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Petrolíferas investem pouco na área social

Jacquelino Figueiredo | Soyo

O administrador do Soyo disse, a uma delegação de deputados à Assembleia Nacional, que as companhias petrolíferas que operam no município “têm feito muitas promessas na área social, mas não as cumprem”.

Administrador Manuel António
Fotografia: Adolfo Dumbo

O administrador do Soyo disse, a uma delegação de deputados à Assembleia Nacional, que as companhias petrolíferas que operam no município “têm feito muitas promessas na área social, mas não as cumprem”.
O alto volume de investimentos na exploração de petróleo que as multinacionais fazem na região, frisou, não condiz com os investimentos realizados na área social.
Manuel António, que falava diante de uma delegação de deputados do círculo provincial do Zaire, acrescentou que “são quase nulas as acções sociais dessas empresas em benefício da população do Soyo”.
“Aqui, para se construir uma escola de três salas é necessária a participação de cinco empresas petrolíferas”, referiu.
As empresas petrolíferas, acusou, demonstram, pelo seu comportamento, que não querem fazer nada em benefício dos habitantes locais.
A titulo de exemplo, afirmou que os responsáveis do projecto Angola LNG, que visa a exploração de gás natural na região, se comprometeram a investir na área social, em prol da população do Soyo, 80 milhões de dólares, mas que não passaram da promessa.
 “Quando querem ajudar, pegam em 500 dólares e entregam ao hospital municipal, como se esse valor fosse resolver alguma coisa”, protestou.
 “Este tipo de atitude constitui uma brincadeira com a população e mesmo com o governo provincial”, acusou. 
Manuel António disse que a Angola LNG, que se comprometeu a reabilitar um pequeno troço de estrada, movimentou máquinas, obrigou ao encerramento da via, mas que “já lá vão mais de dois meses e os trabalhos não avançam, complicando o trânsito na cidade”. 
 
Crianças fora da escola

Por insuficiência de salas de aulas, o município tem mais de duas mil crianças, em idade escolar, fora do sistema normal de ensino e aprendizagem, revelou o administrador municipal. 
“O município, por si só, por falta de verbas, não está em condições de resolver o problema da falta de salas de aula”, disse, acrescentando:
Existem promessas do Governo e do sector privado de construção de novas salas de aula, mas a sua materialização atrasou-se por causa da crise financeira mundial, afirmou.
Apesar da crise, referiu, foram construídas algumas salas de aula e postos de saúde nas localidades do Pungo, Quelo e Impanga.
Também nas comunas de Mangue Grande e Pedra de Feitiço, concretamente, na aldeia do Mpuelo e na zona do Niossi (Sumba), revelou, estão a ser construídas salas de aula e postos de saúde.
Em fase de conclusão está uma escola, de sete salas, no bairro Nkungue-ye-nguele, na sede do município.
Manuel António também se queixou da falta de professores no município, frisando que “o atraso no pagamento dos salários aos recém admitidos, que já se arrasta há 12 meses, está na base da desmotivação e abandono de docentes no Zaire”.
A maioria dos professores, disse, ingressaram na Polícia Nacional e no sector petrolífero, onde não só ganham melhores salários como os recebem mensalmente.
O administrador considerou difícil o quadro social da região, citando os sectores da saúde, educação, água e energia eléctrica, as vias rodoviárias e a imigração ilegal como os que mais preocupam. 
“O hospital municipal funciona no limite, em termos de instalações, o que obriga, por vezes, à colocação de dois pacientes numa única cama”, disse.
Outro problema que afecta o sector da saúde é a falta de quadros, que já levou ao encerramento de alguns postos de saúde em várias aldeias.
 Para minimizar o problema, em cada um dos postos de saúde das aldeias foi colocado, pelo menos, um enfermeiro.
O Hospital Municipal do Soyo tem 74 camas distribuídas pelas diferentes enfermarias. As instalações são demasiado pequenas para garantir condições de atendimento digno aos pacientes. Por essa razão, o administrador municipal pediu a construção de um estabelecimento maior.

Saneamento deficitário

Manuel António afirmou que o saneamento básico é outro problema da região, revelando que os serviços comunitários dispõem apenas de dois camiões basculantes e de duas pás carregadoras para recolher diariamente cerca de 500 toneladas de lixo.
O município também tem problemas de água potável, pois, disse, apenas 60 por cento dos habitantes são abastecidos por o sistema de captação e distribuição, que data de 1998, ser incapaz de responder à procura.
No domínio da energia eléctrica, sublinhou, a realidade não é muito diferente, na medida em que a construção de nova central eléctrica, com oito grupos geradores a gás, foi interrompida em 2007. 
“Foram colocados três grupos geradores de 2.200 kvas, cada um, que são insuficientes”, declarou, adiantando que “perante os cortes constantes, a população mostra-se relutante em pagar a energia eléctrica que consome”
O administrador queixou-se também aos deputados do mau estado da rede viária do Soyo, lembrando que a chegada, em breve, da época chuvosa, vai acentuar o grau de degradação das vias.
 “A Estrada Nacional nº 111, que liga as províncias do Zaire e Luanda, vai ser um verdadeiro bico-de-obra quando as chuvas começarem”, avisou
A delegação de deputados do círculo provincial do Zaire, encabeçada por Lúcia Maria Tomás, esteve cinco dias no município do Soyo, tendo visitado várias instituições públicas, entre as quais o Hospital Municipal, o Centro Materno Infantil, os Serviços de Migração e Estrangeiros e alguns estabelecimentos escolares.
Os parlamentares estiveram, também, na Emissora Regional da RNA, Direcção Regional Norte da Sonangol Distribuidora, Projecto Angola LNG, 71ª Brigada das FAA, no Nzombo, a 18 quilómetros da sede municipal do Soyo, a estação de captação e tratamento de água, a central eléctrica, os comandos da Polícia de Ordem Pública e Fiscal.

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