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Príncipe dos Dembos troca experiências no Zaire

Fernando Neto | Mbanza-Congo

O príncipe dos Dembos, província do Bengo, António Salvador, terminou sábado a visita de dois dias a Mbanza Congo, capital da província do Zaire, no quadro da troca de experiências entre as autoridades tradicionais das duas regiões.

Príncipe dos Dembos António Salvador
Fotografia: Adolfo Dumbo


 
O príncipe dos Dembos, província do Bengo, António Salvador, terminou sábado a visita de dois dias a Mbanza Congo, capital da província do Zaire, no quadro da troca de experiências entre as autoridades tradicionais das duas regiões.
Para o director provincial da Cultura no Zaire, Biluka Nsakala Nsenga, a deslocação de um dos netos de Nekongo, designação do antigo rei do Congo, vai contribuir para o renascimento dos hábitos e costumes que existiam nas duas regiões.    
À chegada a Mbanza Congo, o príncipe dos Dembos e a sua comitiva, foram recebidos pelo vice-governador para Organização e Serviços Técnicos, Rogério Eduardo Zabila, no Lumbu, Museu dos Reis do Congo, onde são tratadas as querelas e assuntos da comunidade.
No Lumbu, as duas regiões faziam rituais que retratavam a vivência cultural dos antepassados de ambas as partes. A deslocação a Mbanza Congo do príncipe visou fundamentalmente retomar as visitas periódicas que os seus ancestrais efectuavam à antiga capital do Reino do Congo, onde prestavam tributo ao rei, disse o príncipe dos Dembos.
“Os Dembos dependiam do Reino do Congo e isto obrigava os príncipes a visitarem periodicamente o Ntótela, ou seja o Rei, um hábito interrompido desde 1952, devido ao despoletar da guerra contra o regime colonial português”, disse.
António Salvador acrescentou que, terminada a guerra no país, chegou o momento de “vir à terra do pai (Rei do Congo), onde os nossos velhos vinham sempre de modo a manter vivos os nossos costumes”.
O “Jornal de Angola” apurou que o Rei do Congo era chamado de Ntótela, quando exercia as suas funções fora do território angolano em missão de serviço, ao passo que a designação de Nekongo vigorava no desempenho das suas actividades dentro do país.
O príncipe, que visitou os locais e sítios históricos da região, frisou que tudo o que os seus pais faziam por eles deve ser feito hoje, para que sirva de exemplo para os seus filhos.
Justificou que, devido à perda do acervo durante o conflito armado no país e outros utensílios do reinado dos seus ancestrais, nomeadamente as indumentárias típicas que usavam, bem como o Ngongue, instrumento de comunicação, entre outros bens, surgiu a necessidade de visitar Mbanza Congo, onde os seus pais adquiriam conhecimentos importantes, para a salvaguarda dos costumes tradicionais dos ancestrais.

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