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Porto do Soyo vai estar no topo

Jaquelino Figueiredo | Soyo

O plano estratégico do Porto Comercial do Soyo para o triénio 2011/2014 prevê elevar a empresa portuária ao topo do mapa marítimo em Angola.

Fotografia: Jaquelino Figueiredo


O plano estratégico do Porto Comercial do Soyo para o triénio 2011/2014 prevê elevar a empresa portuária ao topo do mapa marítimo em Angola. Para atingir este objectivo, um investimento de 208,7 milhões de dólares vai ser destinado a implementação de vários projectos do plano estratégico esboçado pela referida empresa.
O presidente do conselho de administração do Porto Comercial do Soyo, Abel Paulo, disse à nossa reportagem que a dinamização das actividades portuárias para a sua ascensão no topo do mapa marítimo angolano passa pela melhoria e extensão do actual cais comercial, com 200 metros de comprimento, para 500 metros. A ideia é melhorar as manobras dos operadores económicos na actividade portuária. O plano estratégico 2011/2014 enquadra-se nas acções do Ministério dos Transportes, tendentes a modernização de todos os serviços portuários a nível do país, de acordo com o programa do Executivo de diversificação da economia nacional.
Numa primeira fase, o conselho de administração elegeu alguns projectos considerados bastante importantes para guindar o Porto Comercial do Soyo aos primeiros lugares do mapa marítimo de Angola, onde se destaca a construção dos terminais fluviais dos municípios do N’Zeto, Nóqui e da comuna da Pedra do Feitiço (Soyo), no âmbito da rede de cabotagem do Norte de Angola. A construção de um terminal de cabotagem na cidade do Soyo faz igualmente parte das principais tarefas a executar até 2014, no sentido de conferir outra dinâmica às actividades portuárias.
As obras em curso de construção de um Porto seco com 15 hectares de extensão, na zona do campo oito, a cerca de 15 quilómetros da cidade, constam também do plano estratégico 2011/2014 da empresa portuária. A acção visa projectar o futuro dinâmico que se avizinha com a crescente actividade petrolífera e de gás natural liquefeito na região.
A aquisição e instalação de meios informáticos no edifício sede da empresa portuária, a construção de residências de função para os membros do conselho de administração e de uma casa de passagem, constam dos projectos em carteira para o triénio 2011/2014. A reabilitação e construção de novas infra-estruturas portuárias no município de Nóqui, a Nordeste da província do Zaire, são outros objectivos a concretizar pela empresa portuária do Soyo até 2014.
A outra grande aposta do Porto do Soyo tem a ver com a formação de recursos humanos, segundo Abel Paulo, pelo facto de serem os principais promotores de qualquer crescimento económico pretendido na sociedade ou empresa.
De acordo com o presidente do conselho de administração do Porto do Soyo, para a prossecução das acções previstas no referido plano estratégico, contam com a contribuição do Ministério dos Transportes, uma vez que a empresa que dirige não possui ainda capacidade financeira necessária para implementar todas as acções inscritas naquele dossier.
O município do Soyo dispõe de um porto extenso de águas profundas, subdividido em três áreas, cuja exploração está a cargo de três empresas diferentes. A primeira área foi concedida à zona industrial da Base do Kwanda, cujos direitos de exploração estão sob tutela da empresa Kwanda, Lda., onde é processada a maior parte da actividade portuária da região, tendo em conta a intensa acção petrolífera da província do Zaire.
Na segunda área, os direitos de exploração foram concedidos à empresa Petromar, onde fabrica diversos equipamentos para a actividade petrolífera, ao passo que a terceira, de 200 metros de comprimento, está sob jurisdição do Porto Comercial do Soyo, cujas actividades são superadas pelos primeiros em termos de volume de trabalho de carregamento e descarga de mercadorias.

Prejuízos

A independência das actividades portuárias da Base do Kwanda e Petromar tem estado a causar prejuízos financeiros ao Porto Comercial do Soyo, daí a necessidade de reavaliação das referidas concessões de que são concessionárias aquelas empresas (Base do Kwanda e a Petromar).
“Estas concessões foram negociadas num contexto político-económico completamente ultrapassado e, portanto, é de todo justo que as compensações para o Porto do Soyo possam ser revistas, com o objectivo de introduzir critérios de maior racionalidade económica e equidade na partilha dos resultados provenientes da concessão dos activos pertencentes ao Porto Comercial do Soyo”, acrescentou Abel Paulo.
De acordo com Abel Paulo, o Porto Comercial do Soyo depende da ajuda orçamental que recebe do Ministério dos Transportes, situação que pode ser invertida progressivamente e tornar-se auto-suficiente financeiramente, caso as referidas concessões sejam revistas.
“A empresa portuária do Soyo estará à altura de financiar todos os investimentos inerentes à melhoria da sua actividade, caso seja encontrada uma plataforma de entendimento que conduza à revisão das rendas em cada uma das concessões citadas”, disse. Segundo afirmou, de outro modo, o seu pelouro continuará a viver asfixiado financeiramente e impedido de executar na prática os projectos previstos no plano estratégico. Para ele, a situação exige bom senso nas negociações a encetar entre o concedente do Porto do Soyo e as empresas concessionárias, no sentido de efectuar uma reavaliação justa e uma repartição equitativa dos rendimentos das concessões.
Garantiu que o Porto do Soyo tudo fará para levar a bom termo a implantação dos projectos com vista a alteração completa do seu quadro económico e financeiro, conferindo-lhe capacidades acrescidas para executar autonomamente, após aprovação da tutela, do programa de investimentos para o triénio em curso.

Balanço

O Porto Comercial do Soyo registou, de 2009 a 2011, avanços nas suas contas orçamentais, segundo o balanço referente ao exercício financeiro do período em causa. De acordo com Abel Paulo, o sector que dirige verificou, em 2009, um movimento global de 2.027 navios, quer nacionais quer estrangeiros, que resultaram em cerca de 44,8 milhões de toneladas de carga normal e 4.489 contentores movimentados. Em 2010 foram registados 2.231 navios e 131.413 toneladas de mercadoria não contentorizada e 950 contentores, ao passo que em 2011 a empresa portuária do Soyo registou uma queda no número de navios na ordem de 1.995.
Disse que houve uma compensação no volume do tráfego que registou uma subida na ordem de 240.634 toneladas de carga normal e 3.003 contentores movimentados que tiveram reflexo positivo nas receitas da empresa. Daí que no exercício financeiro 2009 aquela empresa facturou 124,9 milhões de kwanzas e 256,3 milhões arrecadados em 2010. Em 2011 as receitas do Porto cifraram-se em 309,5 milhões de kwanzas.
De acordo com ele, comparativamente ao período anterior, os indicadores económicos e financeiros da empresa que dirige registaram uma melhoria significativa na ordem de 10,5 por cento, o que considerou ser uma evolução positiva.

Pesca artesanal

O Soyo é tido como uma potência em termos de pesca artesanal, tendo em consideração a presença do imponente rio Zaire que circunda a região, conferindo assim o domínio da arte aos seus habitantes. Com base nesta perspectiva, o conselho de administração do Porto do Soyo vai construir um cais, no sentido de dinamizar a pesca nos próximos tempos. De acordo com Abel Paulo, a empresa que dirige projectou a construção de um cais para apoio à actividade da pesca artesanal, no sentido de reduzir as dificuldades por que passam os pescadores na região.
A concretização do referido projecto é caracterizado como sendo importante para a região, uma vez que a maioria dos habitantes do município do Soyo depende da pesca para sustento das suas famílias, frisou.
 
Negócios

Com o objectivo de diversificar a actividade em áreas complementares do negócio portuário, o conselho de administração do Porto do Soyo prevê a construção de duas unidades hoteleiras a nível da província, uma a ser erguida no município do Soyo para o apoio à indústria petrolífera e não só, e outra no Nóqui, com vista a criar condições de hospedagem para todo o homem de negócios, comerciantes e turistas provenientes da RDC.
A construção de uma unidade hoteleira no município do Nóqui, segundo fez saber, vai ao encontro das potencialidades da RDC, mercado que considerou promissor a curto e a longo prazos, tendo em conta o crescimento acelerado do comércio transfronteiriço que se assiste de um tempo a esta parte naquela região.
A construção de um terminal para escoamento de minerais, concretamente o cobre, a explorar nas minas de Mavoio, município de Mbanza Congo, é um outro projecto estruturante para a fortificação da economia da província, uma vez que vai proporcionar postos de trabalho para muitos jovens da região e diversificação das fontes de receitas da empresa.
Segundo o presidente do conselho de administração da empresa, para o escoamento daquele mineiro seria ideal a construção de uma linha ferroviária destinada a assegurar o transporte desde o local de exploração (Mbanza Congo) até ao Porto do Soyo, onde vai posteriormente ser exportado para o mercado internacional.
Outro projecto que consta do plano estratégico da empresa portuária do Soyo tem a ver com a construção de uma Marine de recreio para o estacionamento de pequenas embarcações turísticas. A sua concretização, como fez saber, vai dinamizar o turismo na região, atendendo a exuberância dos afluentes do rio Zaire que rodeia a região.

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