizado carreiras intermunicipais e intercomunais com muitas dificuldades, sobretudo para atingir os municípios do Kuimba, Nóqui e  Soyo, sem falar de comunas como Kindege, Serra da Kanda e Lufico”, disse.
Jeremias Timóteo deu a conhecer que são realizadas apenas duas viagens por semana de Mbanza Congo para as localidades de Tomboco e Nzeto, devido aos trabalhos de reabilitação da estrada.
Acrescentou que no interior das cidades de Mbanza Congo e  Soyo, a circulação dos autocarros é igualmente penosa, por causa do mau estado das ruas.
Os autocarros sofrem danos consideráveis e já houve casos em que alguns veículos ficaram com o chassis cortado ao meio.
O director provincial dos Transportes, Correios e Telecomunicações do Zaire esclareceu que “em Mbanza Congo, fruto das chuvas constantes, as vias não resistem, deixando nulo todo um esforço desenvolvido pela Direcção Provincial das Obras Públicas e Urbanismo para sua reabilitação”.
O município petrolífero do Soyo tem os mesmos problemas, “o que leva as operadoras de transportes públicos a trabalhar com restrições de rotas”, referiu.
O director Jeremias Timóteo sublinhou que o transporte intermunicipal tem sido realizado, na medida do possível, entre Mbanza Congo e Nzeto, um troço que está entre 60 e 70 por cento asfaltado. O maior problema está na estrada interprovincial Mbanza Congo-Luanda. Aí, existem troços tão degradados, como o de Limbongo a Nzeto, que levam os automobilistas a demorarem horas a fio a transpô-los. 

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