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Povoação do Loge Pequeno sai do isolamento

Victor Mayala | Loge Pequeno

A população do Loge Pequeno, uma povoação encravada entre os rios Loge e Lué, na comuna de Muserra, município do Nzeto, província do Zaire, não tem agora que fazer grandes marchas a pé ou recurso a frágeis canoas para chegar à sede municipal.

A ponte metálica sobre o rio Loge inaugura uma nova era na circulação rodoviária local
Fotografia: Adolfo Dumbo

 
A população do Loge Pequeno, uma povoação encravada entre os rios Loge e Lué, na comuna de Muserra, município do Nzeto, província do Zaire, não tem agora que fazer grandes marchas a pé ou recurso a frágeis canoas para chegar à sede municipal.
A montagem de duas pontes sobre os dois rios permite que a circulação de pessoas e bens entre Loge Pequeno, Muserra e Nzeto se faça hoje sem já as dificuldades vividas pelas populações desde o longínquo ano de 1975, altura em que as duas pontes foram destruídas e a estrada ficou intransitável.
Marco importante para a vida da população do Loge Pequeno, o governador da província do Zaire, Pedro Sebastião, fez questão de ir pessoalmente à região para proceder à inauguração das duas pontes e proceder à abertura da circulação ao trânsito automóvel do troço Loge Pequeno-Muserra-Nzeto.
Reconstruídas pela empresa Mota-Engil, num período de 60 dias, as duas pontes, uma de 96 e outra de 42 metros de comprimento e ambas com quatro metros de largura, estão concebidas para suportar até 30 toneladas de carga.
No acto da inauguração foi lançado um apelo aos automobilistas para que respeitem a capacidade de carga das duas pontes, de modo a que o seu tempo de vida útil não seja precocemente encurtado.

Habitantes satisfeitos

Depois do corte da fita, os habitantes da povoação do Loge Pequeno manifestaram-se satisfeitos com a inauguração das duas pontes, afirmando que aquelas infra-estruturas vão facilitar a circulação de pessoas e mercadorias e impulsionar os índices de desenvolvimento humano na região.
O soba do Loge Pequeno, Kiangala Samba, afirmou que a reabilitação da estrada e a montagem das duas pontes marca o fim de uma longa fase de muito sofrimento, que as populações vão procurar esquecer dedicando-se energicamente ao trabalho.
“Antigamente, as pessoas percorriam grandes distâncias a pé com mercadorias à cabeça, mas agora, felizmente, os carros chegam até à nossa aldeia, porque as pontes e a estrada foram reabilitadas. Estamos muito alegres com o trabalho que o Governo fez. Isto demonstra que o Governo não está alheio aos problemas das populações”, disse em kikongo o soba, visivelmente satisfeito.
David Domingos Mavinga, 32 anos, natural de Loge Pequeno,  recorda, em declarações à equipa de reportagem do Jornal de Angola, que a vida na povoação não era fácil. “Nós vivíamos em condições muito difíceis, tínhamos falta de quase tudo. Estou a falar de bens de primeira necessidade como açúcar, sabão, sal, óleo alimentar e cobertores, que para adquiri-los tínhamos de caminhar até ao município do Ambriz, na província do Bengo, onde apanhávamos carros para os mercados de Luanda”, referiu.     
Agora, prosseguiu, as coisas ficam mais facilitadas. Com a inauguração das duas pontes, acabou o isolamento a que estavam submetidos. “As populações do Loge Pequeno estavam isoladas do resto do município. A reabilitação da estrada não serve apenas para encurtar as distâncias, mas vai igualmente garantir a presença de empresas na região, criando, deste modo, postos de trabalho para os jovens desempregados”.
O governador do Zaire pediu aos agricultores locais para que retomem o cultivo de laranjas, produto que no passado conferiu à região uma grande importância económica a nível da província e do país.
“Gostaria de voltar a ver as laranjas do Loge que deram em tempos idos uma grande importância à região”, disse Pedro Sebastião.

Comunicações

Embora isolada do resto do país, em alguns pontos elevados de Loge Pequeno era possível receber o sinal da operadora de telefonia móvel Unitel, já que são apenas 12 quilómetros que separam a povoação do município do Ambriz (Bengo).
Não obstante os ganhos registados, a vida dos habitantes do Loge Pequeno não é ainda um mar de rosas, vários são ainda os problemas por resolver, como, por exemplo, o abastecimento de água potável, embora a aldeia esteja localizada entre dois rios de grande caudal.
A energia eléctrica também não faz morada em Loge Pequeno, o que impede a população de estar informada, através dos meios de comunicação social, sobre o que se passa no país e no mundo. As autoridades provinciais, atentas, prometem resolver esta e outras questões nos próximos tempos.
 
Origem do lugar

Loge Pequeno surgiu por força da antiga fazenda colonial detentora de uma fábrica de óleo de palma, agora votada ao abandono, ali construída pelos portugueses nos anos 60 do século passado.
A povoação do Loge Pequeno, com uma população estimada em dois mil habitantes, é a última aldeia no extremo meridional do município do Nzeto, constituindo assim a linha limítrofe com o município do Ambriz, na província do Bengo.
Hoje, mais do que uma aldeia afamada, mercê dos tempos áureos vividos no passado com o cultivo de laranjas e produção de óleo de palma, Loge Pequeno, que dista 70 quilómetros da sede municipal do Nzeto, está a ganhar uma nova imagem, fruto da construção e reabilitação de infra-estruturas sociais.
A par das duas pontes, o governador provincial do Zaire, Pedro Sebastião, inaugurou na localidade um posto de saúde com duas salas de observação devidamente apetrechadas e uma escola primária de quatro salas de aulas com capacidade para acolher 280 alunos em dois turnos. A povoação tem três outras escolas primárias e duas salas anexas que acolhem alunos da 5ª e 6ª classes.
O responsável da secção municipal do Nzeto da Educação, Cultura, Juventude e Desportos, Domingos Ginga, afirmou à nossa reportagem que a aldeia necessita de mais quatro salas de aulas, para permitir a inserção de todas as crianças que se encontram fora do sistema normal de ensino, ao passo que a nível do município são necessárias mais 72 salas de aulas para se juntarem a igual número de salas já existentes.
Domingos Ginga explicou que estão a frequentar aulas no presente ano lectivo 11.254 alunos, sendo 9.954 do ensino regular e 1200 do ensino de adultos.
O nosso interlocutor referiu que o corpo docente é constituído por 420 professores efectivos, número que considerou irrisório para atender a demanda, pelo que o sector clama também por mais 120 novos professores para os diferentes níveis de ensino na região.
Quanto ao material didáctico, o responsável da secção municipal da Educação, Cultura, Juventude e Desportos no Nzeto assegurou não existirem dificuldades desta índole, na medida em que a Direcção Provincial da Educação do Zaire tem garantido o seu fornecimento no início de cada ano lectivo.

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