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Produção agrícola combate a pobreza

Víctor Mayala | Mbanza Congo

Não é só do petróleo que o Zaire vive. A região preparou na presente campanha agrícola, 2012/2013, um total de 21 mil e 745 hectares de terra, onde estão semeados produtos diversos, para responder ao desafio do combate à fome e à redução da pobreza no seio das famílias.

Paixão Esteves defende aposta no café
Fotografia: Adolfo Dumbo

Não é só do petróleo que o Zaire vive. A região preparou na presente campanha agrícola, 2012/2013, um total de 21 mil e 745 hectares de terra, onde estão semeados produtos diversos, para responder ao desafio do combate à fome e à redução da pobreza no seio das famílias.
O director provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas explicou que os referidos hectares foram desbravados nos municípios de Mbanza Congo, com 9.470 hectares cultivados, seguido do Soyo com 8.282, Kuimba com 3013, Nóqui com 479, Tomboco com 214 e Nzeto com 286 hectares.
Paixão Esteves avançou que nas áreas estão lançadas estacas e sementes de produtos como mandioca, milho, jinguba, feijão, feijão macunde e batata-doce. Grande parte dos hectares de terra, como disse, foram preparados manualmente, devido a deficiência de alguns equipamentos.
“Temos um parque de máquinas completamente deficiente e pouco ou quase nada fez, porque as máquinas apresentam grandes problemas”, disse, acrescentando que o seu pelouro gostaria de ver já a agricultura na província totalmente mecanizada.
Paixão Esteves adiantou que as brigadas da Mecanagro vão, em breve, ser apetrechadas com novos equipamentos de produção. Entre o material a receber constam 20 tractores 4X4 de 80 cavalos, 20 charruas de três discos, 20 grades de discos de 22 polegadas, 10 regadores de quatro discos, cinco atrelados e igual número de camiões cisternas. Do lote dos equipamentos fazem ainda parte semeadores, oficinas rurais, empilhadores e kits de ferramenta mecânica.
O director da Agricultura esclareceu que a chegada à província deste conjunto de meios vai dar outro impulso à actividade de preparação de terras na região. A Mecanagro, indicou, vai promover acções de formação de todos os funcionários do sector agrário.
 
Consequência da estiagem
 
A estiagem que assolou o país afectou a produção na ordem dos 25 a 30 por cento, revelou Paixão Esteves, ressaltando que as culturas do ciclo curto do tipo feijão e ginguba foram afectadas em grande medida, por a estiagem ocorrer na altura em que estavam a florescer. O sector previa uma colheita de 260 toneladas de mandioca, 2.198 de feijão, 7.597 de ginguba, 1.292 de milho e 21.748 de batata-doce.
“O que temos estado a fazer é injectar mais sementes de diversas culturas, para que na próxima época agrícola possamos fazer a compensação daquilo que os nossos camponeses não conseguiram alcançar em termos de colheita”, actualizou.
Paixão Esteves adiantou que decorre na região um micro-projecto que consiste na introdução de várias novas culturas na prática agrícola local, entre os quais o café. A ideia do cultivo de café, notou, surge do facto de o interior do Zaire possuir solos semelhantes aos do Uíge e Bengo, duas províncias vizinhas produtores do “bago vermelho”.
“Vamos também cultivar o café. Se o vizinho pode porque é que nós não. As condições climáticas com estas províncias são quase idênticas”, afirmou dizendo que nesta altura decorre o processo de multiplicação das plantas de café do tipo mabuba num viveiro localizado na aldeia de Nkunga-Paza. Os resultados são satisfatórios. O interlocutor disse existirem já, na região, camponeses e empresários interessados na aquisição de pés de café para o cultivo.
“Existe muita força de vontade dos nossos técnicos em querer ver o sector a evoluir cada vez mais”, observou, para lembrar mais adiante que foi graças ao café que Angola chegou onde está ao figurar na lista dos três ou dois melhores países produtores mundiais do referido produto.
O responsável assinalou que o sector agrário é prioritário para a província do Zaire visando dar corpo às políticas que têm a ver com a diversificação da economia gizada pelo Executivo angolano.

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